O Ceará voltou a imperar no campeonato estadual. Depois de três anos, o Vozão ergueu a taça do Cearense nesta quarta-feira. Derrotou o Ferroviário no segundo jogo da final e garantiu por antecipação o título, seu 44° na competição. A conquista não exalta apenas o clube ou seus jogadores. Serve também para rechear ainda mais o currículo de Givanildo Oliveira. O treinador adiciona a medalha de mais um estado à sua prateleira repleta de condecorações. Após faturar 11 estaduais nos tempos de jogador, o veterano chega ao 16° como técnico. Pode encher a boca para dizer que colocou a faixa no peito em sete estados diferentes e com 11 clubes.

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Givanildo assumiu o Ceará em fevereiro. Substituiu Gilmar Dal Pozzo, que ficou apenas nove partidas à frente dos alvinegros e saiu após a eliminação para o Boavista na Copa do Brasil, recebendo ameaças no retorno a Fortaleza. Apesar do ambiente conturbado, o novo comandante conseguiu contornar a situação. Fora da Copa do Nordeste neste ano, o time caiu na fase de grupos da Primeira Liga, mas fez a sua parte no Cearense. Terminou na liderança durante a fase de classificação, antes de bater Uniclinic e Guarani de Juazeiro nos mata-matas. Já na decisão, contra o Ferroviário, derrotou os rivais nos dois primeiros confrontos, evitando a terceira partida. Nesta quarta, Wallace Pernambucano e Raúl marcaram os gols na vitória por 2 a 0, desencadeando a celebração no Castelão. Prêmio especial para Magno Alves, aos 41 anos, que já havia sido campeão com o Vozão em 2013 e 2014.

Givanildo, por sua vez, se consagra pelo segundo ano consecutivo nos estaduais. Em 2016, surpreendeu à frente do América Mineiro, encerrando o jejum do Coelho que já durava 15 anos. Nas últimas três décadas, o treinador foi campeão com Paysandu (1987, 1992, 2000, 2001, 2002), Sport (1992, 1994, 2010), CRB (1986), CSA (1990), Remo (1993), Fortaleza (2004), Santa Cruz (2005), Vitória (2007), América-MG (2016) e agora com o Ceará. E isso sem contar os dois regionais, as duas Séries B, uma Série C e a histórica Copa dos Campeões de 2002, que levou o Papão à Libertadores. Já nos tempos de jogador, foram 11 taças do Pernambucano, sete pelo Santa Cruz e três pelo Sport, além do Paulistão de 1977 com o Corinthians. O meio-campista também participou do início da campanha vitoriosa do Fluminense no Carioca de 1980, saindo durante a competição.

Curiosamente, o triunfo anterior de Givanildo no Cearense foi envolto de polêmicas – e, em muitas fontes, acaba sem ser reconhecido, quando deveria. Campeão do primeiro turno com o Fortaleza, o treinador perdeu o segundo para o Ceará e foi demitido. A finalíssima, contudo, sofreu diversos adiamentos e se arrastou aos tribunais, até que o STJD confirmasse a conquista ao Leão do Pici no ano seguinte. Festa limitada aos engravatados. Desta vez, o veterano recebe o justo reconhecimento. E as expectativas seguem para a sequência do ano. O “rei do acesso”, que subiu com seis equipes nas divisões nacionais desde 1997, prepara o Vozão para a disputa da Série B.

Que faltem campanhas mais expressivas para Givanildo na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, seus resultados em equipes médias falam por si. Tantos títulos não são mero acaso. E, sem medo de exagerar, dá para dizer que ninguém conhece melhor a realidade de trabalho nestes meandros do futebol nacional. Em 1986, após levar o Alagoano pelo CRB, o ex-jogador de 38 anos declarou exultante à revista Placar: “É o meu primeiro campeonato como treinador. E para quem tem apenas três anos de profissão, representa muito”. Mal sabia o futuro brilhante (pelo brilho das taças, especialmente) que o esperaria nas décadas posteriores.