Por muito tempo, enquanto Ajax e Feyenoord disputavam as primeiras posições do Campeonato Holandês desta temporada, o PSV era o patinho feio do Trio de Ferro. No final do turno, estava em péssima fase: tinha problemas com a torcida, o meio-campo estava desconjuntado, a defesa estava nervosa – e isso piorava a sua qualidade técnica já mediana, diga-se de passagem -, e Phillip Cocu parecia fraco demais para impor o comando sobre o elenco. Enfim, tudo isso resultava em uma campanha abaladíssima, que já sofria sete derrotas consecutivas, patinando no 10º lugar.

Pois bem. O campeonato seguiu, os adversários bobearam, o PSV ajeitou algumas coisas e agora colhe os frutos. A vitória na 27ª rodada já é a sétima consecutiva do time. O adversário vencido? Ninguém menos do que o Vitesse, então vice-líder, e fora de casa. Antes, os Boeren já haviam superado o Twente, outro dos ponteiros, fazendo 3 a 2 no que talvez foi o jogo mais emocionante do Campeonato Holandês até agora. Resultado: se o quinto lugar atual parece ainda distante do que o clube de Eindhoven se acostumou a conquistar na Eredivisie, é bom olhar para a pontuação.

E o PSV tem 50 pontos. Um a menos do que o Feyenoord, que ainda enfrentará na 32ª rodada. E dois a menos do que Vitesse (3º colocado) e Twente, o ocupante do segundo lugar. Tendo vencido estes dois, e com uma tabela bastante acessível – tirando o Stadionclub, não há rivais que estejam em melhor posição na tabela, daqui até a 34ª e última rodada -, é bem plausível supor que os Eindhovenaren podem sonhar ainda em chegar a um vice-campeonato que seria altamente honroso, já que o Ajax está sete pontos à frente, mesmo com as atuações preguiçosas das últimas rodadas.

Mas por que o PSV melhorou, afinal de contas? Primeiramente, porque o time melhorou, afinal. Após o tempo de incertezas, a defesa entrou nos eixos. Já há algum tempo que Santiago Arias e Jetro Willems firmaram-se nas respectivas laterais, com Bruma e Rekik criando, enfim, algum entrosamento no miolo de zaga. De quebra, Jeroen Zoet se credenciou como um dos melhores goleiros da temporada. Sua atuação na vitória de 1 a 0 sobre o AZ, fora de casa, foi daquelas impressionantes. Convocado para o amistoso da seleção contra a França, Zoet tem todas as condições para ser um dos três arqueiros que Louis van Gaal relacionará para a Copa do Mundo.

Só que havia o problema do meio-campo: errando passes demais, nem Schaars conseguia dar segurança aos de trás, nem Adam Maher tornava-se o armador que foi contratado para ser. Com relação ao volante, as coisas melhoraram um pouco: auxiliado pelo sueco Oscar Hiljemark, criou entrosamento com ele, melhorando a marcação. Suas atuações cresceram suficientemente de produção para que ele voltasse a ser chamado para a seleção holandesa. E com a lesão no joelho que tirou Strootman da Copa, são grandes as chances de Schaars ir a seu segundo Mundial.

Já na armação, algumas coisas tiveram de ser mudadas. Maher continuou decepcionando, e foi para o banco de reservas. Quem ocupou seu lugar? O velho-de-guerra Park Ji-Sung. E com a voluntariedade já conhecida desde sua primeira passagem por Eindhoven (e que o levou a ter passagem longa e gloriosa no Manchester United), o sul-coreano trouxe a rapidez necessária às jogadas ofensivas. Não é nada, não é nada, é algo que o PSV pedia há algum tempo. Suas atuações fizeram com que se tornasse desnecessário escalar Bryan Ruiz, vindo por empréstimo na pausa de inverno, na armação – hipótese até cogitada, mas sobre a qual havia receio. E tornaram a saída de Ola Toivonen até celebrada, por não ser mais obrigatório pagar o salário alto de quem mal jogava.

Todavia, nem isso tem sido muito necessário. Ruiz continua na reserva. A razão? Os atacantes do PSV finalmente começam a corresponder às expectativas. Esta “explosão” tem um personagem principal: Memphis Depay. O dono da camisa 22 pode ser considerado o primeiro grande fruto da decisão do clube em dar mais valor à prata da casa. Não impressionou tanto na finalização (fez 10 gols até agora), mas por outro lado isso faz dele o goleador do time no campeonato. Além disso, aos poucos Depay exibe até mobilidade pela ponta esquerda. É bem provável que isso lhe valha uma convocação à Copa do Mundo. Pelo menos, dos novatos, Memphis é um dos mais voluntariosos nos amistosos da Oranje.

E ainda houve outro atacante a ter feito 10 gols pelo PSV. Seu nome é Jürgen Locadia, mais um proveniente de De Herdgang. Se Depay traz rapidez pela esquerda, ele é um projeto de homem-gol, demonstrando porte físico suficiente para ser respeitado dentro da área. Não à toa, tomou a posição de Tim Matavz, envolvido em problemática transferência para o Rubin Kazan, cancelada posteriormente. De quebra, aos poucos Luciano Narsingh volta a expor a habilidade que o levou à Euro 2012 – e que poderia ter feito dele um nome constante na seleção, não fosse grave lesão no joelho. Isso sem contar o banco de reservas, no qual Phillip Cocu anda sendo supervisionado por Guus Hiddink.

Com essas pequenas reações, o PSV viu a possibilidade de alcançar os adversários. Ela está posta. E talvez seja alguma fonte de emoções, nesta monótona Eredivisie.