O Paris Saint-Germain teve a chance de matar o campeonato e dar um passo largo rumo ao título da Ligue 1, mas desperdiçou a oportunidade no duelo direto contra o vice-líder Monaco. O empate por 1 a 1 no principado atrapalha os planos dos parisienses de se poupar um pouco na reta final da Ligue 1 e se concentrar com mais afinco na disputa da Liga dos Campeões, mas o time ainda precisa buscar fôlego para se dividir nas duas competições e vencer  o cansaço em nome de um bom desempenho em ambas.

Quando Javier Pastore abriu o placar no Louis II logo no começo da partida, o PSG estava nos céus. Se o resultado se confirmasse, abriria uma distância de oito pontos sobre o próprio Monaco a 14 rodadas do fim do torneio. Uma distância respeitável e que possibilitaria à equipe comandada por Laurent Blanc controlá-la com toda a calma. Mais importante, permitiria ao treinador dar um refresco para seus principais jogadores em um período crucial da temporada, livrando-os de alguns jogos de menor importância e preparando-os para os duelos que realmente valem a pena.

Agora, com os mesmos cinco pontos à frente do ASM, o Paris Saint-Germain até pode se dar ao luxo de tirar um pouco o pé na Ligue 1, mas os riscos aumentam. Em fevereiro/março, o time encara o desafio do Bayer Leverkusen pelas oitavas da Liga dos Campeões e, de quebra, tem o clássico contra o Olympique de Marselha, no qual a vitória se torna obrigatória para manter o clima tranqüilo no Parc des Princes em caso de fiasco na LC.

Se passar pelo time alemão, o PSG também terá um abril decisivo com a disputa das quartas de final da Champions. Além disso, terá pela frente dois duelos complicados contra o Lyon, um pela Ligue 1 e outro pela Copa da Liga. Com tantas partidas decisivas em um curto espaço de tempo, os parisienses devem sentir a maratona física e psicológica pesar sobre seus ombros com maior grau.

Vale lembrar que, pelo menos nesta primeira parte da sequência de jogos difíceis, o time da capital não contará com Edinson Cavani, lesionado. Esta sobrecarga em um intervalo de tempo pequeno pode causar outras baixas no time. No momento, o PSG não pode se orgulhar ainda de ter um elenco capaz de suprir ausências importantes. Mesmo com os investimentos pesados dos catarianos nas últimas temporadas, os atuais campeões franceses ficam atrás de outros gigantes europeus quando dependem de seu banco de reservas.

Sem Cavani, o PSG tem encontrado dificuldades para manter o excelente nível de seu ataque. Ménez e Lavezzi, em suas condições atuais, estão em um nível abaixo do uruguaio e parecem sentir o peso de atuar ao lado de Ibrahimovic. Na defesa, Marquinhos tem um potencial inegável, mas acumula falhas ao longo desta temporada e gols bobos que saíram em cima dele. O brasileiro paga o preço da inexperiência, mas ao mesmo tempo já mostrou que pode jogar em alto nível. Oscilações naturais de quem ainda pode crescer muito, mas pode sentir o baque em momentos decisivos.

Nas laterais, Van der Wiel e Maxwell estão de olhos bem abertos para evitar lesões e suspensões. Com Jallet lesionado, Blanc seria obrigado a improvisar – leia-se correr riscos. No gol, Douchez chama a atenção pela simpatia, mas suas saídas da meta na Copa da França fazem a torcida ter calafrios e rezar para que Sirigu continue com a saúde em dia e não tome cartões bobos. Os reservas quebrariam o galho em jogos da Ligue 1, mas a conversa seria bem diferente em duelos agudos da Liga dos Campeões.

Lille ressurge

Enfim o Lille deu as caras em 2014. Após um início de ano bastante complicado, o LOSC mostrou sinais de reação na briga pelo terceiro lugar da Ligue 1 ao derrotar o Sochaux por 2 a 0. Foi a primeira vitória da equipe desde a retomada da competição, e ela veio em um momento crucial. Olympique de Marselha e Lyon, dois de seus principais perseguidores, também venceram; já o Saint-Étienne, seu concorrente mais próximo, empatou e lhe deu um respiro.

Os Dogues tinham a oportunidade perfeita para dar a volta por cima. Afinal, pegaram em casa um Sochaux afundado até o pescoço na zona de rebaixamento e com tubarões à espreita para devorá-lo em pouco tempo. O gol de Origi logo aos quatro minutos do primeiro tempo tranquilizou os donos da casa, soberanos no confronto. Os Leões, desorganizados e incapazes de trocar passes além da intermediária do LOSC, sofreram com a bem postada defesa rival e com os contra-ataques. Mendes fechou o caixão dos visitantes, cada vez mais próximos da Ligue 2.

O Olympique de Marselha joga sua vida na Ligue 1 depois das eliminações nas copas nacionais. A oportunidade ideal apareceu neste momento, quando o time encerrou a série de três partidas no Vélodrome com um balanço de sete pontos conquistados. Na última delas, a categórica vitória por 3 a 0 sobre o Bastia enche o OM de ânimo para um duelo dos mais importantes para os planos da equipe. Na rodada seguinte, o confronto direto contra o Saint-Étienne no caldeirão de Geoffroy-Guichard definirá qual o objetivo dos marselheses até o fim da temporada.

A maior “goleada” obtida pelo OM nesta Ligue 1, aliada aos tropeços de Lille e Saint-Étienne nas rodadas anteriores, permitiu ao clube sonhar com uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Após momentos de dúvidas e tropeços, em um ambiente que respirava crise por todos os lados, os marselheses renovam as esperanças e ficam na posição de predador. Afinal, se bater o ASSE fora de casa, o Olympique de Marselha ficará a apenas dois pontos dos Verdes, deixando a disputa pelo terceiro lugar completamente aberta.

Esta situação animadora era algo inimaginável em dezembro, após a derrota por 1 a 0 para o Nantes em pleno Vélodrome. O resultado provocou a queda do técnico Élie Baup e colocava dúvidas quanto ao desempenho do time no restante do campeonato. Para quem duvidava da capacidade do OM, a equipe conquistou dez dos quinze pontos disputados depois da pausa do fim do ano. Muito desse crescimento tem a ver com a recuperação de jogadores essenciais para o time.

André-Pierre Gignac voltou a marcar gols e exerce cada vez mais seu papel de líder dentro do elenco. Valbuena voltou aos titulares após se recuperar de uma lesão e deixou o setor ofensivo mais leve, dando fluidez à saída de bola com seus toques rápidos e inteligentes. Além disso, Payet voltou a exibir um bom futebol, depois de um período nebuloso. O retorno de suas boas atuações passa por uma mudança em seu posicionamento em campo: agora, ele joga um pouco mais recuado no meio-campo.

O Lyon demonstrou sua força ao sair vencedor de um duelo dos mais complicados diante do Nantes na casa do adversário. Os 2 a 1 sobre os Canários reforçaram a excelente fase vivida por Lacazette, autor de um dos gols (seu 13º nesta Ligue 1) e que sofreu o pênalti convertido por Gomis. No embalo de seu principal atacante, o OL galga degraus rumo ao topo com firmeza.