Virou pessoal, e quando vira pessoal é difícil argumentar contra. A briga da Portuguesa para se manter na Série A não é apenas pelo direito de jogar na primeira divisão. É pelo orgulho de não se sentir passada para trás após conquistar os pontos suficiente para estar na elite, e pelo sentido de justiça. Desse modo, a única reação emocionalmente correta para o presidente Ilídio Lico tomar é tentar essa vaga na Justiça. Mas a reação emocionalmente correta não é apenas a única possível, nem é necessariamente a correta.

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Racionalmente, o melhor caminho para a Lusa neste momento, a menos de um mês do início do Brasileirão, é aceitar seu lugar na Série B. A CBF já mostrou que não economizará esforços para manter a decisão do STJD que tirou quatro pontos do clube do Canindé e salvou o Fluminense. Os clubes também se mostraram fechados nessa questão: nada de justiça comum mudando decisões da justiça desportiva.

Jogar a Série A na marra seria bastante complicado para a Portuguesa diante desse cenário. Talvez sofresse hostilidade das outras equipes, talvez despertasse uma grande antipatia dos tribunais esportivos, talvez considerasse que os erros de arbitragem que já são comuns contra ela seriam frutos de alguma conspiração da CBF. O rebaixamento não seria nada surpreendente.

Aceitando a derrota, ainda que injusta, a Lusa poderia afastar de si esses olhares hostis das autoridades. Mais que isso, ela ganha um mote para remobilizar seus torcedores. O sentimento de injustiça e a vontade de recuperar no campo o lugar “que lhe é de direito” poderia atiçar os rubro-verdes. Aí, pequenas cutucadas (como ter o patrocínio da Tabacow, adotar o uniforme similar ao do Fluminense) e uma estratégia ousada de comunicação podem fazer bem o trabalho. Há uma queda no faturamento, mas a necessidade de investimentos para jogar a Segundona é bem menor do que no Brasileirão.

Racionalmente, aceitar a Série B e trabalhar em cima dessa realidade pode ser o melhor para a Portuguesa fazer. O difícil é segurar a cobrança de conselheiros e torcedores que continuam vendo a questão como algo pessoal. Até porque muitos não estão pensando no que é melhor ou pior, querem apenas o que consideram justos. O que também faz sentido.