A inconsistência chegou ao Liverpool. A equipe foi derrotada neste domingo pelo Hull City, por 3 a 1, e a justificativa óbvia para o revés foi o desfalque de Daniel Sturridge, que, lesionado, deve ficar de fora dos gramados de seis a oito semanas. Mas seria muito simples atribuir a derrota apenas a isso. Os Reds têm um claro problema de armação de jogadas, e a indecisão de Brendan Rodgers sobre como montar o time no setor de meio-campo não ajuda em nada a resolvê-lo.

Nos últimos cinco jogos do Liverpool na Premier League, o treinador usou quatro disposições táticas diferentes – 4-2-3-1, 4-3-3, 4-4-2 e 3-5-2. A última, utilizada nas partidas contra West Bromwich e Arsenal, foi deixada de lado após a derrota para os Gunners, e até agora Rodgers tenta encontrar qual esquema fará seu time funcionar melhor. Nada tem dado muitas respostas, e a troca de jogadores tem sido recorrente.

No jogo deste final de semana no Estádio KC, por exemplo, desfalcado de Sturridge, o time entrou com Raheem Sterling e Victor Moses na armação, dois atletas que pouquíssimo haviam jogado recentemente. O primeiro, inclusive, havia feito sua última partida como titular apenas em 5 de outubro; Moses, em 19 de outubro. A escalação dos dois, e a presença de Philippe Coutinho no banco, por exemplo, ajudam a explicar o péssimo desempenho na criação de jogadas ofensivas, o que rendeu ao Liverpool apenas quatro finalizações a gol e duas pela linha de fundo.

Diante de tal cenário, Luis Suárez ficou bastante apagado. O uruguaio e Sturridge são quem vêm decidindo os jogos dos Reds na temporada, e com um contundido e o outro sem destaque, a equipe sofre. O sucesso da dupla passava necessariamente pelo trabalho conjunto que faziam, de, além de finalizar, criar chances um para o outro. Sem o inglês, Suárez foi municiado por atletas sem ritmo de jogo e por um meio de campo inefetivo. Para que a equipe se mantenha nas primeiras posições até a volta de Sturridge, que deverá acontecer apenas em janeiro, Brendan Rodgers precisará dar uma cara ao meio-campo.

Talvez a solução seja voltar para o 3-5-2. Embora não tenha funcionado contra o Arsenal, não dá para tirar os méritos dos Gunners naquela partida e largar mão do esquema que vinha sendo o mais usado até aquele jogo no Emirates. Os Reds têm um problema para solucionar a médio prazo, mas pelo menos já sabem onde está localizado. A resposta parece passar pela consistência na escalação. Menos testes e mais certezas, Rodgers.