Giampaolo Pazzini parecia pronto a um final de carreira modesto. O centroavante nunca foi um poço de qualidade, mas teve os seus auges: defendeu Internazionale e Milan, teve destaque na Sampdoria e na Fiorentina, disputou uma Copa do Mundo. Nas últimas três temporadas atuou pelo Verona, já satisfeito em levar os gialloblù ao acesso na Serie B. O Levante não representa exatamente uma guinada em meio ao declínio do veterano de 33 anos. Porém, logo em sua estreia, ele teve a chance do estrelato. Saiu do banco e, aos 44 do segundo tempo, garantiu o empate por 2 a 2 contra o Real Madrid, dentro do Estádio Ciutat de Valencia, pelo Campeonato Espanhol. Bela maneira de iniciar um novo capítulo e relembrar sua existência a tanta gente.

Cabe dizer, aliás, que Pazzini foi apenas o herói em uma noite inspirada do Levante. Mesmo ameaçados pelo rebaixamento, os granotas peitaram o Real Madrid. O jogo não teve tanto equilíbrio assim, com os merengues dominando as ações e a posse de bola. Porém, os anfitriões não se apequenaram. Especialmente durante o segundo tempo, partiram para cima na base dos contra-ataques e buscaram os gols. O empate acaba sendo o prêmio merecido por uma postura valente, se aproveitando do momento desencontrado dos bicampeões europeus.

O Real Madrid entrou em campo com um time que pode ser considerado a sua força máxima. Que Isco e Marco Asensio tenham vivido ótimas fases nos últimos meses, é a escalação que, para muita gente, deveria ficar na ponta da língua: Navas, Carvajal, Varane, Ramos e Marcelo; Casemiro, Modric e Kroos; Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Talvez um remédio para as críticas, na tentativa de manter uma boa sequência após a valiosa vitória sobre o Valencia no Mestalla. O Levante, por sua vez, trouxe uma baciada de contratações na janela de transferências e logo promoveu a entrada de um dos reforços mais renomados, o lateral Coke, ex-Sevilla, emprestado pelo Schalke 04.

Os primeiros minutos, de qualquer forma, davam conta de uma goleada do Real Madrid. Os merengues se impunham no campo de ataque e pressionavam. Assim, o primeiro gol era questão de tempo, e ele saiu aos 11 minutos. Após cobrança de escanteio, Sergio Ramos subiu entre três adversários e cabeceou na marca do pênalti. Karim Benzema tentou o desvio e acabou atrapalhando o goleiro Oier, que não evitou o tento do zagueiro. Depois disso, os madridistas seguiam arriscando bastante, apesar da falta de qualidade nas conclusões. Cristiano Ronaldo seguia abaixo da crítica.

Pouco antes do intervalo, o Real arrefeceu. E o Levante mostrou a sua capacidade com algumas aparições no ataque. Aos 41, aconteceu o empate. Em ótima enfiada de bola, José Luis Morales saiu de frente para o gol e bateu rasteiro, mas Keylor Navas fez grande defesa. Desatenta, a defesa merengue não conseguiu pegar o rebote. Então, o atacante Emmanuel Boateng demonstrou uma frieza imensa. Mesmo com três adversários pela frente, teve calma para chapar a bola no canto e balançar as redes. Apesar da superioridade nos 45 minutos iniciais, os madridistas não viam isso se refletir no marcador.

O segundo tempo foi mais equilibrado nas oportunidades. Durante os 15 minutos iniciais, as chances apareciam de um lado e do outro, com os contragolpes dos anfitriões funcionando. E enquanto a falta de contundência atrapalhava o Real Madrid, travado em seus arremates ou errando o passe final, Navas evitou a virada do Levante. Jefferson Lerma completou uma sobra de bola à queima-roupa, mas o goleiro conseguiu fechar o ângulo e salvar sua equipe. Os merengues voltaram ao controle a partir dos 15 minutos, rondando a área e apostando no jogo pelos lados. O problema é que, quando os granotas não afastavam o perigo, o goleiro Oier aparecia decisivamente. Foram quatro intervenções, duas bastante difíceis. Barrou Benzema após bom lance individual (em que foi fominha, porém) e Sergio Ramos, em nova cabeçada do zagueiro.

O segundo gol do Real Madrid, por fim, aconteceu aos 36. Isco entrou bem na partida, substituindo Bale. Chamou a responsabilidade e teve uma pitada de sorte no lance em que deixou sua marca. Em uma bola brigada por Benzema na linha de fundo, o francês passou para o meia, na marca do pênalti. Ele dominou e, com a visão de Oier congestionada, bateu firme para celebrar.

Os merengues, todavia, não foram felizes por tanto tempo. Cristiano Ronaldo foi para o banco, com Marco Asensio em seu lugar. E o Levante criou um pandemônio nos últimos instantes. Primeiro, Morales perdeu um lance inacreditável na pequena área, livre. Só a experiência de Pazzini resolveria aos granotas. Em campo desde os 32 do segundo tempo, o veterano se projetou às costas da defesa. Recebeu bom passe de Jason e bateu de primeira. Navas encostou na bola, mas não evitou o empate e a festa dos anfitriões, que comemoravam como a conquista de um título. Nos poucos minutos restantes, coube amarrar o jogo nos acréscimos e celebrar o ponto arrancado.

O Real Madrid permanece questionado pelo rendimento de alguns de seus principais jogadores. E enquanto não resolve, perde pontos no Espanhol. Esta rodada que poderia ser boa para se aproximar de Atlético de Madrid e Valencia, que se enfrentam em Madri, rende o desgosto aos merengues. A equipe de Zidane segue em quarto lugar, com 39 pontos, e precisa agradecer a derrota do Villarreal, que poderia deixá-la fora da zona de classificação à Liga dos Campeões.

Já o Levante não melhora muito a sua situação, sem vencer no campeonato desde novembro, com dez rodadas em jejum. O time é o 17° colocado, a três pontos da zona de rebaixamento. Com os reforços deste inverno e a gana contra o Real Madrid, ao menos, os granotas vislumbram uma luz ao fim do túnel. E sabem que podem confiar na estrela de Pazzini para certos momentos.