Fernando Muslera errou. E a falha que custou a eliminação do Uruguai na Copa do Mundo de 2018 talvez seja o lance mais lembrado em sua trajetória de mais de 100 jogos pela Celeste. O veterano sabe da responsabilidade que tinha e em nenhum momento depois da partida se eximiu do que aconteceu, apoiado também pelos companheiros. A semana do uruguaio, porém, foi bem mais difícil do que o lance pode mostrar. O camisa 1 não usou de desculpa a ninguém, mas o jornal El País confirmou que, às vésperas da partida contra a França, ele soube que um tio e uma de suas avós faleceram. Preferiu seguir em frente.

“Nunca esperamos sair neste momento. Fizemos uma grande Copa e deixamos tudo em campo, indo além da parte pessoal que me toca por ter cometido um erro no final. Vamos de cabeça erguida, graças ao sacrifício que fizeram todos os companheiros”, havia declarado Muslera, sem abrir o jogo sobre o que aconteceu em sua família. “O apoio recebido é o máximo. Dos companheiros, da família, de muitos amigos, de muitos goleiros que sequer são uruguaios e me mandaram mensagens. A verdade é que fico feliz porque sabem o esforço que se faz. É parte do futebol”.

“Eu sou um agradecido a tudo o que faz o povo uruguaio, o sacrifício daqueles que vieram para cá, os que não puderam e estão em casa. Peço desculpas, porque obviamente havia uma esperança. Na minha posição, se cometem erros que custam a eliminação. É preciso seguir em frente. Falava com meu agente e dizia que é difícil encontrar por que comigo, mas se olho para o outro lado e vejo tudo o que conquistei com essa seleção, me sinto mais orgulhoso que desapontado”, complementou o goleiro.

Não dá para colocar na conta do lamento de Muslera a falha que cometeu. Não dá para saber até que ponto isso o prejudicou. E, se de fato prejudicava, foi sua escolha encarar o jogo e buscar o nível de concentração necessário para disputá-lo. As falhas, afinal, são uma constante na carreira do camisa 1, por mais que nunca tenham acontecido em um momento tão importante. A dor pessoal de Muslera serve mais para mostrar que, além do futebol, há também uma vida que continua durante a Copa. É preciso seguir em frente.