Na última vez que o Barcelona enfrentou o Getafe pela Copa do Rei, em 2007, Lionel Messi driblou quatro jogadores e o goleiro para marcar um gol que foi comparado ao de Diego Maradona contra a Inglaterra em 1986. Nada mais apropriado que o jogador argentino retorne, após dois meses com dores musculares, contra o time da região metropolitana de Madrid.

O jogo desta quarta-feira não foi válido pelas semifinais, mas pelas oitavas do torneio mata-mata da Espanha. Muito menos importante. A principal expectativa era ver Messi, cuja última partida foi em 10 de novembro, contra o Real Bétis. Apesar de uma atuação em marcha lenta, ele precisou de apenas quatro minutos para lembrar todo mundo que é praticamente um mágico, um David Copperfield do futebol.

O Barcelona goleou por 4 a 0, mas Messi não jogou nada. Entrou aos 17 minutos do segundo tempo no lugar de Iniesta e mal tocou na bola. Cobrou uma falta na área. Muito alta. Deu uma arrancada daquelas características e cruzou. Muito alto. Eis que aos 44 minutos, uma bola foi levantada, bateu aqui, bateu ali, e caiu justamente no pé esquerdo do argentino, que chutou colocado para fazer o terceiro dos catalães.

Aos 48, recebeu uma bola enfiada nas costas da defesa e arrancou. Não foi com a velocidade de um Fiat Uno, mas também não foi tão rápido quanto uma Mercedes, como costuma ser nesse tipo de jogada. Contou com a gentileza de um defensor do Getafe que saiu da frente sem que Messi precisasse mudar de direção. E, então, cara a cara, com o goleiro, ele acerta 99,9% dos chutes.

O canhotinho ainda poderia ter marcado o terceiro porque estava preparado para entrar em campo, pulando que nem sapo na linha lateral, quando Pedro foi derrubado na área, mas Tata Martino segurou a substituição. Deixou Cesc Fàbregas realizar a cobrança e fazer o seu segundo no jogo. Não havia razão para forçar Messi, ainda frio, a cobrar um pênalti. O argentino é uma espécie de mágico que atrai a bola para os seus pés e faz os jogadores adversários saírem da frente com a força da mente. Ainda não está em forma, mas está de volta. O Atlético de Madrid que se cuide.