Gianluigi Buffon e Andrea Pirlo são dois emblemas da Itália. Símbolos da seleção durante as últimas duas décadas. O goleiro que disputou cinco Copas do Mundo e que foi fundamental para que a Azzurra conquistasse o tetracampeonato em 2006. O maestro que regeu o meio-campo em três mundiais e também foi protagonista na Alemanha. Dois dos melhores jogadores da geração, independente da posição. Que se despedem da Copa com o segundo fracasso seguido na primeira fase. Não por culpa deles.

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Em uma partida apática da Itália, os veteranos foram os únicos que se salvaram. Os que mantiveram o espírito de luta diante dos 11 guerreiros do Uruguai. Os que se agarraram à chance de classificação até que não pudessem mais, que o gol de Godín botasse um fim à trajetória da seleção italiana no Mundial do Brasil.

Não fosse Buffon, o desastre teria acontecido ainda mais cedo. O goleiro executou duas defesas milagrosas em sequência no primeiro tempo, espalmando o chute à queima-roupa de Luis Suárez e se recuperando a tempo também de barrar o rebote, com Lodeiro. Na segunda etapa, outro lance fantástico do camisa 1, esticando o braço para negar outro tento a Suárez. Não é um dos melhores goleiros da história à toa.

Mais do que isso, Buffon teve a garra que se espera de um capitão. Indignado com a expulsão de Marchisio, foi para cima do árbitro cobrar pela decisão. Quando o jogo estava perto do final, correu em direção à área para tentar encontrar uma bola vadia, emendá-la para dentro do gol. A vontade, porém, não bastou.

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Já Pirlo, mesmo com o mundo caindo sobre seus ombros, manteve a calma de maneira impressionante. Distribuiu o jogo como se espera dele e, mais do que isso, chamou a responsabilidade. O regente de uma orquestra desafinada e que, sem instrumentos, viu o seu solo se tornar impossível – porque também errou demais nas conclusões e em alguns cruzamentos decisivos. Encerra a Copa precocemente, mesmo tendo protagonizado uma das atuações individuais mais incríveis do torneio, na vitória sobre a Inglaterra em Manaus – um jogaço que, no final das contas, não valeu em nada para definir os rumos do Grupo D.

Muito provavelmente, esta foi a última partida de Buffon e de Pirlo nas Copas do Mundo. A não ser que aconteça algum milagre (e, considerando que são duas lendas, isso é possível), os veteranos não irão à Rússia em 2018. Craques que não impediram a frustração da Azzurra na visita ao Brasil, apesar dos esforços inegáveis. E que, embora dificilmente o futuro ressalte isso, não merecem ser lembrados também como responsáveis do fracasso – aliás, muito longe disso.