“Obrigado Campinas”. A frase estampada na faixa exibida pelos jogadores portugueses no primeiro treino aberto que a seleção realizou na cidade do interior paulista é um retrato de como vem sendo boa a relação entre lusitanos e brasileiros nestes primeiros dias de Copa do Mundo.

Não é novidade que Portugal sinta-se em casa no Brasil. As relações entre os dois países são estreitas por motivos óbvios e vão muito além do fato de falarem a mesma língua.

A chegada dos lusitanos a Campinas teve de tudo. Desde uma modelo com os seios à mostra e pintados com as cores da bandeira portuguesa até um ciclista que se diz o torcedor número 1 da seleção e que a acompanha, sempre de bicicleta, por todos os lugares do mundo.

O treino aberto realizado no estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta (chamado de “maior time de Campinas” por alguns jornais portugueses), contou com 10 mil torcedores. Uma garota invadiu o gramado, foi contida por seguranças e, para sua surpresa, chamada por CR7, de quem ganhou um beijo e um autógrafo na camisa.

Os 6 mil ingressos para o segundo treino aberto (marcado para o dia 18) esgotaram-se pela internet em 6min54seg. Segundo a Prefeitura de Campinas, o site teve 361.950 acessos na tentativa de obter um bilhete.

O carinho com os lusos pode ser visto também no hotel onde a seleção está hospedada. De propriedade de um português, ele foi inteiramente reservado à delegação – que não ocupa todos os apartamentos. Os jogadores divulgaram nas redes sociais as imagens de seus quartos personalizados, com placas com o nome e o número de camisa de cada um próximas à cama e fotos deles em jogos pela seleção nacional.

Mas, por mais bem recebido que o time seja, é óbvio que os jogadores vão sentir saudades de casa. E a solução – ou pelo menos a maneira de amenizar o problema – para isso passa longe dos psicólogos. Ela foi encontrada pelos cozinheiros da seleção.

O chefe de cozinha contratado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Hélio Loureiro, montou o que ele chama de “mala da saudade”. E promete abri-la ao menos uma vez por semana. Nela, estão refeições tipicamente portuguesas, que serão utilizadas “para amenizar a distância a que todos estão de casa durante um largo período de tempo”.

A tal mala é recheada. Tem 200 quilos de bacalhau graúdo, 20 quilos de chouriço de carne, 48 garrafas de azeite, 12 queijos Serra da Estrela, 12 bolas de queijo tipo açoriano e 80 quilos de polvo congelado, entre outras iguarias. Segundo a FPF, os cozinheiros fizeram um “exaustivo levantamento” dos locais onde adquirir alimentos em Campinas e nas cidades onde Portugal jogará. Mas nada substitui o gosto original da terrinha.

A comida que cruzou o Atlântico faz parte de uma lista imensa de produtos que os portugueses trouxeram ao Brasil. Vão desde coisas corriqueiras, como bolas e chuteiras, até curiosas, como duas máquinas de estampar, duas impressoras, duas máquinas de café (com cápsulas, açúcar e copos) e até kits para pequenas cirurgias. No que depender de logística, carinho da torcida e alimentação, Portugal parece estar muito bem servido – literalmente.

Ah, e se você der a sorte de encontrar um jogador da seleção portuguesa e pedir a ele uma camisa, não aceite a velha resposta de “não posso dar, porque só tenho essa”. Pode responder que você sabe que a delegação trouxe ao Brasil 1 mil camisas de jogo para os atletas de linha e mais 160 para os goleiros. Será difícil ele superar esse seu (real) argumento.