Um dos tópicos controversos da Bundesliga nos últimos anos é sobre a chamada regra 50+1, que impede que um único investidor tenha mais do que 49% das ações de um clube e, assim, possa controlá-lo. Para o presidente do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, a regra deveria ser revista para deixar que os clubes decidam se querem ter donos ou não.

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Um dos motivos da polêmica é o questionamento sobre times como o Hoffenheim, que desde 2008 chegou à primeira divisão alemã com investimentos de Dietmar Hopp, algo que já tinha acontecido antes com o Bayer Leverkusen (que tem como maior investidor a gigante farmacêutica Bayer), o Wolfsburg (mantido pela Volkswagen) e, mais recentemente, o RB Leipzig (mantido pela Red Bull). Há muita crítica que essas empresas contornaram a regra.

“Todo mundo deve decidir por si mesmo se abre a porta para novos investidores. Você deve deixar a decisão para os clubes se eles querem isso”, afirmou Rummenigge. “Somos os últimos das cinco grandes liga na Europa a manter os investidores fora”, afirmou o ex-jogador e atual dirigente do Bayern de Munique.

Ter pessoas como donas de clubes é algo comum em outras grandes ligas da Europa, especialmente na Premier League, com a maioria dos clubes pertence a uma pessoa ou ao um grupo, a maioria estrangeiro. Há críticas também a isso na Inglaterra, mas é algo bastante comum e, em geral, os torcedores só querem que o clube seja bem administrado, seja lá quem for o dono.

Na Bundesliga, a regra de 50+1 diz que nenhuma pessoa ou instituição pode ter mais de 49% das ações e, assim, do direito de voto em um clube alemão profissional, de forma a prevenir a venda da maioria das ações a investidores externos. A ideia por trás disso é proteger os clubes de donos irresponsáveis e manter uma natureza democrática de clubes pertençam aos torcedores. Um quarto dos clubes da Bundesliga atualmente não seguem a regra de 50+1, com alguns clubes tendo recebido direito a exceções.

Além do RB Leipzig e o polêmica investimento da Red Bull, há também a situação do Hannover, que tem Martin Kind como principal investidor. Ele parece pronto para tomar o controle das ações majoritárias do clube e é um dos críticos da regra. “Nós deveríamos acabar com a regra de 50+1 e desenvolver novas regulamentações”, afirmou Kind.

Com o apoio público do Bayern – que tem entre os seus acionistas empresas como a Adidas e a Audi -, a pressão sobre a Federação Alemã (DFB) deve aumentar. A discussão parece inevitável quando um quarto dos seus clubes na primeira divisão não cumprem totalmente a regra. Com tantas exceções, é hora da DFB rever a regra ou começar a cumpri-la de vez. O que não dá é para ser casuísta.