O Barcelona teria uma partida difícil pela frente. Sim, enfrentar o Villarreal em El Madrigal não costuma ser das tarefas mais fáceis de La Liga. Mas as dificuldades dos blaugranas iam muito além disso. Era a primeira vez que o time entrava em campo desde a morte de Tito Vilanova, que deixou o comando dos catalães para se tratar de um câncer e perdeu sua batalha pessoal na última sexta-feira. Um dia de lágrimas, mas também de suor do Barça para arrancar a vitória por 3 a 2, após ficar dois gols atrás no placar.

>>> Acima de tudo, Tito Vilanova é um exemplo que vai muito além do futebol

A cena comovente veio antes do início da partida, no minuto de silêncio em tributo a Vilanova. O abatimento era evidente na cara de muitos dos jogadores, tanto em campo quanto no banco de reservas. Sergio Busquets foi filmando enxugando as lágrimas, após ver o rosto de seu antigo treinador no telão.

Não dá para dizer que a morte de Tito abalou o Barcelona em campo. A má fase recente sim. Embora os blaugranas se impusessem no ataque, parecia faltar força para definir a partida. O time arriscava bastante a gol, mas o goleiro Sergio Asenjo permanecia impecável. E, no final do primeiro tempo, o Villarreal demonstrou sua capacidade de surpreender. Primeiro, Bartra salvou uma bola quase em cima da linha. Pouco antes de Cani contar com a complacência da defesa em um contra-ataque e fazer o primeiro. Situação difícil, que se complicou ainda mais na volta do intervalo. Como sempre o Barça deu bobeira em uma bola aérea e Manu Trigueros ampliou a diferença.

O placar colocou o Barcelona contra a parede. Tinha que ser ainda mais agressivo se quisesse a virada. Enquanto isso, o Villarreal se defendia como podia. A solução para os catalães era atacar pelas laterais. E foi assim que o empate nasceu. O excesso de jogadores amarelos, que antes vinha sendo preciso para bloquear os chutes do Barça, acabou atrapalhando. Em dois cruzamentos de Daniel Alves (alvo de ofensas racistas pouco antes), dois gols contra infantis, de Gabriel Paulista e Mateo Musacchio. Já a virada nasceu em um belo lançamento de Busquets, ajeitado por Fàbregas para Messi fuzilar, aproveitando a abertura um pouco maior do Submarino Amarillo.

Após a partida, as dedicatórias para Tito Vilanova foram óbvias. “Tínhamos que vir, cumprir e lutar até o final, como Tito sempre fez. A partida se deu como foi a vida de Tito, uma luta até o final”, declarou Javier Mascherano. Uma vontade necessária para o Barcelona se quiser mesmo reverter a situação difícil que está em La Liga. São quatro pontos a menos que o Atlético de Madrid, uma distância que seria ainda maior se o time não mudasse de atitude. A dor pela morte do ex-técnico é grande, mas pode servir para mudar a apatia de um time que já parecia entregue na temporada.

No vídeo abaixo, a homenagem a Tito antes do jogo