Dá para dizer que os 16-avos de final da Liga Europa surpreenderam. Em uma competição que geralmente não conta com o interesse de alguns participantes, o empenho da maioria já nesta etapa tornou várias classificações emocionantes. Ajudam a criar expectativas altas para as oitavas. Afinal, a sede pelo título foi provada por todos os concorrentes. E o sorteio garantiu confrontos bastante interessantes para essa quinta-feira e para a próxima semana.

Logicamente, o torneio poderia contar com um pouco mais de camisas pesadas. Mas não há como ignorar os feitos de Ludogorets Razgrad, Red Bull Salzburg e Viktoria Plzen, as grandes surpresas da primeira fase dos mata-matas, após deixarem para trás Lazio, Ajax e Shakhtar Donetsk. Nas oitavas, o trio continua como azarão diante de Valencia, Basel e Lyon, respectivamente, mas merece todos os créditos. O confronto entre AZ e Anzhi é o único que não salta muito aos olhos. Em compensação, os outros quatro duelos são verdadeiros jogaços, com camisas pesadas e histórias a se contar.

Nas próximas linhas, relembramos os episódios mais marcantes entre Fiorentina x Juventus, Benfica x Tottenham, Napoli x Porto e Betis x Sevilla. Confira:

Fiorentina x Juventus, maio de 1990


Não há um claro ranço local entre Florença e Turim. A rivalidade entre Fiorentina e Juventus é alimentada apenas pelos embates entre os dois clubes. E que tem grande correspondência ao que aconteceu em 1990. Naquele ano, os italianos fizeram a decisão da Copa da Uefa, o torneio precursor da Liga Europa. Tanto a Viola quanto a Vecchia Signora vinham embaladas por campanhas marcantes, deixando para trás Atlético de Madrid, Dynamo Kiev, PSG e Werder Bremen. Mas, na final, a camisa da Juve pesou. Os bianconeri venceram o jogo de ida por 3 a 1, com gols de Casiraghi, De Agostini e Galia. Já na volta, Roberto Baggio e Dunga não foram capazes de liderar a Fiorentina e o Stefano Tacconi segurou o 0 a 0, suficiente para o título da Juventus.

Semanas depois, um golpe ainda mais duro: em um negócio que já estava acertado antes da final, Baggio se mudou ao clube de Turim por US$ 13,6 milhões, recorde de transferência mais cara da época. Algo que não foi aceito em Florença, com confrontos nas ruas e dezenas de feridos em meio à revolta popular. E a volta do craque ao Artemio Francchi foi marcante. Ele se recusou a cobrar um pênalti contra o ex-clube e se recusou a batê-lo, substituído logo depois. Na saída de campo, pegou um cachecol atirado pela torcida da Fiorentina e o beijou enquanto se dirigia ao banco da Juve (algo retratado na foto que abre a matéria).

Benfica x Tottenham, março-abril 1962


O Tottenham viveu o período mais glorioso de sua história no início da década de 1960. Conquistou uma Recopa Europeia, um Campeonato Inglês, duas Copas da Inglaterra. E só não teve sucesso maior na Copa dos Campeões por causa do esquadrão do Benfica que marcou época. Ingleses e portugueses duelaram por uma vaga na final em 1962. No Estádio da Luz, os encarnados impuseram sua força, vencendo por 3 a 1, dois gols de Augusto e outro de Simões. Já em White Hart Lane, os Spurs buscaram a virada por 2 a 1, insuficiente para a classificação da equipe de Jimmy Greaves e Danny Blanchflower. Na decisão, vitória do Benfica sobre o Real Madrid por 5 a 3, que consagraria Eusébio com dois tentos decisivos.

Napoli x Porto, outubro-novembro de 1975


Infelizmente, Napoli e Porto não tiveram seus destinos cruzados no final da década de 1980, quando eram potências continentais. E isso quase aconteceu na Copa dos Campeões 1987/88, não fosse o Real Madrid. Os merengues eliminaram o time de Maradona e Careca na primeira fase do torneio, uma etapa antes de também baterem o Porto de Madjer e Juary, então dono do título europeu. Os únicos confrontos internacionais entre as duas equipes aconteceram nos 16-avos de final da Copa da Uefa de 1974/75. Em uma época na qual os portistas viviam um longo jejum de títulos nacionais, acabaram sendo presas fáceis para os napolitanos, que venceram ambos os jogos por 1 a 0 – gols de Orlandini e Clerici. Mas, prova que também não era o melhor momento para os partenopei, o time caiu nas oitavas para o Banik Ostrava.

Betis x Sevilla, fevereiro-março de 2007


Pela primeira vez, Betis e Sevilla duelarão por uma competição europeia. Um encontro que tem grande valor principalmente para os verdiblancos, que viram os rivais se tornarem bicampeões da Copa da Uefa em 2006 e 2007. Será uma chance de ir à desforra, ainda que a ocasião esteja longe de ter o mesmo peso. E que também tem ares de vingança, depois das goleadas por 4 a 0 e 5 a 1 sofridas nas duas últimas temporadas pelo Betis, praticamente rebaixado em La Liga e que agora se agarra à Liga Europa. Diante de tantas tensões, é possível esperar por jogos bem quentes em Sevilha. Como os ocorridos nas quartas de final da Copa do Rei de 2006/07, a última eliminatória que reuniu os rivais.

Na primeira partida, empate por 0 a 0 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em ocasião marcada pelas brigas entre os torcedores. Já na volta, pela primeira vez na história do futebol espanhol a torcida visitante não foi permitida no estádio, mesmo com a oposição da federação à decisão unilateral do Betis. Mesmo assim, vários objetos foram atirados no gramado pelos verdiblancos depois que Kanouté abriu o placar. E, durante a comemoração, uma garrafa de plástico cheia de líquido atingiu o técnico rojiblanco, Juande Ramos, que caiu à beira do gramado e precisou ser retirado de maca. O jogo foi interrompido e retomado em Madri, sem torcida. O Sevilla manteve a vitória por 1 a 0 nos minutos finais, assegurando a classificação.