Enquanto o Boca Juniors festeja o regresso de Carlos Tevez para a disputa da Libertadores 2018, o River Plate enche as mãos para responder ao rival e se dizer ainda mais forte ao torneio continental. Franco Armani é um acerto gigantesco dos Millonarios, um goleiro de qualidade que não se vê no Monumental há tempos e que não se encontra em nenhum outro clube argentino atual. Já nesta terça, a confirmação do outro reforço estelar de La Banda: Lucas Pratto, depois de suas andanças pelo Brasil, por Atlético Mineiro e São Paulo. O homem de referência que Marcelo Gallardo almejava e o clube que pode elevar de patamar a carreira do atacante em seu país.

Lucas Pratto era desejo manifesto da Gallardo. Se o clube teve uma perda imensa com a venda de Lucas Alario ao Bayer Leverkusen, não supriu totalmente as suas demandas com Ignacio Scocco. O treinador esperava alguém que pudesse dar presença física à linha de frente. E o estilo de jogo do “Urso” vai além do mero homem de referência. Considerando o seu período no Brasil, a média de gols de Pratto é relativamente baixa ao que se imagina de um camisa 9. Em compensação, ele beneficia muito a construção de jogo. Scocco, Pity Martínez e quem mais vier de trás serão os maiores auxiliados pela inclusão.

O River Plate aposta alto em Pratto. O negócio avaliado em US$11 milhões é a segunda maior contratação da história feita por um clube argentino, abaixo apenas do retorno de Juan Román Riquelme ao Boca Juniors após sua passagem pelo Villarreal. Há questões de inflação e tudo mais, mas ainda assim representa bastante sobre aquilo que se ambiciona com o novo atacante. Embora importante em Galo e São Paulo, o camisa 9 acabou se tornando uma peça prescindível diante das ofertas, bem como das possibilidades de reposição em sua função. Em Núñez, a noção se transforma pelo impulso que se aponta na Libertadores.

E o próprio Pratto ganha uma nova visibilidade dentro da Argentina. Que o jogador tenha iniciado sua carreira no Boca Juniors, ele mal jogou na Bombonera. Rodou por equipes menores até sair do país e voltar ao Vélez Sarsfield, onde atravessou sua melhor fase. Foram dois títulos nacionais com o Fortín, que escancararam os predicados do centroavante. Mesmo assim, a realidade no José Amalfitani é um pouco mais modesta, quando comparada às maiores camisas do país. Em sua volta para casa, Pratto poderá ganhar um renome e uma idolatria inéditas a si no Monumental. E, por mais que não desfrute com Jorge Sampaoli a mesma confiança que dispunha de Edgardo Bauza, pode até ambicionar um lugar na seleção. A concorrência é duríssima, mas o Urso está na mesma prateleira de Darío Benedetto, o escolhido na reta final das Eliminatórias.

Em sua apresentação, nesta terça, Pratto evidenciou os seus anseios em Núñez: “O desafio de jogar a Libertadores, de estar em uma equipe tão grande como o River, de compartilhar o elenco com grandes jogadores e trabalhar com esta comissão técnica foi o que me fez inclinar a balança. Também influenciou estar perto da minha filha, que é o mais importante que tenho. Quero ser campeão da Libertadores. Quero ganhar títulos com o River. E quero demonstrar a Gallardo que fez bem em me contratar. Pressão tenho por usar a camisa do River, que é uma das maiores equipes do mundo. Se pagaram um milhão a mais ou a menos, a pressão ia ser a mesma. Estou muito feliz porque fiz um esforço grande, igual o clube, para vir. Desde que assumiu, Marcelo tentou me contratar e esta foi a vez em que as portas estavam mais abertas”.

Além disso, o centroavante falou sobre a importância do futebol brasileiro no desenvolvimento de sua carreira: “Estou mais maduro, tentei manter o nível de futebol que tinha e agreguei outras coisas. Voltei a jogar bem de nove nestes últimos anos. O mais importante é a maturidade que consegui no São Paulo, um clube que não estava passando por um bom momento. Você aprende a partir dessas situações”.

Aos 29 anos, Pratto atinge a um momento fundamental de sua carreira. Chega a um dos grandes em seu país e terá a Libertadores como grande objetivo. O saldo da passagem pelo Brasil foi positivo, mesmo que tenham faltado títulos e feitos de maior expressão. O mais importante, no entanto, é que o camisa 9 não estará sozinho em Núñez. Vem para complementar uma equipe que já era boa e que anda se reforçando. É o algo a mais que Marcelo Gallardo esperava e que aguarda se concretizar nos próximos meses, já com um grupo duro pela frente para se afirmar na Copa Libertadores. De ponta a ponta do campo, os Millonarios pensam alto.