Há três anos, David Beckham anunciou que comandaria o projeto de criar uma franquia da MLS para Miami. Depois de anos jogando na competição pelo Los Angeles Galaxy, transformando tudo no futebol norte-americano, inclusive as regras, chegava a hora do ex-jogador ser empreendedor. A novidade pareceu muito boa para a liga que estava abraçando de vez os craques europeus e se tornando visível no resto do mundo. Uma combinação que daria certo de um jeito ou de outro.

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Em abril de 2017, no entanto, não é bem assim que caminha o projeto. De 2014 para cá, Beckham disse que gostaria de construir um estádio em Miami ou no seu entorno. A região portuária foi alvo, assim como o centro da cidade e até mesmo perto do Marlins Park, onde o time de beisebol local atua. Nenhum dos projetos seguiu adiante por um simples problema: falta de investimentos. E olha que o ex-jogador conseguiu pagar “apenas” 25 milhões de dólares pela franquia, tudo por causa de uma cláusula em seu contrato, enquanto hoje é preciso pagar 150 milhões para ter este direito.

Para dar andamentos aos projetos de novos clubes na MLS, o comissário Don Garber pede que os novos clubes deem garantias financeiras de que vão conseguir se manter na liga por um bom período e que não são breves aventureiros como recentemente vimos com o Chivas USA. Esse é, até agora, o grande problema de Beckham. Milionários como os donos do PSG e do Milwaukee Bucks, da NBA, sondaram o projeto, mas nada foi fechado.

O problema é que uma franquia tendo David Beckham à frente de tudo deveria ser um ótimo chamariz e causar exposição o suficiente para que muitos investidores se colocassem no mercado da MLS. O LAFC, por exemplo, foi anunciado depois do Miami, conseguiu bons contatos e possui até mesmo o comediante Will Ferrell como um de seus proprietários. Atlanta United e Minnesota United também foram anunciados depois da expansão de Miami e já estão jogando na MLS.

Você pode argumentar que Los Angeles é um mercado mais viável do que Miami, mas a cidade da Flórida também possui atrativos para a liga, para investidores e, principalmente, para os fãs do futebol em todo o mundo. Um exemplo é o Orlando City, time da cidade do mesmo estado americano e que já se provou um sucesso de público e, nesta temporada, vem fazendo bonito em campo. O mercado é tão valioso que o Tampa Bay Rowdies, também da Flórida e atualmente na USL, já sinalizou que pretende entrar na MLS em breve.

Sem acordo com investidores, o projeto de Beckham está parado e irritando a Major League Soccer. Enquanto nada dá certo para o ex-jogador, cidades como Cincinnati, Sacramento, St. Louis, San Antonio e Phoenix ganham força mostrando planos de estádios, fontes de renda e até mesmo apoio público em alguns casos. Outros locais, como Charlotte, Nashville e San Diego correm por fora. Até 2020, a MLS deseja anunciar dois novos times para a competição.

O tempo continua correndo para o Miami e nada sai do lugar. É bom que Beckham abra os olhos, pois seu projeto está subindo no telhado.

Don Garber, comissionário da MLS, com o prefeito de Miami, Carlos Giménez, junto a David Beckham (Photo by Aaron Davidson/Getty Images)

Don Garber, comissionário da MLS,
com o prefeito de Miami, Carlos Giménez, junto a David Beckham (Photo by Aaron Davidson/Getty Images)