Carles Puyol nunca foi exemplo de técnica. Não fosse assim, a gente nem deixaria o Corneta Europa brincar com a imagem do zagueiro aqui no nosso blog. Mas não dá para ignorá-lo totalmente por isso. Ninguém joga por 15 anos na equipe principal do Barcelona à toa, assim como não somaria 100 partidas pela seleção espanhola apenas por esquema. O zagueiro não tem um talento nato, muitas vezes erra o tempo de bola. No entanto, é o exemplo de atleta que se dedica ao máximo para ter sucesso na carreira.

Durante toda a sua trajetória, Puyol se fez de dedicação tática e empenho físico. Natural que a série de lesões o façam repensar a carreira. Nesta terça, o defensor anunciou que deixará o Barcelona ao final da temporada. Os problemas no joelho não o permitem competir mais em alto nível, é hora de abrir espaço para outros. Não é o adeus definitivo. O veterano que descansar. Se voltar, muito provavelmente será em uma liga com menores exigências.

Três momentos podem resumir a carreira de Puyol. O grande sucesso veio na semifinal da Copa do Mundo de 2010, quando marcou o gol que eliminou a Alemanha e botou a Espanha na final. O sinal de companheirismo foi dado após a decisão da Champions de 2011, quando abdicou da sua honra como capitão para deixar que Éric Abidal, recém-recuperado de um câncer no fígado, levantasse o troféu. E a entrega na final da Liga dos Campeões de 2009, quando teve uma das melhores atuações de um defensor nos últimos tempos.

Cristiano Ronaldo era, inegavelmente, o melhor jogador do mundo naquele momento. Vinha voando com o Manchester United, cinco meses depois de receber a Bola de Ouro. E Puyol conseguiu anular o camisa 7. Escalado por Pep Guardiola na lateral direita, com Gerard Piqué e Yaya Touré fazendo o miolo de zaga, o espanhol não deixou que o português tivesse brechas na ponta esquerda. Longe de ter sido uma apresentação técnica do catalão. Mas sua vontade naquele jogo escancara bem o porquê de Puyol ser tão querido no Camp Nou.