A goleada por 4 a 0 sobre o Montpellier encerrou uma temporada de recordes para o Paris Saint-Germain na Ligue 1. Se o gosto do fracasso tomou conta da alma dos parisienses após a eliminação para o Chelsea na Liga dos Campeões, o prêmio de consolação foi o amplo domínio caseiro. Pouco para quem investiu tão pesado na formação de um elenco estratosférico para os níveis nacionais, mas o suficiente para estabelecer algumas marcas consideráveis.

LEIA TAMBÉM: O PSG bicampeão francês conseguiu ser ainda mais arrasador que o da temporada passada

Desde o Lyon de 2008, nenhuma outra equipe havia conseguido conservar seu título na temporada seguinte. O PSG foi além: defendeu seu status de campeão com pontuação recorde desde a adoção dos três pontos por vitória. A equipe da capital somou 89 pontos (seis a mais do que na última temporada) e quebrou o recorde alcançado pelos lioneses em 2006, quando atingiram 84.

Outros números comprovam a grande superioridade parisiense sobre seus adversários em 2013/14. O PSG cravou o recorde de maior número de vitórias obtidas em uma temporada: 27, uma a mais do que Monaco (1961), Nantes (1966 e 1980) e Stade Reims (1960). O ataque parisiense marcou nada menos do que 84 gols, a melhor marca do Campeonato Francês desde os 94 tentos feitos pelo Olympique de Marselha em 1971. Os 61 gols de saldo são a melhor marca desde 1960, quando o Stade Reims alcançou 63.

A regularidade marcou a campanha do PSG nesta Ligue 1. O time somou 45 pontos no primeiro turno, apenas um a mais do que no returno – mesmo quando já estava com o título garantido com várias rodadas de antecedência. Os parisienses tiveram o melhor desempenho como mandantes (48 pontos conquistados em casa, contra 42 de Monaco e Lille) e também como visitantes (41 pontos longe de seus domínios, à frente do Monaco, com 38, e do Lyon, com 30).

Curiosamente, a única derrota sofrida pelos comandados de Laurent Blanc foi justamente para o Rennes, quando o PSG confirmou a conquista antecipada da taça. No Parc des Princes, o time da capital teve um desempenho demolidor: marcou 51 gols e sofreu apenas sete. Mesmo com tantos números positivos, o clube da capital terminou a Ligue 1 com uma vantagem de “apenas” nove pontos para o Monaco. Méritos para a equipe do principado, melhor segunda colocada da história do torneio.

De quebra, esta pontuação confere ao Monaco a marca de melhor desempenho de todos os tempos de um time que acabou de subir da segunda divisão. Vale lembrar que o próprio ASM já foi campeão francês uma temporada após ser promovido (em 1977/78), mas sua pontuação na época foi inferior (75 pontos, se considerarmos três pontos por vitória, e não dois como na referida época).

LEIA TAMBÉM: Punição da Uefa por violação do Fair Play Financeiro é dura, mas ainda precisa de ajustes

Com relação aos demais clubes, outras curiosidades: o Saint-Étienne, quarto colocado, obteve sua melhor colocação desde 1988. Além disso, os Verdes alcançaram 20 vitórias, ultrapassando a marca obtida em 1982. O Toulouse,por sua vez, viveu uma situação bastante peculiar. O TFC teve um desempenho melhor quando atuou fora de casa: foram 25 pontos somados longe dos seus domínios, contra 24 diante de seus torcedores.

Como em 2005/06, nenhum dos três times promovidos voltou para a Ligue 2. Enquanto Valenciennes e Ajaccio já haviam confirmado suas quedas há algumas rodadas, a última vaga foi definida somente na rodada derradeira e em um duelo direto entre ameaçados pela degola. Sobrou para o Sochaux, derrotado em casa pelo Évian por 3 a 0. Os Leões pagaram pelo péssimo primeiro turno, quando somaram míseros onze pontos. De nada adiantou fazer a sétima melhor campanha do returno (29 pontos); a equipe sempre figurou entre os três últimos colocados desde a terceira rodada.

O Valenciennes retorna para a segunda divisão com um fim de temporada ridículo: o time ficou sem vencer por dois meses, com um incrível cartel de um empate e oito derrotas neste período. O VA ainda ganha uma medalha por levar cinco gols de ex-jogadores, algo que ninguém conseguiu igualar nesta temporada. O Ajaccio só tem um motivo para comemorar. A equipe basca foi a lanterna da Ligue 1, mas seus 23 pontos a livraram de se tornar a pior campanha da história, pertencente ao Arles-Avignon e seus patéticos 20 pontos em 2010/11.

LEIA TAMBÉM: Saint-Denis até quis um clube, mas percebeu que não precisava para ter sucesso

De cabeça erguida

Claudio Ranieri comandou o Monaco em sua melhor campanha na história da Ligue 1. Na temporada de retorno do ASM à elite, o time somou 80 pontos (recorde da equipe) e se tornou o melhor segundo colocado de todos os tempos do campeonato, apenas nove pontos atrás do campeão Paris Saint-Germain. Recordes, uma campanha muito mais do que digna e a esperada classificação para a Liga dos Campeões selariam a permanência do treinador no principado, certo? Errado.

Vadim Vasilyev, vice-presidente do Monaco, anunciou a saída de Ranieri. O cartola o cobriu de elogios e destacou o bom trabalho desenvolvido pelo italiano, mas justificou a decisão do ASM: “Não é pelo lado esportivo, nem humano. Eu o respeito muito, assim como seu trabalho, mas acreditamos que é preciso uma nova dinâmica neste estágio do projeto. Não tínhamos a mesma visão sobre o desenvolvimento do clube”.

Há algumas semanas, já se falava a respeito da saída de Ranieri, mesmo com um ano de contrato para cumprir. Claro que os milhões investidos pelo russo Dmitry Rybolovlev seriam suficientes para montar um bom time independentemente do treinador, mas o italiano conseguiu algo mais. O ASM, mesmo com tantas contratações, ainda tinha lacunas em seu elenco. Ranieri tratou de reduzir estes vácuos e montou uma equipe sólida, que soube se virar muito bem apesar da longa ausência do artilheiro Radamel Falcao Garcia.

A única mancha, se é que podemos chamar assim, da trajetória de Ranieri à frente do Monaco foi a semifinal da Copa da França, quando foi eliminado pelo Guingamp. Uma derrota sentida, obviamente, mas que em nada ofusca o bom trabalho e a tranquila caminhada para obter a vaga na Champions, grande objetivo dos monegascos nesta temporada. Concorrer com o PSG na briga pelo título até o fim seria a cereja do bolo, mas já estava de bom tamanho.

Conhecido por suas características de ajeitar um elenco a partir do zero, Ranieri começou a perder espaço no Monaco quando seus comandos já não faziam o mesmo efeito sobre alguns dos principais jogadores da equipe. Esta falta de sintonia se acentuou na segunda metade da temporada e contribuiu de forma decisiva para a diretoria achar que o treinador já não exercia a mesma influência sobre o caro grupo de atletas. Era chegada a hora da renovação no comando.

Vasilyev deu a receita completa do perfil desejado pelo clube na busca por um novo treinador. “Procuramos por um técnico moderno, que tenha uma visão ofensiva e novos métodos de treinamento, que possa trazer ainda mais prazer e um bom espetáculo aos nossos torcedores. Queremos alguém com temperamento mediterrâneo, para favorecer sua adaptação à cultura monegasca e também ao futebol que desejamos oferecer”. Dadas as dicas, a principal aposta recai sobre Leonardo Jardim, que poderia assinar por duas temporadas após deixar o Sporting, de Portugal.

VOCÊ PODE GOSTAR TAMBÉM DE: 

>>>> PSG de cinto apertado na próxima temporada

>>>> O que você faria por uma camisa de Ibra? Esse garoto até tentou dar um carrinho no craque

>>>> “Ouse Zlatanear”: a campanha publicitária em que a modéstia de Ibra atinge seu ápice