PSG fica próximo da hora da verdade na Champions

O Paris Saint-Germain ainda espera por um adversário de peso nesta Liga dos Campeões. O Bayer Leverkusen não foi páreo para Zlatan Ibrahimovic e companhia, que passearam no BayArena. A goleada por 4 a 0 classifica o PSG para as quartas de final da LC (ou alguém acha que o time das aspirinas reverterá o resultado no Parc des Princes?) e prova que o time está em um nível superior àquele apresentado na temporada passada. Dá para sonhar em ir mais longe, mas o resultado não pode iludir e esconder alguns pontos para corrigir.

Vice-líder da Bundesliga, o Bayer Leverkusen passa por um período péssimo. Nas últimas sete rodadas do Alemão, a equipe sofreu cinco derrotas. Diante do PSG, sua defesa se mostrou muito frágil, personificada na apresentação abaixo da crítica de Emir Spahic, expulso no começo do segundo tempo. Claro que tudo isso ajudou os parisienses, mas está longe de ser o real motivo para a construção de uma goleada tão categórica.

Independentemente da fragilidade do rival, o Paris Saint-Germain fez uma apresentação consistente fora de casa. O time se impôs com autoridade, com grande maestria técnica. A eficiente pressão na saída de bola do Bayer Leverkusen funcionou desde os primeiros instantes da partida, com Balise Matuidi à vontade na marcação. E ele esteve na origem e na conclusão do gol que abriu o placar no BayArena logo aos três minutos.

Enquanto a defesa parisiense anulava Stefan Kiessling, Ibrahimovic comandava o ataque do PSG sem sustos. O pênalti convertido e o míssil de canhota fecharam um primeiro tempo perfeito dos visitantes. O camisa dez atuou um pouco mais recuado do que de costume, com intensa movimentação e presença marcante. Mesmo com a situação sob controle, Ibra soube sempre se apresentar como uma solução viável para qualquer jogada ofensiva.

E assim se desenrolou a segunda etapa: superior, o PSG controlou o ritmo e se sentiu ainda mais confortável com a expulsão de Spahic. O primeiro gol de Cabaye com a camisa parisiense fechou uma exibição de gala que não deixa dúvidas quanto à força deste time. Nas palavras do técnico Laurent Blanc, o PSG reencontrou o nível de jogo exibido na primeira parte da temporada, com a eficiência e a ofensividade que tanto almeja.

Claro que a goleada empolga até o torcedor mais resistente, mas ainda deixa uma dúvida. Até agora, o PSG só enfrentou rivais que não lhe trouxeram grandes dificuldades. O que vai acontecer quando os parisienses encararem um adversário de nível elevado? Estaria o time pronto para desafiar um Real Madrid, um Chelsea, um Bayern de Munique? Está chegando a hora da verdade para o PSG.

Por enquanto, tudo tem dado certo para os parisienses. Ibrahimovic vive uma temporada mágica, com 41 gols marcados em 41 partidas. No meio-campo, Matuidi, Thiago Motta e Marco Verratti esbanjam segurança e qualidade no apoio ao ataque, compensando as oscilações de Javier Pastore – e sem contar as entradas sempre pertinentes de Cabaye. Mesmo com as constantes mudanças, a defesa também se mostra sólida. Tudo muito bonito no discurso, mas que será finalmente colocado à prova nas quartas da Champions, que serão um divisor de águas para Blanc e seus comandados.

Pódio em disputa

No momento, a disputa mais emocionante da Ligue 1 está na definição do terceiro colocado – e, consequentemente, o dono da última vaga para a próxima Liga dos Campeões. A 25ª rodada reservou um duelo direto entre Saint-Étienne e Olympique de Marseille, mas o empate por 1 a 1 foi ruim para ambos. Embora o Lille também tenha empatado sua partida (2 a 2 com o Évian fora de casa), o grande ganhador do fim de semana foi o Lyon: bateu o Ajaccio por 3 a 1 e se aproximou novamente da briga.

Os marselheses até agora se lamentam por deixar a vitória escorrer dos seus dedos em pleno Geoffroy-Guichard. O golpe de misericórdia no OM foi dado, pura ironia, por Brandão, que deixou o Vélodrome pela porta dos fundos. A vingança do atacante brasileiro veio nos acréscimos, como que para apunhalar as esperanças do Olympique de ultrapassar o próprio Saint-Étienne  e ficar a apenas três pontos do Lille.

A partida não foi das mais empolgantes, muito por conta das táticas adotadas pelas equipes e também pelo péssimo estado do gramado. O OM entrou em campo com um 4-5-1, enquanto os donos da casa preferiram o 4-3-3. Ambos se anularam e o placar só foi aberto em uma jogada de bola parada. A defesa do ASSE, que observou N’Koulou mandar a bola para as redes, estava a fim de entregar o ouro e permitiu a Gignac a chance de matar a partida. Ele, porém, desperdiçou.

A chance jogada no lixo custou caro demais ao OM. Os Verdes se lançaram ao ataque e Brandão, até então isolado demais lá na frente, teve alguma companhia para concluir as jogadas. E foi em uma cabeçada precisa nos acréscimos que o brasileiro salvou o Saint-Étienne. Um pontinho suado que caiu do céu para os Verdes, cujo treinador Christophe Galtier precisa rever seus conceitos e não ser tão retranqueiro assim.

Se o OM perdeu o bonde, o Lyon não o deixou ir embora. Pegar o lanterna Ajaccio em casa era para lavar a alma, ainda mais após a surpreendente eliminação para o Lens nas oitavas de final a Copa da França. A vitória por 3 a 1 sobre os corsos devolveu as esperanças à torcida, principalmente pela combinação de resultados que permitiu ao OL ficar a cinco pontos de distância do Lille.

O Ajaccio até deu algum trabalho ao se lançar nos contra-ataques, mas tudo não passou daquele blefe de começo de partida. Quando as coisas assentaram, o OL fez valer sua superioridade técnica e marcou com Gomis no finzinho do primeiro tempo. O ACA mudou sua postura na segunda etapa: o atrevimento inicial deu lugar à precaução. Com os corsos recuados, os lioneses ampliaram e, mesmo quando os visitantes reduziram a sete minutos do fim, souberam manter a calma para fazer o terceiro e definir a vitória.

A sorte do OL nesta edição da Ligue 1 será jogada no domingo, quando visita o Lille. Os lioneses terão o apoio de OM e ASSE, diretamente interessados em uma derrota do LOSC para que toda esta disputa fique completamente embolada. Para o Lille, que escapou da derrota para o Évian nos acréscimos, será o jogo para mostrar se o time realmente está centrado na vaga para a LC. A se julgar pelo rendimento da equipe desde janeiro, quando sua agressividade foi reduzida a níveis preocupantes, os Dogues devem se cuidar para evitar o pior.