A Uefa bem que tentou controlar os gastos do Paris Saint-Germain. O descumprimento do Fair Play Financeiro em 2013/14 gerou punições pesadas sobre os parisienses: multa de € 60 milhões de euros, redução do elenco na Liga dos Campeões, déficit inferior a € 30 milhões por temporada até 2016. Mesmo no mercado de transferências, as rédeas passariam a ser mais curtas: o PSG estaria impedido de desembolsar mais do que € 60 milhões em contratações. Em teoria, o clube está seguindo as ordens. Mas já deu seu jeitinho para fazer um “me engana que eu gosto” com os dirigentes europeus.

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Afinal, o PSG gastou os seus limites ao trazer David Luiz por € 53 milhões. Mas não parou de contratar. Nesta semana, os parisienses anunciaram a chegada de Serge Aurier, lateral que fez excelente Copa do Mundo pela Costa do Marfim. Seu preço: € 9,5 milhões. Mas e a barreira? Aí é que está o truque. Aurier chega por empréstimo de um ano do Toulouse, acertado em contrato que seu repasse definitivo a Paris é obrigatório após um ano. Com isso, o clube liberou Christophe Jallet para o Lyon.

O mesmo deve acontecer, aliás, com Ángel Di María. O craque do Real Madrid é o grande astro especulado no Parc des Princes para 2014/15. O negócio gira em torno de € 60 milhões. Porém, os xeiques que controlam o PSG estão tentando convencer os merengues a fecharem um contrato também por empréstimo, nos moldes de Aurier. Se cumprir as regras do Fair Play Financeiro nesta temporada, os parisienses se livrarão das punições na próxima e, aí sim, poderão tornar os negócios efetivos no papel.

É enganoso. Mas, na prática, não há nenhuma ilegalidade no que o PSG está fazendo. Laurent Blanc foi aos microfones afirmar que o clube não está descumprindo as regras do Fair Play Financeiro. E, mesmo que tenha encontrado a brecha, a diretoria terá que ser muito mais precisa em seus negócios. Não há muita margem para erro, já que gastanças maiores para corrigir contratações ruins significarão punições maiores.

A questão maior é como a Uefa irá reagir a esses atalhos. O Fair Play existe e está sendo posto em prática, mas parece apenas um detalhe para os magnatas que controlam alguns clubes europeus. O que o PSG está fazendo, por exemplo, é justamente ignorar aquilo que deveria controlá-lo.