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Quais foram os maiores técnicos da história das Copas? Apontamos o nosso Top 10

Técnicos de seleções não tem o mesmo reconhecimento dos técnicos de clubes. Não podem acumular títulos todos os anos, não ganham os mesmos salários, não se mantêm em contato tão constante com o público. Ainda assim, têm a grande chance para serem lembrados para sempre: a Copa do Mundo. Um título basta para entrar em um grupo seletíssimo de treinadores. Se forem bons mesmo, podem até revolucionar o futebol em sua maior vitrine. O que alguns, de fato, conseguiram, ainda que não necessariamente tenham levantado a taça.

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Fechando a nossa série de melhores da história das Copas, damos os nossos palpites sobre quem foram os 10 maiores técnicos – escolhidos conforme votação realizada pela redação da Trivela. Vale lembrar que não foram escolhidos os técnicos ainda em atividade, que, portanto, ainda podem seguir escrevendo sua trajetória em Mundiais. Por isso mesmo, os três últimos campeões ficaram de fora: Felipão, Marcello Lippi e Vicente Del Bosque. Confira e, mais importante, não deixe de cornetar:

1º – Vittorio Pozzo

Itália
Dois Mundiais (1934 e 1938)
9 jogos, 8 vitórias, 2 títulos

Vittorio Pozzo possui um currículo único. Até hoje só ele foi capaz de conquistar duas Copas do Mundo como treinador. Fruto de um trabalho de anos à frente da Itália, criando uma seleção forte o suficiente para dominar os Mundiais antes da Segunda Guerra Mundial – apesar também da pressão do fascismo para que a seleção tivesse sucesso. Sob as ordens de Pozzo, a Azzurra não venceu apenas um jogo na competição: o empate por 1 a 1 contra a Espanha em 1934, que acabou com vitória dos italianos no reencontro, um dia depois. Além de domar craques como Giuseppe Meazza, Pozzo também foi capaz de garimpar outros, ao levar os oriundi (descendentes de italianos de outros países) para o seu elenco. Algo vital para reconstruir o grupo, que sofreu profundas modificações entre as duas campanhas. Mais do que isso, também possuía seus méritos táticos, ao instituir o uso do “Metodo”, uma variação tática a partir do WM que passou a ser bastante difundida na década de 1930. Um técnico completo, que eternizou o seu nome graças ao sucesso.

2º – Rinus Michels

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Holanda
Um Mundial (1974)
7 jogos, 5 vitórias

Bastou uma Copa para Rinus Michels sacramentar suas transformações sobre o futebol. O que já tinha feito com o Ajax na Europa ganhou proporções muito maiores com a Holanda na Copa de 1974. Assumiu o time apenas às vésperas do Mundial, o suficiente para provocar a revolução de seu Futebol Total. O que a Oranje fez na Alemanha será recontado por muito tempo, graças à genialidade de Cruyff, Krol, Neeskens, Resenbrink e outros tantos grandes jogadores. Mas também pela forma como Michels compôs sua orquestra. Os holandeses assombraram Uruguai, Brasil, Argentina e Alemanha Oriental em sua caminhada até a final. Não foram conseguiram superar um adversário à altura, o timaço da Alemanha que havia amadurecido nas duas Copas anteriores. Nem a falta da taça diminuiu o legado de Michels.

3º – Mário Zagallo

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Brasil
Três Mundiais (1970, 1974 e 1998)
20 partidas, 13 vitórias, 1 título

Você pode torcer o nariz para Zagallo. Algo plenamente compreensível, diante de algumas posturas do veterano. Porém, é difícil negar como sua carreira como técnico foi vencedora. Em 1970, o ex-jogador da Seleção assumiu uma equipe competentíssima, é verdade. Mas precisou lidar com alguns problemas deixados após a turbulenta saída de João Saldanha, especialmente o ambiente turbulento no grupo. Zagallo contornou isso e ainda fez o time embalar, já que havia perdido força nos jogos anteriores a sua chegada. Montou uma defesa sólida, conciliou as habilidades de seus talentos e faturou o tri. Em 1974, a força que já começava a reger a Seleção quatro anos antes, se sobrepôs de vez ao talento e não ajudou na campanha do quarto lugar. Já em 1998, em seu retorno ao cargo após ser auxiliar no tetra, levou o Brasil à final, ainda que algumas de suas decisões sejam questionáveis.

4º – Sepp Herberger

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Alemanha
Quatro Mundiais (1938, 1954, 1958 e 1962)
17 jogos, 7 vitórias, 1 título

Sepp Herberger estabeleceu praticamente uma dinastia na seleção alemã. Assumiu após a queda de Otto Nerz nos Jogos Olímpicos de 1936, mas não conseguiu organizar uma equipe após as anexações nazistas para a Copa de 1938. Em tempos de futebol dilacerado no país, tanto pela guerra quanto pela própria organização, formou um time competitivo. E, logo em sua primeira participação no Mundial desde o fim da Segunda Guerra Mundial, venceu. As travas revolucionárias das chuteiras ajudaram, assim como há as acusações de doping contra o Nationalelf. Ainda assim, reverter o resultado contra um esquadrão que o goleou por 8 a 3 dias antes é um feito e tanto. Herberger foi o primeiro a fazer a Alemanha campeã. Depois, ainda conquistou um quarto lugar em 1958, além de morrer nas quartas em 1962. Deixou um ótimo legado para o seu sucessor, Helmut Schön, vice em 1966 e campeão em 1974.

5º – Gustav Sebes

Hungria
Um Mundial (1954)
5 jogos, 4 vitórias

Se Herberger merece créditos por ter surpreendido, Sebes é o responsável por uma revolução. A Seleção da Hungria foi uma inovadora por seu estilo de jogar, transformando o usual WM da época no 4-2-4 que passaria a ser amplamente usado nos anos seguintes. A forma como o técnico (e Ministro dos Esportes) preparou sua equipe é exemplar, encaminhando suas vitórias logo nos 10 minutos iniciais. Na Copa, mesmo sem Puskás lesionado no início dos mata-matas, os Mágicos Magiares demoliram quem aparecesse pela frente. Até o duro golpe contra a Alemanha. Deixou a seleção nacional em 1957, mesmo ano da debandada de seus craques à Espanha, que enfraqueceu muito os húngaros para o Mundial da Suécia.

6º – Vicente Feola

Vicente Feola, técnico da seleção brasileira na Copa de 1958, e do São Paulo

Brasil
Dois Mundiais (1958 e 1966)
9 jogos, 6 vitórias, 1 título

Vicente Feola é traçado muitas vezes como bonachão. Um personagem manipulável, que teve que ceder às pressões dos jogadores em 1958 e às dos militares em 1966. Há a lenda de que Pelé e Garrincha só entraram no time por influências externas, enquanto a campanha ridícula na Inglaterra é fato consumado. Histórias que muitas vezes diminuem a importância do técnico na conquista da Copa do Mundo de 1958. Afinal, Feola foi responsável por aplicar no Brasil uma mudança tática que havia aprendido com Bela Guttmann. O 4-2-4, que funcionou tão bem com o ótimo time que tinha em mãos. Que fez Pelé e Garrincha jogarem em suas plenitudes, para levar o Brasil ao título, orquestrados pela genialidade de Didi.

7º – Carlos Bilardo

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Argentina
Dois Mundiais (1986 e 1990)
14 jogos, 8 vitórias, 1 título

É verdade que Diego Maradona facilitou muito a vida de Carlos Bilardo em Copas do Mundo. Contar com o craque em seu ápice foi decisivo para a Argentina conquistar o Mundial em 1986 e chegar à final em 1990 – quando também se valeu das mãos salvadoras de Goycochea nas decisões por pênaltis. Entretanto, o técnico precisou bancar El Diez, em uma época na qual se acusava de que ele não rendia tudo o que podia pela seleção. Também montou um time para que ele pudesse brilhar livremente, em um elenco cheio de operários. O treinador que faz o craque do time ser tão importante, sem dúvidas, também tem seus méritos.

8º – Telê Santana

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Brasil
Dois Mundiais (1982 e 1986)
10 jogos, 8 vitórias

A Seleção de 1982 está gravada na memória de muitas pessoas. Graças à liberdade que Telê Santana dava a ela. O treinador era o regente de uma das equipes que desempenhou o futebol mais bonito dos Mundiais justamente por apostar na liberdade criativa de seus maiores talentos. Teve alguns questionamentos sobre opções, é claro, mas não dá para negar sua importância em montar um time tão livre para dar show. Paolo Rossi e a Itália, no entanto, impediram o triunfo. Já em 1986, o futebol vistoso se perdera, a geração de craques envelhecerá, e a França foi a algoz nos pênaltis.

9º – Juan López

Uruguai
Dois Mundiais (1950, 1954)
9 jogos, 6 vitórias, 1 título

Dentre os personagens que conquistaram a Copa do Mundo de 1950, Ghiggia e Obdulio Varela são os mais celebrados. O homem que calou o Maracanã e o chefe que liderou os charruas ao título. Alguns não são tão conhecidos do grande público, mas sempre merecem lembranças, como Schiaffino, Maspoli e Míguez. Poucos são os que se recordam de Juan López, o técnico daquele time. Pupilo de Alberto Suppici, campeão com os uruguaios em 1930, o treinador assumiu a Celeste em 1949, em meio a uma disputa pelo cargo. Corria por fora, mas conduziu o time a um feito enorme. Por montar o time uruguaio em um 1-3-3-3, que serviu para brecar o ímpeto brasileiro naquele quadrangular final, e também por dividir a voz de comando com Varela em campo. Ergueu a Jules Rimet. Quatro anos depois, fez outra grande campanha, eliminado pela poderosa Hungria na semifinal.

10º – Enzo Bearzot

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Itália
Três Mundiais (1978, 1982 e 1986)
18 jogos, 9 vitórias, 1 título

Enzo Bearzot não era um grande gênio das táticas ou sequer um mestre para grandes craques. Entretanto, sua capacidade em reconstruir o moral da Itália em 1982 faz com que mereça um lugar entre os grandes técnicos dos Mundiais. Dirigia um time que vinha cambaleante na fase de classificação, com questionamentos em posições-chave – como o gol e o comando do ataque. Ainda assim, liderou uma reviravolta, sobretudo ao reforçar o papel de Dino Zoff e Paolo Rossi como protagonistas. Depois de uma primeira fase sofrível, a Itália foi impecável na reta final, deixando pelo caminho Argentina, Brasil, Polônia e Alemanha Ocidental. O ponto alto de um técnico que teve uma Copa razoável em 1978 e outra criticada em 1986.