Por Thiago Wagner da Silva, especial para a Trivela

O público de pouco mais de 61 mil torcedores na Arena Castelão, em Fortaleza, para o segundo da final da Copa do Nordeste, entre Ceará e Sport, nessa quarta-feira, merece destaque, sem dúvidas. Foi o maior público do Brasil registrado até o momento nesta temporada: 61.280 presentes, precisamente. Cearenses e pernambucanos deram mostra de força de suas respectivas torcidas. Por conta disso, estão de parabéns, principalmente se analisarmos os motivos para ficarmos impressionados com um público como esse nos estádios nacionais. Apesar de todos os problemas no futebol brasileiro, ainda há espaço para uma paixão, que supera tudo.

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Pois veja bem, vamos esquecer por um breve momento que o jogo dessa quarta valia título ou que envolvia duas equipes de rivalidade regional. O que motiva o torcedor a deixar a sua casa para uma partida às 22h, sem condições ideais de segurança e transporte? Se pensou somente na paixão pelas cores do seu time de coração como motivo você começou a captar a nossa ideia. O que mais o motiva a ir para o estádio que não seja o amor pelo clube? Conforto e segurança? Acessibilidade? Preço adequado de ingressos? Analisando bem, pouco disso aparece como ‘oferta’ ao cliente torcedor. Por isso, públicos como a da final do Nordestão são considerados exceções quando deveriam ser uma rotina em uma país que se diz o do futebol. Basta olhar a média de público do torneio, que ficará por volta de 7.600 pessoas por jogo. É a melhor do país, mas ainda é pouco perto do potencial que tem.

E as más condições de tratamento ao torcedor não são exclusivas para os estádios antigos. Há problemas também nas novas arenas. Só para ficar no exemplo do Castelão, tivemos muitas reclamações por parte dos torcedores do Sport nessa quarta-feira. O principal motivo foi a desorganização na venda dos ingressos para a torcida visitante. As filas para adquirir os bilhetes obrigaram o torcedor a ficar mais de três horas na fila. Em que espetáculo sério isso ocorre? Para aguentar tanto tempo na espera por um simples ingresso, só mesmo amando o time.

A final da Copa do Nordeste teve boa presença do torcedor do Sport no Castelão, em Fortaleza (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A final da Copa do Nordeste teve boa presença do torcedor do Sport no Castelão, em Fortaleza (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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Além disso, há a violência no futebol, que não é só um privilégio brasileiro, é verdade. Mas aqui ainda causa espanto que algumas cenas consideradas evitáveis ocorram. Voltando ao Castelão, temos a ‘brilhante’ ideia de colocar as torcidas locais e visitantes em um mesmo espaço na entrada do estádio, sem isolamento algum. Para piorar, deixemos o número de policiais reduzidos – cerca de dez. É praticamente pedir que haja confronto. Por sorte, na decisão do Nordestão, os conflitos entre alvinegros e rubro-negros foram mínimos, mas ainda assim poderiam ter sido evitados com um pouco mais de organização.

A impressão que se dá em certos momentos é que falta vontade dos responsáveis pelo nosso futebol (dirigentes, autoridades, gestores, políticos e etc) para corrigir tais problemas, como vender ingressos de maneira ordeira, separar torcidas rivais e até mesmo manter os banheiros dos estádios limpos. O que parece é que esses ditos ‘responsáveis’ confiam demais na nossa paixão cega pelo futebol. Seria bom abrirem os olhos, afinal todo amor um dia esfria quando não correspondido à altura.

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