E o Special One está no caminho do Paris Saint-Germain nas quartas de final da Liga dos Campeões. O sorteio reservou o Chelsea como adversário parisiense nesta fase, que servirá como prova decisiva para seu status de emergente no cenário continental. Claro que os Blues representam um desafio dos mais complicados, mas o PSG ao menos comemora evitar um encontro contra um adversário ainda pior, como um Real Madrid ou Bayern de Munique.

O Chelsea lidera a Premier League e possui um time ainda em transição, com muitos jogadores com potencial a ser explorado – casos de Hazard, Oscar, Willian, Azpilicueta e Schürrle. Um ponto fraco desta equipe pode ser exatamente este, pois alguns de seus principais destaques não têm ainda uma grande experiência em uma disputa de alto nível. Isto, porém, é compensado nas figuras de Terry, Lampard, Eto’o e, claro, Mourinho.

O treinador nunca foi eliminado da LC nas quartas de final. Ostenta os títulos de 2003/04 (Porto) e 2009/10 (Internazionale). Montou um time difícil de ser batido e que sabe se adaptar muito bem a qualquer ocasião, seja quando enfrenta um adversário que detém a posse de bola ou atua nos contra-ataques e deixa espaços. Além disso, os Blues farão o segundo jogo no Stamford Bridge, o que configura uma pequena vantagem aos londrinos.

Os dois times já se encontraram na Champions, mas com o PSG em um momento completamente diferente do atual. Em 2004/05, na estréia de Mourinho no banco dos Blues em uma competição continental, a equipe londrina impôs uma tranquila vitória por 3 a 0 no Parc des Princes na fase de grupos. Na capital inglesa, um empate não atrapalhou a classificação dos donos da casa como primeiros colocados da chave; já o PSG ficou na lanterna e nem se consolou com a disputa da Liga Europa.

Hoje, porém, o PSG deseja dar o troco no Chelsea e provar que realmente tem cacife para fazer parte da elite europeia. Se na última temporada esta oportunidade escapou por muito pouco, ela parece bem realista para esta edição da LC. Em 2012/13, os parisienses já mostraram um excelente trabalho nos dois empates diante do Barcelona – que só se classificou por ter feito mais gols como visitante.

De quebra, esta prova de fogo para a entrada do PSG na elite continental viria apenas corroborar o poderio econômico do clube. Do ponto de vista financeiro, os parisienses já fazem parte da nobreza europeia. De acordo com a classificação anual feita pela Deloitte, o Paris Saint-Germain aparece como o quinto clube mais rico da Europa na temporada 2012/13, com receitas na ordem de € 398,8 milhões. Curiosamente, o clube francês está à frente do Chelsea (7º, 303,3 milhões), e um dos novos símbolos de força financeira. O que está em jogo, portanto, é muito mais do que a classificação para as semifinais da LC.

Rivais em realidades distantes

Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille seguem destinos bem diferentes nesta temporada. Os dois maiores rivais da Ligue 1 vivem um 2013/14 de sonho e pesadelo. Enquanto o time da capital nada de braçada rumo ao título nacional e se classificou para as quartas de final da Liga dos Campeões, seu oponente não consegue se encontrar. Após mais uma derrota em casa, os marselheses veem aumentar a possibilidade de ficar fora de uma competição europeia em 2014/15, o que por si só configura um desastre dos mais avassaladores no Vélodrome.

Fora de casa, o PSG esteve longe de cumprir seu melhor jogo nesta Ligue 1. Fora de casa, encarou um aguerrido Lorient e logo perdeu seu capitão Thiago Silva, que deixou o campo com uma fratura no rosto. Mesmo sem um de seus principais líderes, os parisienses mantiveram o foco e, sem grandes problemas, fizeram o mínimo para sair com mais três pontos no bolso.

A vitória por 1 a 0 sobre os Merlus entrou para a  história do clube da capital: pela primeira vez, o PSG obteve oito triunfos consecutivos (levando-se em consideração todas as competições disputadas pela equipe), a sexta na Ligue 1. Já cansamos de exaltar a importância de Zlatan Ibrahimovic e neste jogo não foi diferente, mas o líder do campeonato se apoiou em outro sólido pilar para se manter em águas calmas.

A defesa parisiense se mostra cada vez mais inviolável. Foram apenas 18 gols sofridos em 30 partidas no Francês, o que dá quase um gol sofrido a cada dois jogos. A explicação para um desempenho tão eficiente está tanto em Sirigu, seguro no gol e com uma frieza impressionante em lances capitais, como no bom entendimento do miolo da zaga, mesmo quando há intensa mudança de formação. O princípio de bom posicionamento e presteza nos desarmes continua em nível elevado, tanto faz se jogam Thiago Silva, ou Alex, ou Marquinhos… – isso sem contar o excelente trabalho de proteção exercido por Verratti e Thiago Motta.

Além de todas as qualidades ditas e repetidas aqui ao longo das últimas semanas, o PSG ainda conta com a ajuda dos adversários para estar com a mão na taça da Ligue 1. O Monaco, único que poderia representar alguma ameaça às pretensões parisienses, ficou no 1 a 1 com o Lille no Louis II e agora está a longínquos dez pontos de distância do líder a oito rodadas do término da competição. A única graça nos jogos finais será apostar com quantos jogos de antecedência o PSG será confirmado como campeão.

O Olympique de Marseille, por sua vez, passou mais um vexame diante de sua torcida, cada vez mais frustrada com os rumos da equipe nesta temporada. Bater o Rennes era essencial para o time se manter na briga para a disputa de alguma competição europeia. A ocasião era excelente, pois o rival está desesperado para escapar da ameaça do rebaixamento. Para desespero dos marselheses, vitória dos bretões por 1 a 0 – e a esperança de dias melhores escorreu pelos dedos.

Nesta temporada, o Olympique de Marseille sofreu nada menos do que dez derrotas em casa (contando todos os torneios disputados pelo time), a sexta na Ligue 1. Cansada, a torcida protestou e mostrou que sua paciência acabou. O OM está a dez pontos do Lille, terceiro colocado e dono da última vaga para a Liga dos Campeões. Sonhar com a Liga Europa também está difícil: são sete pontos de distância para o Saint-Étienne, que hoje estaria classificado para a competição.

Enquanto o time patina, José Anigo contribuiu para azedar o clima ao criticar seus jogadores após a derrota para o Rennes. O treinador não engoliu a falta de aplicação de seus comandados e, realista, jogou a toalha quanto às chances de lutar pelo pódio. Ele ainda reconheceu que algumas peças do elenco não se encaixaram, e que isto vem desde os tempos de Élie Baup. Ou seja, um reconhecimento de que a temporada foi para o lixo e que o jeito é trabalhar para um 2014/15 muito diferente.