Torcida Paysandu 169

Quer adotar um time na Terceirona? A gente dá o caminho

Quase todos os fãs de futebol, mesmo que de forma velada, têm uma equipe predileta em competições das quais seu clube do coração não faz parte. O mais comum é que isso aconteça com competições europeias, hoje amplamente transmitidas no Brasil e com motivos de sobra para ser acompanhada. Mas vai dizer que você nunca torceu por algum outro sul-americano naquela Libertadores em que seu time não estava? Ou que nunca simpatizou por um clube pequeno, mesmo que à distância, por um motivo às vezes completamente aleatório?

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Pensando em você, que quer ficar de olho na Série C, mesmo que sem assistir os jogos frequentemente, listamos aqui diversos motivos, sem critérios de coerência ou muita seriedade, para você ter uma equipe para chamar de sua nesta Terceirona. Com exceção de alguns times bem tradicionais, outros precisam muito de gente que os adote. Então dá essa forcinha, vai.

ASA

Se você torce para um clube paulista que não o Palmeiras, não precisamos insistir nos motivos para se torcer para o ASA. Carrasco alviverde na Copa do Brasil de 2002, a equipe alagoana foi responsável por uma das eliminação mais lembradas do Palestra Itália e poderia contar com vibrações positivas vindas dos paulistas. Afinal, depois de terminar a Série B do ano passado na lanterna da competição, precisará de muita energia para deixar o fraco desempenho do segundo semestre de 2013 para trás.

Águia de Marabá

O Águia de Marabá é uma boa escolha de time pelo qual torcer na Terceirona se você for são-paulino. No último mês, a equipe anunciou a contratação de Darío Pereyra, uruguaio que fez história no São Paulo nas décadas de 1970 e 1980. Se você é fã do futebol inglês, mais um motivo: o Águia é a equipe de Lineker! OK, não é o atacante Gary Lineker, mas o meio-campista Lineker Augusto da Silva Matos. Talvez o Lineker do paraense não tenha o mesmo faro de gol do Lineker artilheiro da Copa de 1986, mas dá para ver que o pai dele era ligadão em futebol internacional antes de virar moda.

Botafogo-PB

Até o ano passado, a única vez em que um time paraibano havia vencido uma competição nacional havia sido em 1986, com o Treze faturando a Série B daquele ano. Em 2013, esse jejum caiu, com a conquista do Botafogo na Série D. Tudo bem, para você, torcedor de um time da Série A, talvez pareça até engraçado uma conquista de quarta divisão ter importância. Mas tem, e muita, principalmente ao observarmos o desempenho de outros times do estado nordestino. O Treze ficou próximo do acesso à segundona, enquanto o Campinense faturou a Copa do Nordeste. Foi um ano especial para o futebol paraibano, e, pela maior igualdade de regiões no futebol brasileiro, seria muito interessante vermos o Botafogo fazendo uma campanha de destaque e, quem sabe, figurando na Série B de 2015. Até porque tem coisas que só acontecem com o Botafogo, o do Rio.

Caxias

Caxias do Sul Torcida

Quem odeia um campeonato polarizado e ama aquele time intruso que contraria as estatísticas e fica com um título, vai gostar do Caxias. A última vez que o Gauchão viu um campeão fora da dupla Grêmio e Internacional foi em 2000, com o Caxias de Tite ficando com o título. Se, nesta temporada, você foi Liverpool na Inglaterra, Atlético de Madrid na Espanha e Roma na Itália, precisa torcer pelo Caxias na Terceirona! Até porque a comemoração seria regada a bom vinho.

CRB

Se você vê a autoconfiança como uma virtude essencial para uma equipe de futebol, irá gostar do CRB. Às vésperas do confronto do time alagoano contra o São Paulo, pela Copa do Brasil, o discurso dos atletas do CRB era, sim, consciente ao falar do forte adversário, mas sem menosprezar suas próprias capacidades. A diferença entre o tricolor paulista e os alvirrubros é, evidentemente, muito grande, mas boa parte das entrevistas dos alagoanos foi cercada de confiança, com o lateral Paulo Sérgio, palmeirense, inclusive falando de marcar gol de falta em Rogério Ceni para “homenagear” a irmã são-paulina. O resultado disso foi muito empenho e a surpreendente virada por 2 a 1 sobre os paulistas. Passar pelo São Paulo será muito difícil, mas com essa firmeza nas palavras, por que não acreditar em uma boa campanha pelo menos na Terceirona?

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Crac

Você, adorador do Barcelona e do tiki-taka, desolado com o Barça de Tata Martino, com as sonegações fiscais de Sandro Rosell e com a queda de rendimento de Messi já tem um novo time para torcer neste ano. O Crac é o principal time de Catalão, no interior goiano. Você pode forçar a barra e dizer que ela representa o orgulho da Catalunha na Terceirona. Afinal, o nome da cidade (que tem apenas 94 mil habitantes e cabe inteira no Camp Nou) se deve a um clérigo catalão que acompanhava Anhanguera (o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva) quando se instalou no Sul de Goiás.

Cuiabá

O Gaúcho, ex-Palmeiras e Flamengo, atacante que pegou pênaltis de Aldair e Zinho no Brasileirão de 1988, fundou o clube. Mas ele já saiu da direção. Então, não resta outras coisas a não ser torcer pelo bem o contribuinte cuiabano, que ajudou a pagar a contrução de um estádio de Copa do Mundo e seria bom se um time da cidade chegasse à Série B e tivesse mais partidas relevantes durante o ano.

Duque de Caxias

O Duque de Caxias é dono do estádio com o melhor apelido no Brasil, o Romário de Souza Faria, vulgo Marrentão. É uma referência sensacional demais, e ainda se acrescenta ao fato de que, se você resolver torcer pelo clube da Baixada Fluminense, poderá se sentir especial. Afinal, o Gigante Tricolor da Baixada já é conhecido pela baixa presença de público em seus jogos. Tratamento exclusivo é sempre uma coisa legal.

Fortaleza

Uma forte rivalidade regional sempre dá um sabor a mais para as divisões inferiores do Brasileirão, e faz tempo que não vemos um Clássico-Rei em uma competição nacional. A última vez que Fortaleza e Ceará estiveram juntos em alguma divisão foi em 2009, na Série B. Considerando que o Vozão dá pinta de que passará longe do rebaixamento na Série B, o jeito de ver o grande clássico do Ceará em uma competição nacional é com a promoção do Tricolor.

Guarani

Guarani Campeão Brasileiro 1978

Único paulista fora dos quatro grandes a conquistar o Campeonato Brasileiro, o Guarani, por sua tradição, merece lugar muito melhor que a terceira divisão. Se você gosta de futebol (e não é pontepretano, claro), deve querer que um time como o Bugre esteja em situação melhor. A equipe de Campinas um dia já foi a casa de grandes craques do futebol brasileiro, como Careca, Neto e Zenon, e para um dia voltar a esse status, precisa estar mais perto da elite. Torça por uma boa campanha dos bugrinos, mas, também, por melhores administrações que as passadas.

Guaratinguetá

Você acompanhou o Osasco Audax no Paulistão deste ano e gostou do estilo de jogo da equipe, aquele tiki-taka de Fernando Diniz? Pois então o Guaratinguetá é o time para você. Às vésperas do início da Série C, os clubes fecharam uma parceria, e o elenco osasquense, junto da comissão técnica, é quem tentará levar a Garça para a Segundona. Garantia de jogos interessantes para fãs do trabalho de Pep Guardiola.

Juventude

O Juventude é a escolha ideal para os novos saudosistas. Seu período de maior sucesso não está tão atrás assim na linha do tempo, mas já faz uns bons anos que a equipe não figura nas principais divisões e competições do país. Do final da década de 1990 até a primeira metade da de 2000, vimos o Juventude ser campeão gaúcho invicto, bater o Botafogo em uma final de Copa do Brasil, dar uma surra no Corinthians, entre outros feitos.

Macaé

É comum que, entre times menores, o sobe e desce de divisão seja grande, afinal, o orçamento aperta, muitas vezes um elenco não pode ser mantido, e o trabalho frequentemente tem que ser reiniciado. Em meio a esse cenário, o Macaé se manteve na Série C por três anos seguidos e vai agora para sua quarta temporada na Terceirona. Nos últimos dois anos, foi o primeiro colocado de seu grupo, mas acabou eliminado nas duas oportunidades ainda nas quartas de final. Então já está na hora de conseguir seu lugarzinho na Série B, que nunca disputou.

Madureira

No ano passado, o time carioca lançou duas das camisas mais incríveis de todos os tempos. Com o rosto de Che Guevara estampado, os uniformes relembravam a excursão que o time havia feito à Cuba há 50 anos, onde se encontraram com o líder revolucionário argentino. A ideia teve ótima repercussão, e o estoque inicial acabou não sendo suficiente em meio a pedidos pela internet de todas as partes do Brasil e de diferentes países. Agora, o clube vai lançar camisas em celebração a uma viagem à China em 1964. Se você é de esquerda, não precisa nem pensar: “madureirenses, unidos, jamais serão vencidos”.

Mogi Mirim

O Mogi Mirim é o time para você que admira a construção de um legado. Rivaldo não foi apenas o jogador mais importante da história do clube. Parte do Carrossel Caipira que encantou quem o assistia e perturbou os grandes da capital no início da década de 1990, o pentacampeão não se contentou em apenas escrever o capitulo mais vitorioso da história do time. Encerrou sua carreira no Sapão, ao mesmo tempo em que presidia a agremiação, e agora segue como o mandatário, enquanto seu filho, Rivaldinho, dá seus primeiros passos no Romildão.

>>> Seis esquadrões da história da Série C

Paysandu

A torcida do Paysandu foi maioria na final da Copa Verde, um jogo com 50 mil pessoas… em Brasília. Um time com essa torcida precisa estar na Série A ou B, ainda mais se tiver um jogador com nome genial como Yago Pikachu (e, antes que os azulinos reclamem, o Remo de Wenderson Tsunami merece a mesma sorte).

Salgueiro

Pega um livro de Graciliano Ramos, ouve umas músicas de Luiz Gonzaga e entre no espírito do sertão. Aí, você pensa: beleza, mas tem futebol lá? Tem, tem o Salgueiro vencendo o Santa Cruz na disputa do terceiro lugar (e de uma vaga no Nordestão 2015) no Pernambucano e jogando a Série C, louco para que pessoas como você torçam por ele.

São Caetano

Imagina você contando a história do Brasileirão e da Libertadores para seu filho daqui uns bons anos. E ele pergunta: “Que time é esse, São Caetano?”. Pois é, apesar de tudo, a sobrevivência do São Caetano (quase rebaixado à Série A3 paulista há duas semanas) tem um papel histórico. Ou, no mínimo, evita que você tenha que explicar ao seu filho como era uma zona o futebol brasileiro na virada do século. Então, lembre-se da época em que o Azulão era simpático e torça para essa história não morrer.

Treze

Garrincha Treze da Paraíba

O botafoguense do Rio pode se sentir compelido a torcer pelo xará paraibano, mas há concorrência nessa história. Nilton Santos e Garrincha, dois dos maiores ídolos da história da Estrela Solitária, já defenderam o Treze. Em 1968, o Anjo de Pernas Tortas jogou um amistoso com a camisa da equipe paraibana contra a seleção romena, enquanto a Enciclopédia aceitou convite do Galo da Borborema para um jogo contra o Campo Grande, do Rio de Janeiro, em 1969.

Tupi-MG

Mais uma vez Romário aparece como um dos motivos para você torcer por um time da Série C, mas, neste caso, a história é ainda mais interessante. Em 2006, após deixar o Vasco e ir para a USFL defender o Miami, em busca do gol mil, o Baixinho decidiu retornar ao Brasil, acertou com o Tupi, foi apresentado e se tornou automaticamente o maior jogador da história do clube. Uma pena que a CBF vetou a transação, já que o período de transferências havia se encerrado quando Romário chegou ao acordo com os mineiros.

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