Os clubes ingleses são os que mais gastam no mercado de transferências, razão que faz a Premier League a liga que mais despeja dinheiro pelos jogadores. Mesmo assim, não foi um clube inglês que bateu o recorde de valor de transferência desta vez. O Paris Saint-Germain pagou os incríveis € 222 milhões para tirar Neymar do Barcelona, mais que dobrando o valor do recorde anterior, quando o Manchester United (aí sim um inglês) pagou € 105 milhões por Paul Pogba. O presidente da Premier League, Richard Scudamore, comemorou o fato do novo recorde não ser de um clube da liga que ele dirige.

LEIA TAMBÉM: Da fusão a Neymar, a trajetória que trouxe o Paris Saint-Germain ao momento atual

“Há um ponto que você na verdade diz ‘não’. Estou feliz que não fomos nós que batemos esse recorde”, afirmou Scudamore em entrevista à Sky Sports. “Foi uma série de eventos incomuns. Os catarianos, que são donos do PSG, decidiram subitamente que queriam passar uma mensagem”, disse o dirigente inglês.

“O mais perverso de ter cláusulas de rescisão é que elas são feitas para previnir que o jogador saia. Esta foi testada e não me preocupa nem pouco e eu estou aqui sentado feliz que não foi um clube da Premier League que gastou tanto dinheiro em um só jogador”, analisou Scudamore.

Falando à rádio BBC 5, o dirigente disse que não vê como possível que um clube inglês pague uma quantia como essa, de € 222 milhões, por um só jogador. “Eu não algo assim acontecer [na Premier League]. Quando o recorde anterior era de € 105 milhões passa a € 222 milhões, é outra coisa acontecendo”, disse.  “Eles [PSG] passaram uma imensa mensagem, mas eu não acho que veremos isso ser replicado”, declarou ainda Scudamore.

Apesar de não ter batido nenhum recorde no valor de transferências, os clubes ingleses estão gastando milhões em contratações na temporada, em somas bastante altas. O dirigente, porém, acredita que os valores gastos, mesmo sendo altos, são sustentáveis. “A realidade é que há pressões em todos os lugares, torcedores querem que seus clubes contratem jogadores, sempre foi assim”, disse.

“A economia do esporte é direta. Clubes possuem ativos, particularmente os direitos de transmissão, nós temos interesse global por isso. Isso gera receita, essa receita é reinvestida e os clubes sempre gastam praticamente o que têm em adquirir talento e depois em infraestrutura, como estádio e projetos comunitários”, continuou o dirigente. “Nós temos regras em vigor que garantem que os clubes são sustentáveis, claramente você não pode pagar o salário máximo para cada jogador”.

Os ingleses não bateram o recorde por um jogador, mas dificilmente a Premier League deixará de ser a liga que mais gasta dinheiro na janela de transferências. E só escrevo “dificilmente” porque pode acontecer uma loucura qualquer, como por exemplo outros clubes franceses – ou o próprio PSG – gastarem valores ainda mais impressionantes na janela. De qualquer forma, parece mais provável que os clubes ingleses estejam no topo na lista de gastança da janela. Mesmo sem um Neymar na conta.