A noite do Barcelona não teve nada de muito brilhante. O empate por 1 a 1 contra a Real Sociedad foi o suficiente para os catalães se garantirem na decisão da Copa do Rei. Ainda assim, a partida acabou engrandecida por mais um recorde de Lionel Messi. O camisa 10 chegou a 335 gols com a camisa blaugrana, igualando o máximo já anotado por um jogador em único clube espanhol. Emparelhou-se com Telmo Zarra, mito do Athletic Bilbao, que não se cansou de balançar as redes naquele mesmo País Basco, contra a mesma Real. O maior recordista de gols de La Liga até a aparição de Messi e Cristiano Ronaldo.

Durante 60 anos, Zarra foi o maior artilheiro em uma única edição do Campeonato Espanhol. Anotou 38 gols em 30 partidas na temporada 1950/51, um número que se sugeria inatingível mesmo com a competição ampliada para 38 rodadas. Hugo Sánchez igualou em 1989/90, mas apenas quando Messi e Ronaldo passaram a atingir as médias extraterrestres acima de um gol por jogo é que a marca de Zarra ficou para trás. O português chegou a 41 tentos em 2010/11, enquanto o argentino estabeleceu o recorde vigente na temporada, 50 gols.

Ainda assim, Zarra permanece impondo alguns desafios aos craques. É o maior goleador da história de La Liga, com 253. Assim como da Copa do Rei, com 81 tentos. E possui o maior número de artilharias na história do Campeonato Espanhol, seis vezes ganhador do famoso Prêmio Pichichi – que, por sinal, homenageia outro grande ídolo do Athletic. Não à toa, o veterano acabou homenageado em 2003, já no fim da vida, com o Pichichi de Ouro pelos tantos gols que marcou nos estádios espanhóis.

Nascido em 1921, Zarra se dedicou por 15 anos ao Athletic Bilbao e, com todos os méritos, é considerado o maior ídolo dos leones. Nem mesmo a Guerra Civil Espanhola, que afligiu tanto os bascos, foi capaz de interromper a trajetória do craque no início de sua carreira. Quando tinha 21 anos, o atacante precisou deixar o clube para cumprir o serviço militar no norte da África, em Ceuta. No ano seguinte, já estava de volta para ser fundamental na campanha vitoriosa em La Liga, sangrando-se campeão em 1942/43.

Com a camisa alvirrubra, Zarra conquistou um Campeonato Espanhol e cinco edições da Copa do Rei. Entre 1945 e 1953, foi o maior artilheiro do país em seis das nove temporadas. Esteve presente também na Copa do Mundo de 1950, protagonista da Espanha que chegou ao quadrangular final. O basco disputou apenas 20 partidas pela seleção, o suficiente para anotar 20 tentos e ter a melhor média de gols com La Roja, assim como para se colocar entre os 10 maiores artilheiros.

Centroavante excelente senso de posicionamento e enorme poder de finalização, Zarra disputou 354 partidas oficiais para anotar seus 335 gols – 51 jogos a menos do que Messi. E, ao pendurar as chuteiras em 1957, o craque sequer teve a chance de disputar a Liga dos Campeões, na qual também poderia ter eternizado suas marcas. Por mais que Messi e Cristiano Ronaldo estejam ávidos pelos recordes, não é por isso que Zarra deixará de ser lembrado. Goleadores tão natos quanto ele foram vistos pouquíssimas vezes na história do futebol.