O PSG ganhou moral para o jogo de volta das quartas da Liga dos Campeões (Foto: AP)

PSG pode ter perdido Ibrahimovic, mas ganhou moral e mais segurança para o jogo de volta

Por volta dos 20 minutos do segundo tempo, Zlatan Ibrahimovic e a torcida do Paris Saint-Germain gritaram de dor. O sueco sentiu a coxa direita e expressou a dor física. Os torcedores, a dor da alma. As quartas de final da Liga dos Campeões contra o Chelsea estavam muito equilibradas. O time francês vencia por 2 a 1, resultado absolutamente reversível para os ingleses, em Londres, ainda mais se o sueco não puder atuar – é dúvida. A angústia só foi amenizada nos últimos segundos da partida por causa da genialidade de Javier Pastore.

A vitória do PSG por 3 a 1 não define o duelo, mas o pêndulo do favoritismo atravessou o Canal da Mancha. Foi uma demonstração de força de uma equipe que domina a liga nacional e ainda não havia sido propriamente desafiada. Não teve adversários na fase de grupos e pegou um combalido Bayer Leverkusen nas oitavas de final. Nesta quarta-feira, na pior das hipóteses, enfrentou um experiente e bem armado Chelsea de igual para igual.

Taticamente, os dois treinadores abdicaram de povoar a grande área. José Mourinho entrou em campo sem centroavante, com Andre Schürrle no lugar de Fernando Torres. Laurent Blanc levou dois camisas 9 a campo, mas nenhum jogou em cima dos zagueiros. Ibrahimovic voltava para armar o jogo e Cavani estava aberto na ponta direita, muito mais preocupado em marcar Azpilicueta do que em colocar a bola na rede.

O resultado: pouquíssimas finalizações. Exceto pelos gols, cada time acertou o alvo apenas uma vez em uma hora e meia de futebol. O Chelsea superou a linha defensiva do PSG, forte com Alex e Thiago Silva no miolo, apenas aos 18 minutos, com um chute ruim do volante David Luiz. Empatou de pênalti, aos 27, com Hazard. O belga ainda acertou a trave no fim do primeiro tempo. E no segundo, quando Fernando Torres entrou para “dar mais profundidade”, nas palavras de Mourinho, os londrinos pararam de atacar. Tudo o que o que espanhol conseguiu aprofundar foi a ineficiência do ataque da sua equipe.

A lógica seria uma partida truncada e equilibrada como essa terminar com dois zeros bem grandes no placar, mas os franceses souberam aproveitar uma falha do principal zagueiro adversário, um pouco de sorte e uma jogada estupenda de Pastore. A bola foi cruzada na área, e John Terry, já considerado um dos melhores zagueiros do mundo pelo alto, afastou de cabeça, justamente para onde havia dois jogadores do PSG. Lavezzi matou no peito, colocou no ângulo de Petr Cech e abriu o placar.

O Chelsea, por sua vez, contou com a paradoxal ingenuidade de um dos jogadores mais experientes do adversário para empatar. Carrinho dentro da área só não é tão perigoso quanto uma roleta russa porque as chances de dar errado são ainda maiores. Thiago Silva foi, no mínimo, muito imprudente no lance em que derrubou Oscar dentro da área. Hazard cobrou bem o pênalti e fez 1 a 1.

O segundo do PSG foi resultado da falta que o goleiro mais odeia. Blaise Matuidi caiu na ponta esquerda, e permitiu que Ezequiel Lavezzi cobrasse a infração com um ângulo venenoso. Aquela bola que vai fechando em direção à meta, e qualquer desvio deixa o camisa 1 sem ação. O problema é que ninguém desviou, e David Luiz foi pego de surpresa quando a bola bateu nele, em cima da linha, e entrou.

No último ato da partida, Javier Pastore estava cercado por três na ponta direita. Deixou Cesar Azpilicueta sentado no chão, passou por Frank Lampard como se o maior artilheiro da história do Chelsea não existisse – e nesta quarta-feira, realmente não existiu – e chutou no canto onde estava Cech, que tentou defender com as mãos, mas talvez a melhor forma de desviar aquela bola fosse com os pés. Talvez nem precisasse se preocupar com isso se Terry tivesse bloqueado a finalização ao invés de dar as costas à bola. Com vocês, José Mourinho, à Sky Sports: “O terceiro gol foi ridículo. Você (repórter) e Gary (Cahill) dizem que foi um descuido e eu digo que foi ridículo”.

Ridículo ou fruto de um descuido, o gol foi essencial nas pretensões do Paris Saint-Germain. Levar apenas 2 a 1 para Stamford Bridge, potencialmente sem o seu melhor jogador – que, para sermos justos, não fez nada até ser substituído – e com uma equipe pouco experiente em duelos difíceis fora de casa, seria muito perigoso. Agora, o Chelsea vai precisar de toda a experiência dos seus jogadores e da inteligência de Mourinho para chegar às semifinais. Laurent Blanc, Ibrahimovic e os torcedores que gritaram de dor por volta dos 20 minutos do segundo tempo podem dormir mais tranquilos.

Formações iniciais

campinho PSG x Chelsea 02

Destaque do jogo

O sistema ofensivo do Chelsea teve apenas um nome no primeiro tempo, o único no qual o time atacou um pouquinho. Eden Hazard é diabólico, chato no bom sentido. Movimenta-se sem parar e vai para cima toda a vez que pega a bola. Responsável pelo time inglês ainda estar na briga.

Momento-chave

O terceiro gol, de Javier Pastore, pode ter sido o mais importante do duelo. O Chelsea encararia o Paris Saint-Germain de outra forma em Stamford Bridge depois de uma derrota por apenas 2 a 1. Agora, precisa marcar pelo menos duas vezes. Missão muito mais difícil, ainda mais para um time com problemas no ataque.

Os gols

3′/1T: GOL DO PARIS SAINT-GERMAIN! John Terry tentou desviar um cruzamento e jogou a bola no peito de Lavezzi, que dominou e acertou o ângulo de Petr Cech.

27′/1T: GOL DO CHELSEA! Thiago Silva derrubou Oscar dentro da área, e o árbitro marcou pênalti. Hazard cobrou com tranquilidade e empatou.

16′/2T: GOL DO PARIS SAINT-GERMAIN! Lavezzi cobrou falta da ponta esquerda. A bola bateu por todo mundo e surpreendeu David Luiz, que tocou para as próprias redes e fez contra.

45′/2T: GOL DO PARIS SAINT-GERMAIN! Golaço de Pastore. Drible em Azpilicueta, outra em Lampard e uma finalização com perna esquerda, que Terry sequer viu e Cech não conseguiu evitar.

Curiosidade

Na temporada 2011/12, o Chelsea perdeu do Napoli por 3 a 1, no jogo de ida das oitavas de final, e reverteu com um 4 a 1, em casa. Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani faziam parte do time italiano e agora atuam pelo Paris Saint-Germain.

Ficha Técnica

Paris Saint-Germain 3 x 1 Chelsea

paris saint-germain escudo 2013 Paris Saint-Germain
Salvatore Sirigu; Christophe Jallet, Alex, Thiago Silva e Maxwell; Thiago Motta, Blaise Matuidi e Marco Verratti (Yohan Cabaye, 30′/2T); Edinson Cavani, Zlatan Ibrahimovic (Lucas, 23′/2T) e Ezequiel Lavezzi (Javier Pastore, 40′/2T). Técnico: Laurent Blanc

Chelsea_escudo Chelsea
Petr Cech; Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Cesar Azpilicueta; David Luiz, Ramires, Willian, Oscar (Frank Lampard, 27′/2T) e Hazard; Andre Schürrle (Fernando Torres, 14′/2T). Técnico: José Mourinho

Local: Estádio Parc des Princes, em Paris (FRA)
Árbitro: Milorad Mazic (SER)
Gols: Lavezzi, aos 3′/1T, Hazard, aos 27′/2T, David Luiz (contra), aos 16/’2T e Javier Pastore, aos 45′/2T
Cartões amarelos: Alex, Thiago Motta e Cavani (PSG); Ramires, Willian e David Luiz (Chelsea)
Cartões vermelhos: Nenhum