As faixas que os torcedores do Bayern de Munique levaram para as arquibancadas da Allianz Arena incomodaram a Uefa. Uma com mensagem de apoio ao Kosovo e outra com uma grosseira homofobia contra os torcedores do Arsenal e Mesut Özil. A reação imediata da entidade presidida por Michel Platini foi investigar a manifestação política, não o preconceito.

Nas primeiras horas da manhã, os jornais europeus carregavam notícias sobre um processo disciplinar que a Uefa abriu por causa de uma faixa que dizia “Diga não ao racismo, diga sim ao Kosovo. Aceite o Kosovo, Uefa!”. O Kosovo jogou seu primeiro amistoso sob chancela da Fifa na semana passada, mas ainda não faz parte de nenhuma das duas entidades, nem das Nações Unidas. Ele não pode ostentar símbolos nacionais ou bandeiras e sequer cantar o hino nacional. A polêmica envolve a Sérvia, de quem os kosovares se separaram em 2006.

A Fifa de Joseph Blatter adora punir manifestações políticas e não se preocupa se há autoritarismo e opressão de minorias na Rússia ou trabalho escravo no Catar. A Uefa de Michel Platini segue a mesma linha. Puniu o Celtic por causa de faixas da torcida sobre a independência da Escócia em dezembro do ano passado. Desde os primórdios, como cantam os puxadores de samba do Carnaval, os dirigentes do futebol adotam o discurso de que futebol e política não se misturam e tentam coibir isso de todas as formas.

O chefe de imprensa da Uefa, Pedro Pinto, anunciou a abertura do processo contra a manifestação política, mas disse que a entidade estava estudando um relatório da organização Football Against Racism in Europe sobre a faixa com a frase “Gay Gunners” e um canhão apontado para um desenho de Özil sem as calças e inclinado para a frente. Ela demorou quase cinco horas para concluir que aquilo era homofobia e soltar um comunicado no site oficial com a confirmação de que os dois casos – e o atraso no pontapé inicial – serão investigados.

A cronologia dos fatos passa impressão de que a Uefa precisou ser avisada pela Fare que deveria punir a homofobia. Não cola nenhum argumento de que a faixa não foi vista porque estava em todos os sites europeus de futebol. Bastava abrir o navegador. Essas entidades poderiam ser muito relevantes socialmente se se preocupassem mais com o preconceito do que com inofensivas manifestações políticas e de opinião.

A mensagem a favor do Kosovo também esteve nas arquibancadas

A mensagem a favor do Kosovo também esteve nas arquibancadas