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A que o flamenguista precisa torcer para não viver outro pesadelo na Libertadores?

Já não é mais uma questão de apoio. É uma questão de fé. O Flamengo sabia que o empate com o Bolívar no Maracanã poderia custar muito caro à campanha do clube na Libertadores. Pois bem, a cobrança veio a galope. Tudo porque os rubro-negros tiveram outra atuação fraquíssimas contra os celestes e acabaram derrotados por 1 a 0 em La Paz. Os cariocas fecham a quarta rodada da fase de grupos na lanterna de sua chave. E, para dependerem das próprias forças, precisam mostrar um poderio do qual não passaram nem perto em suas primeiras exibições.

A fatalidade flamenguista começou a ser determinada no Estádio Hernando Siles logo aos três minutos. O escorregão de Samir foi seguido pelo pênalti infantil cometido pelo zagueiro, e convertido por Juan Carlos Arce. E a tragédia só teria requintes de crueldade depois daquilo. Esqueça o time copeiro que conquistou a Copa do Brasil. Aquelas exibições aguerridas parecem ser mera parte do passado.

Não há mais Elias, não existe mais o meio-campo combativo. Isolado demais, Hernane foi apenas um adereço no ataque. Carlos Eduardo, que mal consegue ter fôlego no nível do mar, teve uma atuação ainda mais decepcionante na altitude. O time só melhorou quando Paulinho, incompreensivelmente no banco, entrou no segundo tempo. E nas duas vezes em que o Fla esteve próximo do empate, o goleiro Quiñónez salvou – sem antes Felipe também operar seus milagres do outro lado. Deixa para os gritos de olé da torcida boliviana pouco antes do apito final.

Com apenas quatro pontos em quatro partidas, o Flamengo está atrás de Bolívar (cinco pontos), Emelec (seis) e León (sete) na tabela. Tem mais dois jogos para tentar evitar o vexame na Libertadores – algo que, aliás, tem se tornado de praxe nas últimas aparições dos cariocas no torneio continental. Pegam o Emelec dentro do caldeirão do Estádio George Capwell, em Guayaquil, e finalizam sua participação na fase de grupos contra o León, seu primeiro encontro com um mexicano no Maracanã desde aquele jogo contra o América.

O cenário ideal para a classificação do Flamengo é com duas vitórias. Se as conseguir, não depende de nenhum outro resultado. Porém, se na penúltima rodada não forem além do empate com o Emelec (que só perdeu um de seus últimos 14 jogos em casa na Libertadores), os rubro-negros terão que torcer. O León tem tudo para bater o Bolívar no México na próxima rodada e chegará ao Maracanã classificado. Então, os cariocas precisarão bater os mexicanos na rodada final e torcer por um empate ou por uma vitória magra dos mandantes no embate entre Bolívar e Emelec, em La Paz – o gol do Emelec teria efeito tão trágico quanto em 2012. Se os bolivianos buscarem o empate no México, uma vitória por dois gols de diferença contra o León já basta ao Flamengo – ou uma vitória no Rio e um empate em La Paz. E, em caso de derrota do León para o Bolívar, os flamenguistas só precisam vencer o último jogo.

A hecatombe maior desenha se o Flamengo perder para o Emelec em Guayaquil. E quem se lembra da derrota por 3 a 2 em 2012 tem calafrios. Se isso acontecer, adeus classificação. O Flamengo estará eliminado, independentemente do resultado entre León e Bolívar. Neste caso, nem mesmo São Judas Tadeu, que é padroeiro do clube e santo das causas impossíveis, poderá fazer o milagre.