A década de 1950 marca um período áureo ao Stade de Reims. O time de Just Fontaine e Raymond Kopa era considerado um dos melhores da Europa, duas vezes vice da Copa dos Campeões e base da seleção francesa semifinalista no Mundial de 1958. Nesta temporada, dentro de sua realidade modesta, o clube da região de Champagne pôde reviver um pouco de suas glórias. Após duas temporadas, voltou à elite do Campeonato Francês com uma campanha recorde na Ligue 2, atingindo uma marca inédita de 87 pontos. O acesso do Reims, no entanto, acontece ao lado de um de seus velhos concorrentes. Naquele período áureo dos anos 1950, o Nîmes foi três vezes vice-campeão nacional e outras duas da Copa da França. A antiga força local andava esquecida, por conta de sérias crises financeiras. Entretanto, depois de 25 anos, o alívio voltou aos alvirrubros. Pela primeira vez desde 1992/93, o time retorna à primeira divisão.

Fundado em 1937, o Nîmes logo se tornou uma equipe notável no sul da França. Conquistou o acesso à elite pela primeira vez em 1950 e passou a buscar as primeiras posições na tabela. A chance de erguer a taça, porém, ficou a um fio. Entre 1958 e 1960, foram três temporadas consecutivas como vice-campeões, ainda que os alvirrubros não tenham chegado tão próximos assim de competir com os esquadrões de Reims e Nice. Além disso, vez por outra, a agremiação cedia jogadores à seleção francesa, como Maurice Lafont, presente na Copa de 1958.

A partir dos anos 1960, o desempenho caiu, embora o Nîmes permanecesse como um time de primeira divisão. Houve um rápido lampejo em 1971/72, com mais um vice nacional, desta vez superado pelo Olympique de Marseille. Tempos nos quais os alvirrubros estavam bem servidos de talentos, como o meio-campista Michel Mézy e o defensor Jean-Pierre Adams – este, de vida marcada pelo erro médico que o mantém em coma há 36 anos. A força não se sustentaria e, a partir da década de 1980, os Crocodilos virariam uma equipe ioiô. Em 1991, quando o clube retornou à Ligue 1 após sete anos, até parecia traçar um projeto ambicioso, que contratou Eric Cantona e Laurent Blanc – ambos jovens, mas já jogadores de seleção. Todavia, o elenco não emplacou e acabaria rebaixado em 1993, na lanterna do campeonato. A partir de então, a luta nas divisões de acesso seria longa.

O rombo financeiro pesava e, já em 1995, o Nîmes caiu à terceira divisão. Curiosamente, no ano seguinte viveu um lampejo ao voltar à final da Copa da França. Eliminou Saint-Étienne, Strasbourg e Montpellier, antes de perder para o Auxerre de virada em uma emocionante decisão. De qualquer maneira, este seria apenas um ponto fora da curva em duas décadas modestas. De volta à segundona em 1998, o time cairia à terceira em 2002. Já após o acesso de 2008, os Crocodilos não passaram da oitava colocação na Ligue 2 até 2016. Pior, sofreram mais um rebaixamento, com retorno imediato, e foram punidos com a perda de pontos por caso de manipulação de resultados, em que arranjaram empates para se safar de outro descenso em 2014.

Na temporada passada, enfim, a sexta colocação já representava um alívio. O Nîmes brigou pelo acesso até a última rodada, em que uma disputa aberta os acabou deixando de fora da zona de classificação. Apesar da frustração, a base do elenco foi mantida, assim como o técnico Bernard Blaquart. E o resultado da continuidade se viu na atual campanha na Ligue 2. Os Crocodilos iniciaram a campanha de maneira oscilante, mas emendaram bons resultados a partir de outubro. Sofreram apenas cinco derrotas desde então e não deixaram o G-2 a partir do segundo turno. Já nesta sexta, a goleada por 4 a 0 sobre o Gazélec Ajaccio desatou a festa no Estádio des Costières. Os 25 anos de ansiedade se dissiparam para a torcida alvirrubra. E a esperança é a de que o clube, com 33 temporadas na elite, consiga ampliar esta marca sem transformar a alegria em algo efêmero.

Além dos acessos de Stade de Reims e Nîmes, a Ligue 2 pode dar mais uma vaga na elite através dos playoffs. O Ajaccio é o único garantido, enquanto Brest, Le Havre, Lorient, Clermont e Paris FC disputam os dois lugares restantes. Nestes mata-matas, o quarto e o quinto na tabela fazem um confronto direto. O vencedor pega o terceiro e quem passar disso fará o jogo pela vaga na Ligue 1, contra o 18° da primeira divisão. Já na terceirona, destaque para o histórico Red Star Paris, que retorna à segunda divisão uma temporada depois de cair.