Henrique foi vendido para o Napoli por cerca de R$ 13 milhões

Quando tudo parecia caminhar bem, a turbulência volta ao Palmeiras

O ano do centenário do Palmeiras começou bem. Dentro das possibilidades do clube e da estratégia de contratação, a diretoria trouxe bons reforços e Gilson Kleina conseguiu levar o time a três vitórias nas três primeiras rodadas do Campeonato Paulista. Os torcedores, calejados, não se iludiram, mas começaram a cultivar um otimismo cauteloso, que já começa a se dirigir ao ralo.

O capitão Henrique, que cobrou uma dívida do clube na Justiça, foi vendido na última terça-feira para o Napoli, e nesta quarta, o Estado de S. Paulo publicou que Wesley também pode estar de saída, pelo mesmo motivo. O ponto em comum entre essas dívidas e a que ajudou a empurrar Hernán Barcos para o Grêmio é a origem delas. Foi a dupla dinâmica Roberto Frizzo e Arnaldo Tirone que inconsequentemente gastou mais do que pode, fez promessas, saiu do clube e deixou a bomba para Paulo Nobre desarmar.

Não espanta que seja tão difícil arrumar um clube de futebol e sanar as suas dívidas. Mesmo um dirigente com boas intenções – como Nobre parece ter – sofre com as heranças malditas das gestões anteriores. Acaba sendo tentador e muito mais fácil continuar pintando as contas de vermelho porque, no fim, como Frizzo e Tirone, ninguém vai ser responsabilizado por improbidade administrativa esportiva ou algo do gênero.

Agora, o que fazer com os R$ 13 milhões que a diretoria recebeu por Henrique? É muito difícil que Lúcio e Maurício Victorino formem uma zaga confiável, já que ambos jogaram pouco ano passado, então talvez seja melhor repor o defensor. Mas essa verba também pode ser essencial para pagar as dívidas com Wesley e manter o jogador, tecnicamente um dos melhores do time. No fim de janeiro, com quase todas as barganhas do mercado já negociadas, não há criatividade na Itália que reponha Henrique sem gastar dinheiro. O cenário mais provável é que o time se enfraqueça. 

Administrar desse jeito acaba sendo um exercício de enxugar gelo. E o pior de tudo é que a conjectura é favorável para o Palmeiras conquistar pelo menos o Campeonato Paulista, o que seria apenas o seu terceiro título de primeira divisão em 14 anos. O São Paulo vem de uma temporada complicada e não se reforçou direito. Mano Menezes ainda não corrigiu todos os problemas do setor ofensivo do Corinthians, e o Santos fez bom Campeonato Brasileiro ano passado, mas está longe de ser uma máquina imbatível.

Não que o Palmeiras fosse favorito com Henrique e agora não é mais. No meio, tem Bruno César, um bom jogador, Mendieta de opção, e Valdivia, quando puder contar com ele. O ataque com Alan Kardec e Leandro vai ganhando entrosamento e ainda há Diogo. Marquinhos Gabriel entrou bem contra o Atlético Sorocaba e deu duas assistências. Apesar de alguns problemas táticos, principalmente defensivos, o time está se ajeitando.

Continua com chances razoáveis nesse estadual para o qual todos dão atenção, mas ninguém se destaca. A questão é que o Palmeiras não consegue passar duas semanas sem um problema. E para o torcedor, calejado, uma turbulenciazinha é o bastante para abalar a frágil confiança, que murcha com a mesma facilidade com que nasce.