Versão atualizada da matéria publicada em 22 de julho de 2014, às 18h57

Dunga volta à seleção brasileira. Outra vez, mais como o capitão do tetra do que como o técnico da derrota em 2010. Afinal, fosse seu currículo como treinador analisado friamente pelos líderes da CBF, dificilmente ele teria sido escolhido. Gilmar, seu companheiro no Mundial dos Estados Unidos, é outro que chega às cabeças da Seleção – para ser coordenador, um cargo ao qual Leonardo estava cotado. Taffarel é o futuro treinador de goleiros, enquanto Mauri Silva será o auxiliar de Dunga desta vez. O Brasil tenta renascer em 2014 com o cordão umbilical ligado a 1994.

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Na última década, aliás, foi comum o retorno de ex-membros do grupo do tetra a funções importantes da Seleção. Considerando técnico e auxiliar, 12 dos 24 daquele elenco voltaram depois. Parreira e Zagallo tiveram trânsito livre na confederação. Entre os jogadores, dez veteranos trabalharam de alguma maneira para a CBF, de Romário a Ronaldo. Poderiam ser 11, se Ricardo Gomes não tivesse sido cortado daquele Mundial, ele que depois se tornou o escolhido de Parreira para treinar a seleção olímpica rumo aos Jogos de 2004. Ou mais que 11, considerando que a imprensa já ligou os nomes de Raí, Zinho, Leonardo e Ricardo Rocha a diferentes posições na confederação nos últimos anos.

É interessante observar como a geração de 1994 criou raízes na Seleção. Não aconteceu com o grupo de 2002, que, apesar de mais jovem, só teve Felipão, Ronaldo e Roque Júnior com cargos na entidade. Ou mesmo as de 1958, 1962 e 1970, das quais apenas os membros da comissão técnica continuaram sendo funcionários da CBD. O apego ao tetra diz muito sobre a mentalidade que se criou sobre aquela Seleção. E também do apego ao pragmatismo, em tempos nos quais custa tanto para se ter ideias novas.

Membros do tetra que se ligaram à CBF depois da conquista

Parreira: O técnico tetracampeão voltou ao comando do time em 2002. Campeão da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005, ficou até a eliminação no Mundial da Alemanha. Depois, voltou como coordenador-técnico em 2012, dando apoio a Felipão. A carta da Dona Lúcia e o vexame da Seleção em 2014 foram a sua despedida do futebol.

Zagallo: O auxiliar de Parreira em 1994 foi seu substituto depois da Copa. Prometeu que teriam que engoli-lo com os títulos da Copa América e da Copa das Confederações de 1997, mas acabou vice-campeão do mundo na França. Voltaria a fazer a dobradinha com Parreira a partir de 2002, daquela vez como supervisor-técnico.

Taffarel: Parceiro de Dunga, foi olheiro da Seleção na Copa de 2010. Retornou desta vez como preparador de goleiros, mesmo cargo que já ocupou no Galatasaray.

Jorginho: O lateral direito titular em 1994 foi o auxiliar de Dunga durante a primeira passagem do treinador pela Seleção. Desta vez, não é cotado para voltar.

Mauro Silva: O parceiro de Dunga no meio-campo da Seleção de 94 foi chamado para ser o auxiliar do técnico na segunda passagem pela equipe nacional. Recentemente, o volante teve postura crítica contra a CBF.

Branco: Foi o coordenador das categorias de base da Seleção durante a terceira passagem de Parreira como técnico. Deixou o cargo em 2004, depois do fracasso da seleção olímpica, que sequer se classificou para as Olimpíadas de Atenas.

Bebeto: Foi nomeado pelo Comitê Organizador Local da Copa de 2014 para ser uma espécie de para-raios de Ricardo Teixeira. Era só mais um laranja.

Dunga: O capitão conhecido por sua postura enérgica e por suas convicções foi escolhido como tampão após a eliminação em 2006, mas continuou como técnico até a Copa de 2010. Quatro anos depois, foi escolhido novamente para dirigir a equipe.

Romário: Foi um dos escolhidos pela CBF para encabeçar a candidatura do Brasil à Copa do Mundo de 2014. Pouco tempo depois, se tornou opositor ferrenho da federação.

Cafu: Não teve cargo oficial, mas se manteve próximo das ações ligadas ao COL. Durante o início do ano, visitou as sedes da Copa e participou de eventos a convite do comitê.

Ronaldo: Foi o testa de ferro de Ricardo Teixeira no COL. Assumiu o papel de porta-voz do comitê, embora tenha abusado das contradições nesse período.

Gilmar: Ex-empresário de jogadores, acabou escolhido pela CBF para a coordenação da seleção brasileira para o ciclo da Copa de 2018.

Não tiveram envolvimento com a CBF

Ricardo Rocha, Ronaldão, Zinho, Raí, Zetti, Aldair, Márcio Santos, Leonardo, Mazinho, Paulo Sérgio, Müller e Viola.