A festa foi bonita no Pacaembu. Foram 28 mil pessoas gritando pela Ponte Preta durante a maior parte da final da Copa Sul-Americana, mas o resultado de 1 a 1 que o time de Campinas conseguiu, em casa, contra o Lanús não é muito animador. Porque em toda a história da competição – curta, é verdade – apenas um time conseguiu o que a Macaca precisa para conquistar o seu primeiro título em 113 anos de história.

Foi em 2006, quinta edição do torneio. O Pachuca empatou com o Colo-Colo, no México, por 1 a 1, e venceu no Chile por 2 a 1. Em todas as outras decisões, quem não conseguiu um resultado positivo no primeiro jogo em casa, ficou sem o título.

Esse tipo de virada também não acontece muitas vezes considerando outras competições sul-americanas. Na Libertadores, há três casos, dois envolvendo equipes brasileiras. Em 2000, o Boca Juniors empatou as duas partidas da final contra o Palmeiras e foi campeão nos pênaltis. Nove anos depois, Estudiantes e Cruzeiro não marcaram nenhum gol na Argentina, mas a equipe liderada por Juan Sebastián Verón fez 2 a 1 no Mineirão. Em 1982, o Peñarol empatou com o Cobreloa por 0 a 0 em Motevidéu e ganhou por 1 a 0 em Santiago.

A Supercopa Sul-Americana de 1989 também teve uma situação dessas. Mais uma vez, o Boca empatou as duas, desta vez contra o Independiente, e acrescentou mais um título internacional para o currículo por causa dos pênaltis.

A Ponte Preta, rebaixada com antecedência no Campeonato Brasileiro, não fez uma partida de encher os olhos e poderia ter saído atrás antes mesmo do golaço de falta de Paolo Goltz. Uma bola lenta e rasteira encontrou Santiago Silva debaixo da trave e sem marcação, mas o canhão do Tanque estava sendo comandado por alguém com sérios problemas de miopia – ou de neurônios. Ao invés de bater de chapa, com qualquer uma das pernas, ele quis empurrar com o lado de fora do pé direito e…bem, vejam o que aconteceu:

Depois do gol do Lanús, a Ponte Preta murchou um pouco. As arquibancadas, com alguns simpatizantes que não eram torcedores do time desde criancinha, calaram-se por alguns instantes. O som ambiente diminuiu e o drama da dona da casa aumentou. Até que uma cobrança de falta de Fellipe Bastos, tão perfeita quanto a de Goltz, entrou no ângulo direito das traves do tobogã.  A Ponte começou a controlar a partida e criou chances de vencer, mas esbarrou na mesma falta de qualidade que vai obrigá-la a disputar a Série B ano que vem.

Ainda assim, e mesmo com esse histórico preocupante, mostrou que tem coração para superar adversidades. Sinceramente, nesta Copa Sul-Americana, já conseguiu resultados mais difíceis que vencer o Lanús na Argentina. Pela regra da final, que não valoriza o gol marcado fora de casa, a Ponte Preta precisa apenas ganhar um jogo para consagrar uma campanha que já é histórica. Não seria nenhum absurdo.