É bom o Paris Saint-Germain se preparar para a tormenta que se avizinha ao Parc des Princes. O que parecia ser uma tempestade revelou ser um tsunami dos mais devastadores nas pretensões do clube para a próxima temporada. Tudo por conta das punições certas que o time da capital sofrerá por extrapolar os limites do fair play financeiro e gastar bem mais do que arrecada.

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De acordo com uma fonte próxima ao caso, o PSG receberá uma multa de nada menos do que € 60 milhões. Como se a quantia já não fosse alta o suficiente, o clube também deve sofrer outros tipos de sanções. Segundo o jornal L’Équipe, há uma forte tendência de o PSG ser obrigado a limitar sua folha salarial, ter suas transferências controladas e inscrever apenas 21 jogadores para a disputa da Liga dos Campeões, em vez dos habituais 25.

A Instância de Controle Financeiro dos Clubes (ICFC) não se convenceu dos argumentos propostos pelos representantes do PSG sobre o contrato entre o clube e o QTA, órgão responsável pela exploração do turismo no Qatar. Fica difícil achar que está tudo certo em um vínculo de € 200 milhões para explorar a publicidade estática para divulgar o turismo no país – metade do orçamento do clube.

Caso todas estas especulações se confirmem, o que se pode esperar do Paris Saint-Germain para a próxima temporada? Vamos analisar cada fator com calma. Uma coisa é certa: por mais pesada que seja a multa, os qatarianos não estão nem aí para o valor que o ICFC determinar. Dinheiro não tem sido problema para eles, e os tais € 60 milhões soam como dinheiro de pinga para quem gastou fortunas para contratar jogadores nas últimas temporadas.

O controle das transferências também parece pouco assustador para os dirigentes. O atual elenco do PSG tem suas deficiências, mas é perfeitamente capaz de manter um bom nível para ganhar o título da Ligue 1 nas costas e não fazer feio na Liga dos Campeões. Mesmo sem reforços de peso, bloqueados pela tal mão de ferro, o time no mínimo manteria sua qualidade. Falta aquele algo mais para ir além na LC, mas a conversa passa por uma mudança de treinador e no discurso ao elenco.

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Forçar o PSG a inscrever quatro jogadores a menos na Liga dos Campeões também parece uma medida inócua. É perfeitamente possível fazer uma filtragem no elenco e retirar dele nomes que não fazem grande diferença assim no fim das contas. Aqueles reservas dos reservas, que entram apenas no fim das partidas ou ficam no banco apenas como figurantes de luxo.

Se a multa pesada, o controle de transferências e a redução no número de inscritos na LC mal fazem cócegas no PSG, o outro ponto em questão representa um sinal vermelho. E, pior, potencializam os outros três – que aparentam ser inofensivos, mas podem se tornar monstrengos assustadores. Limitar a folha salarial, dependendo do valor estabelecido, significa medidas drásticas na formação do elenco e pode causar danos irreparáveis.

O PSG pode se ver forçado a negociar algumas de suas principais estrelas para não estourar o holerite controlado. Fica difícil imaginar uma negociação tranquila e bem-sucedida com um Zlatan Ibrahimovic para que ele aceite uma redução salarial e tenha seus rendimentos ainda mais cortados – vale lembrar a mordida de 75% do fisco para quem ganha salários acima de € 1 milhão.

Esta é a grande ameaça aos parisienses para a próxima temporada. Se o salário geral do elenco for puxado muito para baixo, inevitavelmente haverá uma debandada. E aí os outros fatores surgem para causar mais dores de cabeça, em um efeito de bola de neve: os astros saem, mas o clube tem que obedecer regras para contratar; ainda por cima, não pode inscrever tantos atletas como gostaria na LC, o que dificulta a possibilidade de compensar as baixas no grupo de jogadores.

Se o pior dos ambientes se confirmar, teremos um cenário interessante para haver um equilíbrio um pouco maior na disputa da Ligue 1. Seria trazer o PSG de volta ao chão, despojado de sua riqueza (mesmo de forma momentânea), para conviver com os moratis à sua volta. Sem dúvida, uma dura lição para quem quis pular degraus de forma meteórica para alcançar o Olimpo, e agora sente as dores pelos arranhões de queda tão do alto.

Rennes junta os cacos

O Rennes também vive um clima para lá de tenso. A derrota por 2 a 0 para o Guingamp na decisão da Copa da França despertou a fúria dos torcedores rubro-negros, logo em uma semana decisiva para o clube. Os bretões tentam encontrar forças para lutar contra o rebaixamento, uma hecatombe descomunal para uma diretoria cansada de dar explicações para tantos fracassos sucessivos.

Por pouco não houve algo pior em La Piverdière, centro de treinamentos do Rennes. Cerca de 40 torcedores foram para lá na segunda-feira, dois dias depois da decisão da Copa da França, apenas para insultar os jogadores. Foued Kadir e Jean-Armel Kana-Biyik bateram boca com os torcedores e foram contidos pelos demais atletas. O técnico Philippe Montanier achou melhor levar seus comandados para outro campo, mais distante dos torcedores, para ter alguma calma para trabalhar.

Dezenas de seguranças protegeram a entrada dos vestiários do CT. Uma cena vista outras vezes e que se tornou comum a cada fiasco do Rennes. Na temporada passada, a derrota para o Saint-Étienne na final da Copa da Liga Francesa também acendeu os ânimos de torcedores revoltados com mais um vexame. Há dois anos, a revolta ocorreu após a eliminação para a zebra Quevilly nas semifinais da Copa da França.

Desta vez, o clima está ainda mais pesado devido à péssima situação do Rennes na Ligue 1. O time está em 15º lugar com 40 pontos, apenas três a mais do que o Sochaux, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. Os próximos compromissos dos bretões são os piores possíveis dentro do cenário atual: PSG fora (quando os parisienses devem confirmar a conquista do título) e… o duelo direto contra o Sochaux em casa.

A paciência da torcida se esgotou. O Rennes não conquista um título há 43 anos (!) e perdeu três finais em cinco anos. O EAG confirmou ser mesmo o carrasco dos rivais – já os havia vencido na decisão da Copa da França em 2009 – e teve o completo domínio da partida. O Rennes apenas observava, imóvel, a forma como o Guingamp ocupava sua defesa sem esforço. A falta de brio do time enervou a torcida e inflamou aqueles que foram ao CT, indignados com tanta apatia.

Em meio ao tumulto, fica difícil para o elenco do Rennes juntar forças para sair de um momento tão difícil. E logo quando mais precisava do apoio de sua torcida para ganha um empurrão, as relações rompidas apenas deixam o time no meio da arena para ser devorado por leões famintos. Será preciso uma força sobrenatural para o time suportar tanta pressão e sair por cima diante de um ambiente pouco acolhedor.