Vinte e dois minutos às vezes não dão para nada, mas descobri, por exemplo, que com menos tempo, dezessete, dá para ser expedida uma aposentadoria fraudulenta — sobram cinco para um café. Não tem a ver, acho, mas também foram 22 minutos que no dia 7 de junho de 1978 ficou claro que algo tinha mudado no futebol brasileiro.

Quarenta anos depois, não recorri ao vídeo — mas meu olhar de garoto guarda a ação, então vai uma narrativa de memória. Era um Brasil x Espanha que terminou zero a zero na segunda rodada da Copa do Mundo da Argentina, em 1978. A seleção, que já tinha empatado com a Suécia, jogou mal. Por duas vezes o gol adversário foi evitado em cima da linha por Amaral, zagueiro do Corinthians, e foi assim, “Amaral!”, que guardei aqueles dois momentos. Mas o fato determinante é que do lado de fora, aos 16 minutos do segundo tempo, Jorge Mendonça deixou o banco para se aquecer.

Brasil e Espanha brigavam pela bola e lá estava Jorge Mendonça se aquecendo. Dentro de campo, Zico, Rivelino, Reinaldo, Nelinho e outros tentavam, mas a Espanha era melhor. Ao lado, ainda sem poder ajudar, Jorge Mendonça se exercitava, solitário. Depois de um certo ponto não importava tanto o que se passava em campo, pois Jorge Mendonça continuava a correr e saltar e girar os braços e a cintura e era nos movimentos dele que locutores, repórteres e a torcida pareciam prestar mais atenção.

“Não é possível, ele continua a se aquecer”.

“Deve ser um recorde mundial”.

O aquecimento, para resumir, durou os tais vinte e dois minutos, quase metade do segundo tempo. Jorge Mendonça finalmente entrou no lugar de Zico aos 38. Com sete minutos em campo, não teve muito o que mostrar e o Brasil foi para a terceira partida, contra a Áustria (que grupo dos infernos), precisando vencer.

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