A Copa do Mundo é decisiva para consagrar qualquer jogador de futebol. Grandes craques conseguiram se eternizar sem disputar um Mundial, é claro, como Di Stéfano e Best são os melhores exemplos. Entretanto, se Pelé, Maradona, Zidane, Cruyff, Beckenbauer e tantos outros são colocado na lista dos maiores, muito se deve às memórias de suas atuações em Copas. Cristiano Ronaldo e Messi, os que mais se aproximam desse panteão na atualidade, certamente se tornariam mitos ainda maiores se arrebentassem no Brasil em 2014.

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A partir desta segunda-feira, publicaremos cinco listas dos 10 maiores da história das Copas, segundo a opinião da redação da Trivela – goleiros, defensores, meio-campistas, atacantes e técnicos. Uma seleção dificílima de se pensar, e que também é bastante subjetiva. Para não sermos injustos com a história que ainda está sendo escrita, desconsideramos os jogadores ainda em atividade. Por isso mesmo, Gianluigi Buffon e Iker Casillas acabaram ficando de fora do ranking desta segunda-feira, apesar de tudo o que fizeram nas três últimas edições do torneio.

E mesmo sem as lendas de Itália e Espanha, não foi fácil chegar à lista final de goleiros. Grandes nomes dos Mundiais ficaram de fora, do calibre de Zenga, Grosics, Preud-Homme, Zaki, Mazurkiewicz e Marcos. Da mesma forma como outros grandes goleiros que não brilharam tanto em Copas sequer entraram na pré-seleção – e o maior exemplo é o mito Lev Yashin, que apenas em 1966 teve atuações acima da média, embora seja considerado por muitos o maior goleiro da história. Cofira a nossa lista. E cornete à vontade! Afinal, a graça de qualquer ranking é mesmo a discussão que ele gera:

1º – Gordon Banks

Inglaterra
Dois Mundiais (1966 e 1970)
9 jogos, 4 gols sofridos

A maior defesa da história das Copas do Mundo foi feita pelas mãos de Banks. O milagre na cabeçada de Pelé tornou-se uma imagem para a eternidade, ícone do que é um grande lance de um goleiro. E aconteceu justamente na única derrota do inglês em Mundiais. Em 1966, o camisa 1 já tinha sido protagonista no título inédito da Inglaterra. Passou os quatro primeiros jogos da Copa de 1966 sem sofrer gols e só foi vencido nas semifinais, pelo artilheiro Eusébio, de pênalti. Tomou mais dois tentos em Wembley, na final contra a Alemanha. Mas não teve muita culpa neles e também deu sua ajuda para que os Three Lions saíssem campeões – tanto que acabou eleito o melhor goleiro daquele Mundial.

Já quatro anos depois, foi fundamental para que a Inglaterra passasse para as quartas de final. Nada pôde fazer no tiro de Jairzinho, que decretou a vitória do Brasil, ainda que não tenha deixado passar nenhuma bola contra Romênia e Tchecoslováquia. Poderia ter feito mais, não fosse um problema intestinal que o tirou da revanche contra a Alemanha. Seu substituto foi Peter Bonetti, que falhou nos gols do Nationalelf e enterrou a Inglaterra naquele instante. Também se encerrava a participação de Banks em Mundiais. Em 1972, perdeu parte de sua visão em um acidente de carro, aposentando-se da seleção sem sequer participar da vexatória eliminação dos ingleses nas Eliminatórias – protagonizada pelo goleiro da Polônia, Jan Tomaszewski.

2º – Ricardo Zamora

Espanha
Um Mundial (1934)
2 jogos, 2 gols sofridos

Zamora é celebrado como um dos maiores goleiros da Espanha – não à toa, o prêmio de goleiro menos vazado de La Liga homenageia a lenda. No entanto, só teve a chance de disputar uma Copa do Mundo. Em 1930, os espanhóis não aceitaram o convite da Fifa, enquanto em 1938 a guerra civil impediu que o país competisse. Restou, então, 1934 para Zamora escrever sua história. Duas atuações sensacionais bastaram para que ele fosse eleito o melhor goleiro daquela edição. Que serão lembradas para sempre entre as maiores de seus pares em Copas.

A primeira grande veio contra o Brasil, quando pegou até pênalti n a vitória por 3 a 1. Já contra a Itália, foi fundamental para arrancar dos anfitriões o empate por 1 a 1. Capitão da Fúria, Zamora sofreu falta no lance do gol da Azzurra e ainda fez uma sequência de defesas inacreditável na prorrogação. Só que, machucado, não pôde ajudar os espanhóis no jogo de desempate, de fora da derrota por 1 a 0. Com ele, a história poderia ter sido outra.

3º – Dino Zoff

Itália
Quatro Mundiais (1970, 1974, 1978 e 1982)
17 jogos, 17 gols sofridos

A história de Dino Zoff em Copas do Mundo não começa tão bem. Reserva em 1970, o goleiro foi eliminado ainda na primeira fase do Mundial de 1974. Não teve culpa alguma na campanha decepcionante da Azzurra, evitando que a queda para Polônia e Argentina na fase de grupos fosse ainda pior. Já em 1978, Zoff acumulou grandes defesas, mas despediu-se do Mundial sob uma chuva de críticas. O golaço de Nelinho na decisão do terceiro lugar, contra o Brasil, foi apontado como uma falha por muitos. Diziam que, aos 36 anos, o camisa 1 já não tinha reflexos o suficiente para se manter na meta italiana.

Um futuro diferente do que a história conta em 1982. Zoff não apenas seguiu sendo o titular da Itália, como se consagrou naquela Copa. Ajudou sua equipe a passar de fase na risca, com três empates. Cresceu na fase decisiva e, seu milagre na cabeçada de Oscar, nos últimos instantes do jogo contra o Brasil, só não é mais lembrada que os gols de Paolo Rossi. Já na final, uma atuação magistral contra a Alemanha, para garantir o tricampeonato da Azzurra. Para se consagrar definitivamente ao erguer a taça, como craque daquela geração.

4º – Gylmar

Brasil
Três Mundiais (1958, 1962 e 1966)
14 jogos, 12 gols sofridos

Nenhum outro goleiro na história das Copas foi titular em duas campanhas vitoriosas. Um feito exclusivo de Gylmar, lenda da seleção brasileira. O camisa 3 manteve-se invicto nos quatro primeiros jogos do Mundial de 1958, o seu primeiro. Just Fontaine foi o primeiro a ter a honra de marcar contra ele, nas semifinais contra a França. E, apesar dos quatro gols sofridos nas duas partidas finais, a segurança e o arrojo do goleiro acabaram sendo muito mais decisivos para o Brasil. Em 1962, Gylmar seguiu como um dos esteios da Seleção. E sua participação na primeira fase foi importantíssima, especialmente contra Espanha e Inglaterra. Depois de conduzir o Brasil ao seu segundo título, Gylmar se despediu dos Mundiais em 1966. Mas já não vivia sua melhor fase e acabou perdendo a titularidade no último jogo, contra Portugal, substituído por Manga. Não diminui o grande que foi no bicampeonato brasileiro.

5º – Sepp Maier

Alemanha Ocidental
Quatro Mundiais (1966, 1970, 1974 e 1978)
18 jogos, 18 gols sofridos

Sepp Maier é o maior nome de uma das principais escolas de goleiro do mundo. Muito graças ao que fez nos Mundiais. Reserva em 1966, não pôde evitar a derrota da Alemanha na final para a Inglaterra. Quatro anos depois, foi titular pela primeira vez e também um dos personagens do incrível jogo contra a Itália na semifinal, quando evitou a derrota ainda no tempo normal. Seu grande Mundial, todavia, foi mesmo o de 1974. Protagonista dos alemães em sua segunda campanha do título, acabou eleito o melhor goleiro daquela competição. Foi importante principalmente na vitória sobre a Polônia por 1 a 0, em noite inspirada também de Tomaszewski. Já na final, também apareceu nos momentos decisivos para superar a Holanda, vazado apenas em uma cobrança de pênalti. Sua despedida veio em 1978, longe da melhor forma, mas ainda capaz de levar os germânicos até a segunda fase.

6º – Taffarel

Brasil
Três Mundiais (1990, 1994 e 1998)
18 jogos, 15 gols sofridos

Claudio André Taffarel certamente não foi o goleiro mais regular do futebol brasileiro. Entretanto, ninguém pode negar como o camisa 1 crescia em Copas do Mundo. Em 1990, foi um dos melhores da seleção brasileira na Itália e, apesar das grandes defesas, caiu contra a Argentina nas oitavas de final. Antes de eternizar-se em 1994. Fechou o gol contra Estados Unidos, Suécia e Itália, quando o pênalti defendido de Massaro ajudou (e muito) na conquista do tetra. Já em 1998, pouco pôde fazer na derrota do Brasil contra a França. Merece muito mais créditos por ter colocado a Seleção na final, por sua noite gigantesca contra a Holanda.

7º – Oliver Kahn

Alemanha
Três Mundiais (1998, 2002 e 2006)
8 jogos, 4 gols sofridos

Você pode discordar da escolha da Fifa, achar que Ronaldo ou Rivaldo mereciam mais a Bola de Ouro da Copa de 2002. Porém, não dá para negar o que Oliver Kahn jogou naquele torneio. Se o limitado time alemão chegou até a final, deve muito ao seu goleiro, capaz de defesas espetaculares contra Estados Unidos e Coreia do Sul. Sua falha na decisão tem peso grande, mas também é preciso lembrar que ele jogou aquela partida com os ligamentos de um dos dedos torcidos – o que certamente contribuiu para o erro. Em 2006, acabou na reserva de Lehmann, assim como tinha sido em 1998. Independentemente disso, seu protagonismo em 2002, já vale o lugar

8º – Ubaldo Fillol

Argentina
Três Mundiais (1974, 1978 e 1982)
13 jogos, 11 gols sofridos

Você pode até ser mais um a achar que a Argentina só venceu a Copa de 1978 por causa da pressão do regime militar. Sem a ajuda de Fillol, contudo, a albiceleste teria caído muito mais cedo naquele Mundial. A estreia do arqueiro na competição aconteceu em 1974, atuando em apenas um jogo, quando os argentinos já estavam eliminados. Uma prévia do que seria quatro anos depois, com Fillol pegando tudo, incluindo um pênalti fundamental contra a Polônia. E em nenhum jogo mais do que na decisão contra a Holanda, fazendo duas defesas sensacionais. Sua despedida das Copas aconteceu em 1982, na qual todo o time da Argentina já não era páreo a Itália e Brasil.

9º – Frantisek Planicka

Tchecoslováquia
Dois Mundiais (1934 e 1938)
6 jogos, 7 gols sofridos

Em tempos nos quais os goleiros estavam muito distantes da técnica atual, Planicka foi um monstro. Era o capitão da Tchecoslováquia que chegou à final em 1934. Carregou o time em vitórias importantíssimas contra Romênia, Suíça e Alemanha, mas não resistiu à pressão da Itália nos 120 minutos da decisão. Em 1938, fez apenas duas partidas naquele Mundial, o suficiente para ser eleito o melhor goleiro. Foram duas prorrogações, contra Holanda e Brasil. Diante dos brasileiros, na famosa Batalha de Bordeaux, é que se eternizou como lenda. Mesmo com o braço quebrado, seguiu em campo para assegurar o empate por 1 a 1. Só não deu para atuar no jogo de desempate, que selou a eliminação dos tchecoslovacos.

10º – Jean-Marie Pfaff

Bélgica
Dois Mundiais (1982 e 1986)
10 jogos, 16 gols sofridos

Se a Bélgica teve grandes jogadores em Mundiais, poucos brilharam tanto quanto seus goleiros. Michel Preud-Homme foi eleito o melhor da posição na Copa de 1994, mesmo com Taffarel sendo protagonista do Brasil. Sucedeu Pfaff, capaz de um Mundial incrível oito anos antes. O veterano havia estreado no torneio em 1982, quando sofreu apenas um gol em três jogos, mas perdeu a segunda fase por conta de uma lesão no ombro. Já em 1986, foi um dos principais responsáveis pela campanha dos belgas até as semifinais. Seus jogos mais fantásticos foram contra União Soviética e Espanha (quando pegou um pênalti decisivo), mas mesmo na eliminação para a Argentina o camisa 1 se destacou.