As grandes histórias das Eliminatórias da Copa nem sempre acabam em alegrias. Nem todas são contos de fadas como a Islândia e a sua classificação incrível. A Síria vinha de uma campanha improvável e sonhava com uma classificação que seria épica. Omar Al Soma flertou com o papel de herói, como tinha sido na fase anterior. Desta vez, lhe coube o papel de coadjuvante. Foi Tim Cahill, 37 anos, que assumiu como protagonista. Al Soma tinha aberto o placar, Tim Cahill empatou. Na prorrogação, 2 a 1, gol de Cahill. Duas cabeçadas. A Austrália avança à repescagem intercontinental. A Síria está eliminada.

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Os australianos eram favoritos jogando em casa, depois do empate por 1 a 1 na Malásia. Desta vez, com o mando de campo em Sydney, os Socceroos garantiriam a vaga com uma vitória simples. O jogo, porém, não teve nada de simples. A Síria parecia pronta a escrever um capítulo fantástico e inesperado com uma classificação na casa dos australianos. Abriu o placar e sofreu o empate logo depois. Foi preciso prorrogação.

Isso porque logo no começo, Al Soma tratou de chocar os australianos. Mark Milligan bobeou e perdeu a bola. Tamer Mohamd, esperto, tomou a bola e avançou em velocidade, lançando Omar Al Soma. O atacante, preciso, finalizou de pé esquerdo, no alto, e marcou 1 a 0 em Sydney. Eram apenas seis minutos de jogo e o drama estava desenhado.

Os australianos conseguiram reagir com rapidez. Matthew Leckie recebeu de Tommy Rogic na ponta direita e cruzou uma bola perfeita para o meio da área. Lá estava Tim Cahill para cabecear para o gol, sua especialidade: 1 a 1 no placar aos 13 minutos. Alívio para os torcedores dos Socceroos.

O empate deu alívio e também fez a Austrália respirar um pouco em um jogo muito difícil. A Síria, organizada, fazia um jogo difícil. O time sabia que não podia errar para não sucumbir. Só que o jogo não teve muitas chances de mudar o placar. Os 90 minutos não foram suficientes. Seria necessário mais 30 minutos na prorrogação.

No começo da prorrogação, um golpe duro nas pretensões da Síria. Mahmoud Al Mawas já tinha tomado cartão amarelo aos 34 minutos do segundo tempo. Aos quatro da prorrogação, tomou o segundo. Consequentemente, expulso. Com um a menos, a Síria tinha uma missão dura. Mas não arrefecia.

No segundo tempo da prorrogação, a Austrália, atacando mais, como era esperado, contou com a melhor característica do seu craque e capitão. Robbie Kruse recebeu na esquerda, levantou para o meio da área e Tim Cahill usou a sua especialidade: tocou de cabeça para marcar 2 a 1. O maior ídolo do futebol australiano, veterano que já atua no futebol local, no Melbourne City, depois de brilhar pelo Everton e pelo New York Red Bulls nos Estados Unidos.

No último minuto do tempo normal, Omar Al Soma teve uma chance em cobrança de falta. Era a chance de roubar, mais uma vez, o protagonismo da partida. Uma chance de ouro. Cobrou com força e precisão e a bola bateu no pé da trave. Os jogadores sírios colocaram as mãos na cabeça, em desespero. A essa altura, a Síria estava atacando com todas as forças e todos os jogadores. Não deu. O árbitro apitou o fim do jogo. O sonho da Síria acabou, ao menos para a Copa 2018. Mas não se preocupem. A Copa 2022 é logo ali (talvez no Catar. Talvez não).

“Foi difícil. Nós sabíamos que nós iríamos cansá-los e depois esperar por nossas chances. No fim, nós conseguimos nossos gols”, afirmou Cahill logo após o jogo. “Foi mais difícil mentalmente. Este é o momento que perguntamos aos nossos jogadores quem toma a frente e faz isso”, continuou.

“Para mim, eu estou apenas feliz que o técnico me deu a oportunidade e acreditou em mim para me deixar aqui”, afirmou o ídolo australiano. “É uma responsabilidade quando eu jogo. Esta é a minha paixão. Eu irei correr até o fim pelo técnico e estes jogadores”, declarou o veterano.

“Não importa contra quem iremos jogar. Nós temos que levar ao próximo nível como jogadores. Eu estou orgulhoso de tudo que fizemos juntos e como nós pudemos ajudar os garotos assistindo para seguir seus sonhos”, contou Cahill. “Nós temos que escrever o nosso próprio roteiro. Eu disse para Tommy Rogic, se você não aproveitar o seu momento, então eu vou aproveitar”. E aproveitou. Dois gols, sendo o segundo gol decisivo para a conquista e uma marca importante: o seu 50º pela seleção. O maior artilheiro dos Socceroos.

A Austrália avança à repescagem intercontinental, à espera do quarto colocado na Concacaf. Neste momento, o quarto colocado é o Panamá, com 10 pontos. Honduras também tem 10 pontos. Os Estados Unidos têm 12 pontos e só ficam em quarto se perderem de Trinidad e Tobago, Panamá ganhar da Costa Rica e Honduras ganhar do México. Improvável. Os australianos devem enfrentar Panamá ou Honduras mesmo, em dois jogos.

Assim como neste confronto com a Síria, a Austrália decidirá em casa. O jogo de ida será na casa do time da Concacaf no dia 6 de novembro. A volta no dia 14 de novembro, em Sydney. Com o futebol que a Austrália tem jogado, deve ser mais uma vez com emoção. Vale lembrar que os australianos se classificaram para a Copa de 2006, na Alemanha, na repescagem contra o Uruguai, nos pênaltis.