Antes do Campeonato Holandês começar, muito se falava que o Ajax era favorito destacado para conquistar o pentacampeonato – talvez até por inércia, já que é o clube mais tradicional, o maior campeão etc. Porém, era óbvio também que os Ajacieden haviam perdido um pouco o pique, até pelas atuações algo preguiçosas da equipe na temporada 2013/14. Com isso, o PSV subiu de nível nos prognósticos: não perdera ninguém na janela de transferências, passara por uma temporada de reformulação, e parecia pronto para disputar a Eredivisie em condições de quebrar o jejum de seis anos.

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Pois bem: quis o destino que as duas equipes se encontrassem já na terceira rodada da atual temporada. Obviamente, nada está claro – e nem ficará, pelo menos até que se passe um número de rodadas suficiente para opiniões mais firmes (umas dez, pelo menos). No entanto, já se pode dizer que o resultado da partida na Amsterdam Arena, às 11h45 (horário de Brasília) do próximo domingo responderá uma pergunta retroativa: qual dos dois times é, de fato, o principal favorito ao título nacional, no início da temporada.

E isso só foi possibilitado pelo ótimo começo das duas equipes: ao lado do Zwolle, são os únicos times a terem duas vitórias em dois jogos, enquanto Feyenoord e Twente começam meio cambaleantes e o AZ, promissor na primeira rodada (3 a 0 sobre o Heracles Almelo), foi abatido na segunda rodada justamente… pelo Ajax. Que nem levando o empate perdeu a calma para definir a partida no momento que queria, fazendo um 3 a 1 inquestionável.

Isso aconteceu de modo até surpreendente. Embora tenha goleado o Vitesse na estreia pela Eredivisie (4 a 1), o placar foi considerado unanimemente “mentiroso”. Afinal, Zakaria Labyad e Bertrand Traoré criaram várias chances naquela partida. E só não marcaram porque Kenneth Vermeer, ainda no gol (Cillessen ganhara um jogo a mais de descanso no banco, ainda recuperando a forma após a folga pós-Copa), fez uma série de ótimas defesas. E porque, em questão de 14 minutos, uma partida que estava num 1 a 0 apertado virou um tranquilo 3 a 0, com os gols de Schöne e Van der Hoorn.

Na partida contra o AZ, curiosamente, o adversário melhorou enquanto os Godenzonen também subiram de produção: já com Blind e Cillessen de volta aos titulares, o time abriu o placar num ataque bastante organizado, concluído por Klaassen. Mas os Alkmaarders voltaram bem melhores no segundo tempo, e conseguiram o empate. E quando parecia que a pressão dos donos da casa iria ser insuportável, Lasse Schöne, este meio-campista cuja importância no esquema de Frank de Boer ainda é subestimada, recolocou os visitantes na frente. E o gol de Anwar El Ghazi só confirmou uma vitória segura e elogiável do Ajax

Elogiável, principalmente, porque o Ajax parece ter recuperado algum ânimo com ela. Até demais, já que os boatos sobre uma eventual transferência, antes centrados sobre Daley Blind, partiram para Schöne – até por isso, o diretor de futebol Marc Overmars chamou o meio-campista dinamarquês para iniciar uma conversa sobre renovação de contrato, já que o atual vai até 2015, o que só faria o clube ganhar dinheiro se vendesse Schöne agora.

Pior: tentando segurar Schöne, Overmars teve de encerrar o sonho de contratar Samuel Eto’o. Após receber a proposta, há duas semanas e meia, o atacante ficou de pensar. E a espera se encerrou na última quarta, às 18h (13h de Brasília), prazo dado por Overmars, que justificou: “É um direito de Eto’o pensar sobre o próximo clube que ele vai defender, mas o Ajax não vai esperar mais”. Justo que o clube não espere (até porque as chances de Eto’o defender os Amsterdammers eram poucas, a bem da verdade), mas o fim do sonho foi triste, já que a qualidade do camaronês torna desnecessário explicar se o Ajax ganharia com sua contratação.

Assim como é desnecessário explicar se o PSV perderia alguma coisa caso Memphis Depay, sua grande promessa, deixasse o clube agora. Nas duas primeiras rodadas, o atacante já é o goleador do campeonato. Já fez quatro gols, dois em cada vitória do PSV (3 a 1 contra o Utrecht, 6 a 1 contra o NAC Breda). Na goleada do último sábado, outros dois gols até foram de mais um jogador dos Boeren na Copa, Wijnaldum, que também voltou bem ao time.

Só que é Depay que tornou-se a febre em Eindhoven. Tanto por estar dando prosseguimento às boas atuações vistas na Copa, como pela clara cobiça que isso causa em alguns clubes. Além do mais, o camisa 7 até já ouviu do clube o desejo em renovar seu contrato (o compromisso atual vai até 2017), mas advertiu: quer ver o PSV agindo no mercado de transferências. Caso contrário, não se entusiasmará nem um pouco em ficar na Holanda. Coisa que já agradaria a alguns grandes clubes – o Corriere dello Sport falou em sério interesse da Juventus. E que seria péssima para o ataque do PSV, que vê Luuk de Jong e Narsingh começando mal a temporada.

Se há alguma oportunidade para os dois clubes convencerem torcedores e até jogadores de suas capacidades, ela é no domingo. Ali se saberá quem tem garrafa vazia para vender nesta temporada.

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