Seis meses no cargo foram suficientes para David Moyes fazer a transferência mais cara da história do Manchester United. No final desta sexta-feira, o clube confirmou que o espanhol Juan Mata foi contratado por € 48,25 milhões, bem superior à anterior, de € 37,09, quando Dimitar Berbatov trocou o Tottenham por Old Trafford.

No verão – da Europa -, Moyes já havia contratado Marouane Fellaini, por cerca de € 33 milhões. Não que Alex Ferguson tenha sido um franciscano com o dinheiro da família Glazer, e o mercado está inflacionado mesmo, mas o treinador aposentado jamais gastou mais de € 30 milhões em dois jogadores na mesma janela de transferências. A lista pode chegar a três porque o brasileiro Dante também está na mira do clube de Manchester e certamente não sairá barato.

Em Liverpool, Moyes tinha um orçamento limitadíssimo e está, enfim, descobrindo os prazeres do consumismo, mas a gastança indica que ele não terá paciência para esperar os jogadores se desenvolverem que nem o seu antecessor. Talvez porque, na verdade, a diretoria não terá paciência com ele que nem teve com Ferguson, que conquistou seu primeiro título no fim da sua quarta temporada na Inglaterra.

Em português claro, ele sentiu a pressão de estar em sétimo lugar, a seis pontos de uma vaga na Liga dos Campeões, a 14 do título inglês e eliminado das Copas da Inglaterra e da Liga Inglesa. Diante dessa situação, praticamente qualquer um seria um acréscimo de qualidade, mas Mata é uma baita contratação de Moyes porque, em seus pés, tem a criatividade que faltou à equipe na primeira metade da temporada.

Por outro lado, Mata não é Paul Scholes. Teria que se adaptar bastante para jogar ao lado de Michael Carrick em uma linha de quatro no meio-campo. Por isso, deve ser o meia criativo por dentro, mas protegido pelo volante inglês e por Fellaini, atrás de Van Persie e Rooney.

O Chelsea que está feliz da vida. Lucrou mais de € 20 milhões com um jogador que estava encostado. O espanhol nunca foi um dos favoritos de José Mourinho, e a movimentação do treinador em julho e agosto, trazendo quase uma dezena de meias ofensivos, era uma boa pista disso. O português ainda conseguiu irritar Arsène Wenger que reclamou da transferência porque o seu rival de Londres não enfrenta mais o Manchester United no Campeonato Inglês.

David Moyes perdeu tempo. Foi letárgico no verão europeu, não teve o dinamismo de negociar vários alvos ao mesmo tempo e comprou apenas Fellaini, em cima da hora, por um preço bem elevado. Talvez, se tivesse sido mais esperto, poderia ter interceptado Willian ou Henrikh Mkhitaryan, por exemplo. Acabou com Mata, seis meses depois, um excelente jogador com o preço inflacionado por ser uma transferência entre rivais e pela noção pública de que o United precisa gastar dinheiro para recuperar a temporada. Resta saber se já gastou o suficiente.