A contratação de Juan Mata foi uma boa aposta do Manchester United, algo que falamos no resumo das transferências da janela de janeiro. Mas no primeiro jogo que o espanhol começou jogando ao lado de Wayne Rooney e Robin van Persie, o que se viu em campo não foi animador. Bagunçado em campo, o Manchester United não conseguiu criar muitas chances e acabou derrotado pelo Stoke City por 2 a 1. Apesar da participação de Mata no gol do time, de Van Persie, o que se viu foi pouco entrosamento e jogadores ainda batendo cabeça.

Em tese, o Manchester United jogou em um 4-2-3-1, com a linha de três meias formadas por Mata, Rooney e Ashley Young. Van Persie comandou o ataque. Em tese, porque os jogadores se movimentaram, Mata e Young chegaram a inverter os lados. Isso é bom, mas não resolveu o problema. O time não se encontrou. Com mais posse de bola, o time não soube trocar bem os passes e ameaçava pouco o time do Stoke. A desorganização do meio do time tem muito a ver com a atuação apagada de Rooney, a pouca participação de Van Persie e um Young que é inofensivo.

De todo o setor ofensivo, Mata foi justamente quem teve a melhor atuação. Buscou o jogo, se movimentou, não ficou preso ao lado direito, onde começou o jogo. Foi dele a assistência no gol de Van Persie, foi quem mais fez desarmes no jogo, cinco, e quem mais cruzou na partida, nove vezes. Faltou mesmo chutes a gol, quesito onde Rooney foi quem mais tentou, com quatro, mesmo número do melhor do jogo, Charlie Adam, volante do Stoke, que marcou os dois gols do seu time. Mesmo assim, foram poucas as chances do United que não foram no desespero, com cruzamentos para a área ou chutes de longe.

Outro ponto é que Moyes se perdeu nas mexidas no time. Ele teve azar, já que os dois zagueiros se machucaram e o obrigaram a fazer alterações. Mas suas escolhas acabaram não ajudando. Rafael entrou no lugar de Jonny Evans e fez Smalling virar zagueiro. Até aí, sem problemas.

O problema foi colocar Danny Welbeck no lugar do outro zagueiro que se machucou no fim do primeiro tempo, Phil Jones. Atacante, ele obrigou Rooney a jogar como volante, Carrick foi para a zaga, Mata foi para o meio e Welbeck ocupou o lugar de mata. Uma alteração que mexeu em meio time. Uma alteração ousada, é verdade, mas também um pouco maluca. O time perdeu o meio-campo. Mesmo com tantos jogadores criativos, o time não conseguia criar muito. Porque não estava muito fácil para trabalhar a bola no setor mais importante do time. Carrick é muito importante por ali, e sem ele e com Rooney improvisado, o time perdeu muito.

Tudo bem que o resultado do jogo foi o resultado de um pouco de azar. Afinal, quando Charlie Adam acertou dois chutes de fora da área e marcou dois gols em uma partida? Não é algo comum, convenhamos. Mas o fato é que o time ficou devendo. Moyes tem que ser cobrado, mas os jogadores também. E a diretoria, que deixou mais uma janela passar sem contratar um jogador de meio-campo para fazer dupla com Carrick. Cleverley, neste momento, não é o suficiente para suprir essa necessidade.

Moyes tem muito trabalho pela frente. É possível fazer esse time funcionar, nesse esquema mesmo. Mas será preciso treino e que os jogadores consigam se entender melhor. Por enquanto, o ataque do Manchester United é muito forte no papel, mas em campo não consegue assustar nem o Stoke. O tempo é curto. O sétimo lugar na tabela é muito insatisfatório para quem se acostumou a buscar o título, temporada atrás de temporada.