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Que Yaya Touré é o melhor jogador africano hoje, ninguém contesta. Seu desafio agora é a história

Yaya Touré é um jogador completo. O marfinense cumpre muito bem seu papel no meio-campo, graças à alta capacidade de marcação e à segurança na saída de bola. A qualidade técnica também permite que se aventure no ataque, contribuindo com assistências e gols. Para ajudar ainda mais, o veterano possui uma potência física invejável, capaz de manter seu vigor durante os 90 minutos e de fazê-lo passar como um rolo compressor pela maioria dos adversários. Não surpreende que Touré seja considerado por muitos como o melhor volante do mundo na atualidade. Nem que vença pela terceira vez consecutiva o prêmio de Jogador Africano do Ano, entregue pela CAF.

Convenhamos, a barbada para Yaya Touré em 2013 era maior do que nos outros anos. Quem mais se aproximou do marfinense na eleição foi Obi Mikel, credenciado por liderar a Nigéria na conquista da Copa Africana de Nações, não puramente por seu talento. Na terceira posição, ainda apareceu Didier Drogba, mais por nome do que por serviços prestados ao Galatasaray. Por mais que Touré tenha ficado em jejum de títulos em 2013, não dá para negar o talento do camisa 42, muito menos o fato de que ele é o craque de um dos principais times do mundo – o que, considerando a fortuna gasta em contratações pelo City, não é tão fácil assim.

Mais do que coroar o ano de Yaya Touré, o prêmio da CAF serve para impulsioná-lo à história. Esta é apenas a terceira vez que um jogador conquista o tricampeonato do prêmio – Abedi Pelé, entre 1991 e 1993, e Samuel Eto’o, entre 2003 e 2005, o antecederam. Além disso, o marfinense se iguala a George Weah como segundo maior vencedor da honraria, com uma indicação a menos que os próprios Abedi Pelé e Eto’o. E, considerando a supremacia do volante do City, não será surpreendente se ele igualar e até ultrapassar os mais condecorados em breve.

Yaya Touré caminha, a passos largos, para ser considerado um dos maiores jogadores africanos de todos os tempos. Já se aproxima – se não está no mesmo patamar – de Eto’o e Drogba como principal craque do continente neste século. E, considerando a capacidade da África em presentear o futebol com atacantes fantásticos, o marfinense talvez seja colocado ao final de sua carreira como o melhor meio-campista africano da história – um posto que, atualmente, não possui grande unanimidade.

Assim, 2014 se coloca como um ano importante para Yaya Touré. A Copa pode ser um bom impulso ao volante, considerando que, pela primeira vez desde 2006, a Costa do Marfim foi sorteada em uma chave na qual tem chances palpáveis de avançar às oitavas de final. Liderar os Elefantes no Brasil pode ser decisivo para que o veterano consiga algo que ainda lhe falta: uma atuação marcante em Mundiais. E que costuma ser decisivo para que os grandes craques se eternizem.