A Polônia chegou à Copa do Mundo cercada de expectativas. Veio de uma boa Eurocopa em 2016, depois de ótima participação nas Eliminatórias. No torneio, na França, caiu apenas para Portugal e nos pênaltis. Para a Copa do Mundo, o ciclo prometeu ainda mais. Deu sorte no sorteio dos grupos, enfrentou Dinamarca, Montenegro, Romênia, Armênia e Cazaquistão. Foi arrasadora, é verdade, com oito vitórias em 10 jogos, um empate e só uma derrota. A fraqueza dos adversários, porém, deixava uma pulga atrás da orelha, que aumentou com os resultados de amistosos. Desde a classificação, duas vitórias, dois empates, duas derrotas. Mesmo assim, com um sorteio favorável, até por ser cabeça de chave, a expectativa era de um desempenho melhor. Em dois jogos, duas derrotas e, pior ainda, dois desempenhos muito ruins.

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Uma parte dos problemas começa com a má fase dos seus jogadores. Robert Lewandowski é o principal jogador do time e chegou à Rússia depois de uma temporada que não esteve no seu melhor. Nos jogos decisivos da Champions League, por exemplo, não esteve bem pelo Bayern de Munique. Em números, foi bem como sempre: 41 gols em 48 jogos. Foram vários apagões ao longo da temporada, o que aumenta a desconfiança sobre sua capacidade de carregar o time. Chegou em baixa na Rússia, mas a capacidade goleadora nunca se duvidou. A questão era: ele conseguiria ser abastecido? Eis outro problema.

Piotr Zielinsk, por exemplo, chegou com muita expectativa, mas pouco conseguiu fazer em campo. Reserva no Napoli, ele não conseguiu ser efetivo nem vindo de trás, como volante, nem como um meia aberto, com mais liberdade para chegar ao campo. Se esperava muito do meio-campista, mas ele entregou muito pouco. Outro que foi mal foi Jakub Blaszczykowski, que já vinha muito em baixa, reserva do Wolfsburg, que foi mal na temporada. Além deles dois, outro ponto crucial do time teve atuações ruins e, pior ainda, decisivamente negativa: Grzegorz Krychowiak. O meio-campista fez uma temporada ruim pelo West Bromwich, na Inglaterra, depois de já ter ido mal também no Paris Saint-Germain. Na Copa, mostrou o que vimos em campo na Inglaterra: atuações abaixo da média e muitos erros. Por fim entre os jogadores, a falta do zagueiro Glik foi muito sentida. Hoje o zagueiro entrou em campo, mas ainda sem plenas condições. O sistema defensivo polonês sentiu falta dele e isso fez alguma diferença, mas aí é um azar que ninguém pode controlar.

O técnico Adam Nawalka não tem problemas em mudar o time, inclusive o esquema tático, mas nas duas partidas, com dois esquemas diferentes, com 4-2-3-1 e depois com 3-4-3. Nos dois esquemas, foi superado pelo adversário no modo de jogo. Contra Senegal, o time pouco conseguiu fazer em campo, sendo vencido em contra-ataques e sem conseguir criar volume de jogo para ameaçar o adversário. Desta vez, o domínio da Colômbia foi até maior, assim como o poder de fogo. Por isso, a Colômbia sobrou em campo contra uma Polônia que não justificou em campo o ranking da Fifa que possui – e este é o aspecto que a tornou cabeça de chave, o que também vale para questionarmos o modelo de pontuação desse ranking. Convenhamos que com todos os principais jogadores individualmente abaixo do esperado, o coletivo acaba sofrendo demais, por mais que o técnico tente.

Os poloneses fizeram muitos pontos pelo excelente desempenho nas Eliminatórias e, neste momento, estão em oitavo lugar no ranking da Fifa. Absolutamente irreal pelo futebol que o time joga. O modelo de pontuação acaba criando uma distorção que, por exemplo, fez com que Gales, pela excelente campanha da Eurocopa, virou cabeça de chave nas Eliminatórias para a Copa. Acabou não se classificando, porque quem foi bem foi a Sérvia, que é só a 34ª no ranking (Gales, fora da Copa, é o 18º). Aliás, a edição mais recente do ranking, de 7 de junho, tem a Suíça como sexta colocada. O Peru, por pouco, não foi cabeça de chave da Copa, mesmo sem participar de uma há 36 anos. Há problemas na pontuação que precisam levar em consideração as Copas anteriores de alguma forma com um peso maior. Mas essa é uma conversa para um outro momento, para detalhar como funciona o ranking e como ele poderia melhorar.

A Polônia não era uma potência para ser cabeça de chave, como o ranking da Fifa colocou, mas também se esperava mais do que apresentou. Depois de duas rodadas, o time está eliminado, de maneira ridícula. Precisará repensar muito o que fazer para o próximo ciclo. Ainda mais com o seu craque, Lewandowski, já mais velho. Ele tem 29 anos e na próxima Copa terá 33. Ainda capaz de decidir, mas o time não poderá depender tanto dele quanto dependeu neste ciclo.