Mais claro, impossível: com o novo calendário da Conmebol, que colocou a Libertadores para ser disputada ao longo de todo o ano, os clubes mexicanos não participarão da competição. Foi isso que disse o presidente do América do México, Ricardo Peláez, à Trivela, com o cuidado de lembrar que sua voz é apenas uma e que a decisão final será tomada pelos donos dos clubes da Liga MX em conjunto com a Federação Mexicana.

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Estão sendo realizadas negociações entre a liga, a federação e a Conmebol para tentar chegar a um meio termo. No entanto, uma Libertadores que ocupa o calendário de fevereiro a novembro não serve de maneira alguma aos clubes mexicanos porque coincide com a Concachampions.

“Com esse calendário, como a Conmebol estabeleceu, não podemos participar (da Libertadores)”, afirma Peláez. “Se houver uma negociação, podemos encontrar vias para conseguir um calendário que favoreça as duas partes. Eu digo isso, você me diz isso e vamos fazer um acordo para encontrar a fórmula para que o México continue. Seria importante para o México continuar na Conmebol porque ela tem Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Uruguai…”.

Carlos Ponce, jornalista do jornal mexicano Record, explica o panorama das negociações com a Conmebol, que estão sendo tocadas pela Federação Mexicana. “Hoje, os clubes mexicanos estão mais fora do que dentro da Libertadores”, afirma à Trivela. “Será oficial na próxima assembleia da Conmebol. Os clubes estão esperando que a Federação e a Conmebol cheguem a um acordo para mudar o calendário, mas elas não vão chegar. O México diz à Conmebol: mude seu calendário. A Conmebol diz ao México: mude seu calendário”.

O impasse não interessa à Fox Sports, dona dos direitos transmissão da Libertadores para o México e que, segundo o AS, tira 45% da sua receita total na América Latina do país. Mas interessa à Televisa, dona do América do México e, segundo Ponce, de toda a liga mexicana. “A Televisa controla a liga. E a Televisa diz: a Libertadores não me interessa porque eu não a passo. Então, a Federação e a Televisa não vão mudar o calendário”, explica Ponce. “O futebol mexicano está controlado pela federação. Dentro dela, há ligas, de primeira e segunda divisão, de setor amador. Isso tudo depende um único organismo, uma única pessoa que é empregado da Televisa, embora não oficialmente. Há assembleia de donos de times, e os donos votam, mas, no fim, fazem o que disserem uma ou duas pessoas”.

O jornalista acredita que a saída dos mexicanos da Libertadores representaria um retrocesso técnico para os times do país, pois eles disputariam apenas a Concachampions fora de suas fronteiras. E, nessa competição, nadam de braçada, com frequentes goleadas suntuosas contra equipes menores do continente. Nem os americanos dão conta. Na última edição do torneio, todos os duelos das quartas de final foram disputados entre mexicanos e times da Major League Soccer. Os mexicanos ganharam todos eles.

“É um retrocesso total”, diz. “Jogamos contra equipes de Trinidad e Tobago, do Suriname, com goleadas de 8 a 0 que não servem para nada. Espero que isso não se aplique à seleção, que continuemos jogando a Copa América. Nossa seleção enfrenta seleções mais poderosas. Mas vamos perder em clubes”. Ponce conta que existe um grande desafio no México: disputar a quinta partida na Copa do Mundo. Desde 1994, a seleção do país para nas oitavas de final, que representa o quarto jogo do torneio. Chegou às quartas apenas nas duas vezes em que sediou o Mundial. “Se não concorrermos com Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, com todos, não será fácil cumprir esse desafio”, argumenta.

Os clubes mexicanos não poderiam escolher disputar apenas a Libertadores e abandonar a Concachampions sem a permissão da Concacaf – que nunca a daria porque evidentemente precisa desses times no seu campeonato. Uma solução seria a tão comentada unificação das confederações para uma competição continental de todas as Américas. “Isso seria maravilhoso, me encanta, pela riqueza de competição que teríamos, mas o problema é a questão geográfica”, afirma. “Temos o Canadá lá em cima e a Argentina lá embaixo. É um voo de 20 horas. É uma loucura”.

Ponce afirma que, neste momento, existe apenas 5% de probabilidade de os clubes mexicanos ficarem na Libertadores. A única salvação seria a entrada da Fox Sports na jogada, convencendo algum dos lados a ceder. “Mas isso não vai acontecer”, encerra.

O repórter viajou ao México a convite da Nike.