A morte de Luciano do Valle não significou apenas a perda de um dos maiores locutores da história do Brasil. Sua importância para o esporte vai muito além disso, e ele pode ser considerado o grande incentivador de algumas modalidades, como o vôlei e a fórmula Indy. No futebol, Luciano foi fundamental ao promover a prática em alto nível entre as mulheres, assim como por ajudar a difundir o futebol europeu. E, aos mais nostálgicos, também por ser o treinador de um time que não existe mais, mas que povoa as lembranças de muita gente: a seleção brasileira de masters.

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Sim, Luciano do Valle foi técnico de craques do porte de Pelé, Rivellino, Gérson, Jairzinho, Carpegiani, Djalma Dias, Edu e Dadá Maravilha. Não que precisasse dar tantas orientações a tantos veteranos excepcionais, mas o convite foi um prêmio a sua iniciativa em criar Mundialito de Seniors, em 1987. Junto a empresários, o locutor lançou a Copa Pelé, que contava com ex-jogadores de cinco seleções campeãs do mundo até então: Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha Ocidental e Itália. Não foram só ídolos brasileiros que toparam participar do torneio, realizado em São Paulo. Uwe Seeler, Paul Breitner, Gerd Müller, Giacinto Facchetti e Roberto Boninsegna estiveram entre os convidados. E, mais importante, as arquibancadas ficavam lotadas para ver aquele livro aberto da história do futebol.

Na decisão realizada no Pacaembu, porém, Luciano do Valle não teve sorte. Sem Pelé, que esteve em campo apenas na estreia do torneio, os masters do Brasil foram derrotados pela Argentina de Babington, Brindisi e Oscar Más. Vitória por 1 a 0 da Albiceleste, que já tinha feito a melhor campanha na fase de classificação. O carrasco naquele ‘pequeno Pacaembunazo’ foi Darío Felman, atacante que tinha acabado de encerrar a carreira após ser ídolo de Boca Juniors, Gimnasia e Valencia.

pelé

O Mundialito continuou disputado de dois em dois anos e a edição seguinte contou também com a participação da Inglaterra, com todos os seis campeões mundiais até então. Enfim, a seleção brasileira conseguiu levantar a taça, ao bater na final o Uruguai por 4 a 2, com três gols de Claudio Adão e outro de Rivellino. Já em 1990, uma edição especial foi batizada como a ‘Copa Craque de Masters’ ou ‘Copa Zico’, renovando parte do elenco da Seleção. Mais um caneco do Brasil, com show do Galinho de Quintino, Serginho e Éder na final contra a Holanda, 5 a 0 no placar.

Luis Pereira, Vladimir, Batista, Mario Sérgio, Zenon, Roberto Dinamite e Jayme de Almeida ainda seriam campeões pela Seleção em 1991, a última edição promovida pela TV Bandeirantes. Luciano do Valle comandou a equipe ao tricampeonato na vingança contra a Argentina, agora com Mario Kempes e Hugo Gatti: virada em Miami, 2 a 1 no placar, com um gol decisivo de Zico aos 42 minutos do segundo tempo. Depois disso, a International Federation of Master Football se encarregou de mais duas edições do torneio, sem a mesma repercussão no Brasil, embora com mais um título da Seleção. Nada como as memórias daqueles veteranos gastando a bola nos estádios brasileiros, e com Luciano do Valle à beira do campo.

Para matar as saudades (ou conhecer), abaixo alguns vídeos da Copa Pelé de 1987, assim como dos títulos de 1990 e 1991. Detalhe para a jogadaça de Rivellino no quinto tento contra a Holanda: