Apenas o torcedor da Roma sabe realmente o que é torcer para a Roma. Sim, a frase é um tanto quanto redundante e ainda assim cheia de sentido quando se pensa no sofrimento corriqueiro dos giallorossi. Não foram poucas as vezes nas quais o clube morreu na praia durante os últimos anos e nem foram poucas as goleadas acachapantes sofridas na Liga dos Campeões. O termo “romada”, afinal, não foi cunhado à toa. E todas as penúrias parecem se tornar propósito em uma noite como esta, da mais pura e jubilosa redenção. A virada sobre o Barcelona lava a alma de cada um dos romanistas. Oferece, depois de tanta agonia, a mais resplandescente alegria.

Ao apito final no Estádio Olímpico, a emoção exalava na atmosfera da Cidade Eterna. Rompia os limites do gramado, as estruturas das arquibancadas, as fronteiras da cidade. As lágrimas escorriam, dentro e fora do campo, dentro e fora da tela. Ouvia-se a gargalhada orgulhosa a milhares quilômetros de distância. Daqueles momentos que só o futebol proporciona.

Afinal, esta façanha não é apenas do time antes considerado eliminado, que reverteu todos os prognósticos para causar uma das maiores surpresas da história da Liga dos Campeões. É também o apogeu da longa epopeia vivida por uma massa de torcedores. O apogeu para gerações que não experimentavam uma euforia tão grande há anos. O apogeu para uma geração que sequer tinha sido arrebatada na vida por esta sensação. Dava vontade de explodir, de gritar até não parar mais, de abraçar, de rir, de chorar. Sobretudo, de sentir o momento ao máximo.

Os jogadores corriam dentro de campo desenfreados, e se amontoavam em uma comunhão só possível por toda a união durante os 90 minutos contra o Barcelona. Já do lado de fora, o maior emblema surgiu nos rostos dos garotinhos aos prantos, com a emoção à flor da pele. Talvez não tenham a real dimensão do que acabou de acontecer. Mas já sabem que viram a história, e por isso algo dentro do peito não se contém.

Por fim, as arquibancadas lotadas se fundiram num mar giallorosso. Entre dezenas de bandeiras, ouvia-se em uníssono o hino “Grazie Roma”. O muito obrigado por uma noite inigualável. O agradecimento que, acima de todo o sofrimento, mostra como vale a pena amar incondicionalmente. Não há uma torcida mais feliz no mundo que a romanista, e como sempre mereceram.

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Abaixo, os vídeos do apito final e do hino, assim como a narração do gol de Kostas Manolas (o terceiro, da classificação) feito pelo fervoroso romanista Carlo Zampa e a concentração de torcedores no CT de Trigoria.