É verdade que os iranianos nunca fizeram sucesso na Copa do Mundo. Nas três participações anteriores, a seleção persa foi eliminada na primeira fase, acumulando apenas uma vitória em nove partidas, no confronto histórico diante dos Estados Unidos, na França 1998 – Alemanha e Iugoslávia avançaram na ocasião. Naquela época, o Irã voltava a disputar um Mundial depois de exatos 20 anos – sua única participação anterior havia sido na Argentina 1978.

Logicamente, a maioria do elenco atuava na liga nacional, mas com duas estrelas. O folclórico atacante Ali Daei, hoje com 45 anos e técnico do Persepolis, um dos grandes times do país, é um mito no Irã. Não só pelos 109 gols em 149 partidas com a camisa da seleção (recordista nos dois quesitos), mas também por ter feito carreira sólida na Europa.

Ali Daei defendeu Arminia Bielefeld, Bayern Munique e Hertha Berlim nos cinco anos em que passou na Bundesliga, algo raro em se tratando de um jogador iraniano. Em 1998, ainda surgiu o meia Mehdi Mahdavikia, na época com 20 anos, que brilharia com a camisa do Hamburgo entre 1999/07, além de ter jogado por Bochum e Eintracht Frankfurt.

Melhor momento

Após falhar em assegurar vaga na Copa do Mundo 2002, o Irã voltou a conseguir disputar a competição, na Alemanha 2006. E o elenco era recheado de bons jogadores… O meia Ali Karimi tinha 27 anos e jogava no Bayern Munique, onde ficou dois anos. O jovem Mahdavikia agora estava muito mais experiente, na faixa dos 28 anos, no apogeu da forma física e técnica.

Andranik Teymourian era apenas um jovem de 23 anos, que jogava no modesto Aboomoslen. Logo depois da Copa do Mundo, em agosto de 2006, o meia foi contratado pelo Bolton e ainda defendeu o Fulham nos quatro anos em que passou na Inglaterra. Até mesmo Ali Daei, com incríveis 37 anos, ainda estava a serviço da seleção.

Mesmo com uma boa equipe, entretanto, o Irã ficou longe de passar de fase. No Grupo D, os asiáticos foram eliminados sem conseguir vencer nenhuma das três partidas, diante de México (3 a 1), Portugal (2 a 0) e Angola (1 a 1). Pelo que se viu até agora, a Copa do Mundo 2014 não parece dar muitas esperanças ao Irã…

Confusão extracampo

No fraco futebol a siático, o Irã teve dificuldades para alcançar a quarta Copa do Mundo da história. Na segunda fase, a equipe passou sem problemas por Catar, Bahrein e Indonésia, mas as dificuldades começaram na fase final. Além da Coreia do Sul, que não vivia bom momento, os persas encararam Uzbequistão, Líbano e Catar.

Mas a campanha foi cheia de altos e baixos e muito sufoco. Para se ter uma ideia, o Irã empatou com Catar (0 a 0, em casa) e perdeu para Líbano (1 a 0, fora) e Uzbequistão (1 a 0, em casa), mas assegurou vaga direta graças às duas vitórias diante da Coreia do Sul. Foram 16 pontos, dois à frente de sul-coreanos e uzbeques.

O elenco do bom técnico português Carlos Queiroz, que está sendo especulado na seleção da África do Sul após a Copa do Mundo – a federação tem interesse em mantê-lo até o próximo Mundial, mas terá de pagar US$ 4,5 milhões por ano à comissão técnica –, vem sofrendo muito com a situação do país. As sanções internacionais por causa do programa nuclear local impediram que a federação tivesse US$ 300 mil dólares vindos de patrocinadores no exterior.

A desorganização também foi latente: a seleção iria passar um período de treinamento em Portugal, mas cancelou a viagem por razões financeiras. O time também não pôde atuar em casa, pois outras seleções não queriam jogar em solo iraniano, por causa da tensão política. O jeito foi treinar duas semanas na Áustria, mas com material de treino de baixa qualidade, que motivou pedido inusitado do presidente da federação local: lavar os uniformes com água fria para não encolhê-los e não trocar de camisa durante a Copa do Mundo, tudo para economizar!

Geração sem brilho

Quanto ao elenco, Carlos Queiroz convidou jogadores nascidos na Alemanha, nos Estados Unidos e na Holanda para melhorar o nível, mas o que pesa é a falta de protagonistas. Já sem Ali Daei, Ali Karimi, os hoje veteranos Andranik Teymourian (31 anos) e Javad Nekounam (33), este o destaque do time, parecem não ter condições de assumir as rédeas em campo.

As esperanças iranianas passam por dois atacantes jovens. Aos 24 anos, Karim Ansarifard foi o artilheiro do Campeonato Iraniano pelo modesto Tractor Sazi, enquanto Reza Ghoochannejhad, de 26, sempre jogou na Europa e defende o Charlton, da segunda divisão inglesa. Parece bem pouco para superar bósnios e nigerianos.

Situação parecia com a Coreia do Sul

No Grupo H, os sul-coreanos também devem ficar na primeira fase, a não ser que ocorra uma surpresa daquelas. O jovem elenco da seleção asiática, com média de apenas 23 anos, não terá o apoio do meia Park Ji-Sung, que encerrou a carreira aos 33 anos, mas já estava fora da seleção desde 2011.

Entre os jovens e sem experiência, o atacante Song Heung-Min, do Bayer Leverkusen, foi quem mais atuou na temporada: foram 43 partidas, 31 na Bundesliga, apenas quatro na reserva, com 12 gols marcados. Park Joo-Ho, do Mainz 05, e Kim Bo-Kyung, do Cardiff City, tiveram participação discreta. Nem Park Chu-Young, que já esteve no Arsenal, mas hoje jaz no Watford, da segunda divisão, teve temporada boa: três jogos, sendo dois na liga, aos 28 anos.

Mesmo com uma equipe jovem, o que na teoria facilita a adaptação ao forte calor de Cuiabá, local da estreia diante da Rússia, em 17 de junho, a Coreia do Sul não surpreenderá se terminar o Grupo H na lanterna da chave, com três derrotas. Afinal, não é qualquer um que consegue perder de 1 a 0 para a Tunísia e de 4 a 0 para Gana, os dois últimos amistosos dos asiáticos.