Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo, a coluna faz nessa semana sua última abordagem do campeonato mexicano. O resumo da Clausura, assim como as expectativas para o Apertura, terá lugar nas primeiras semanas após o Mundial (dependendo, claro, de quão longe irá El Tricolor em terras brasileiras). Para não perder o pique, trazemos hoje o time-base da Liga MX na segunda parte da temporada, com os destaques de cada posição:

Obs: seis dos onze jogadores presentes na seleção do campeonato (cinco mexicanos e um equatoriano) estarão na Copa de 2014.

Goleiro: Alfredo Talavera (Toluca)

A briga com o jovem arqueiro do campeão León, William Yarbrough, foi boa, mas o veterano goleiro do Toluca levou a melhor. E há poucas razões para duvidar de seus méritos. Um dos principais responsáveis pelos Diablos ostentarem a melhor defesa da fase regular (único clube com média de menos de um gol por jogo), “Tala” praticamente não oscilou em seu desempenho no Clausura. E se bateu na trave na disputa pelo título tanto na Liga MX quanto na Conchampions, o prêmio de consolação veio com a terceira vaga para sua primeira Copa do Mundo aos 31 anos.

Defesores: Rogelio Chávez (Cruz Azul), Paulo da Silva (Toluca), Yasser Corona (Querétaro) e Miguel Layún (América)

Setor tradicionalmente disputado pelas maiores revelações do futebol azteca, a parte defensiva as seleção do torneio Clausura ficou em boas mãos, mesclando experiência com bons talentos. Na ala direita, a briga foi acirrada entre Rogelio Chávez e o jovem Rodolfo Pizarro, do surpreendente Pachuca. Ainda que Pizarro tenha um futuro promissor, a segurança do defensor Cementero foi vital para a excelente campanha do clube na fase inicial.

Segurança que também sobrou ao experiente zagueiro paraguaio Da Silva, pilar da muralha dos Rojos, e ao cada vez mais confiante Yasser Corona. Depois de rodar muito pelo futebol azteca, o central manteve a boa fase que o fez se salvar do vexame do San Luis na última temporada e segue como uma ilha de bom futebol que por muito pouco não levou os instáveis Gallos Blancos até o mata-mata. Já está na hora de encontrar um lugar num clube grande do país.

Único componente do setor entre os convocados de Herrera para a Copa, o lateral esquerdo Layún foi, curiosamente, o eleito menos indiscutível. Não que tenha deixado a desejar, mas passou longe de superar com folga concorrentes como o veterano Carlos Morales (Morelia) ou seu companheiro de seleção Miguel Ángel Ponce (Toluca). A técnica superior, assim como uma maior regularidade, deram a vitória ao “Palito de Pan”.

Meias: Carlos Peña (León), Cristian Pellerano (Tijuana), Luis Montes (León) e Marco Fabián (Cruz Azul)

Se não sobrou como no título do Apertura, o campeão León fez o dever de casa e, mesmo sem grandes destaques, alcançou a taça. E nenhum setor foi tão importante para os Esmeraldas quanto o meio-campo: nos pés do volantes Peña ou do criativo meia ofensivo Montes, ambos trazidos do Pachuca, os Panzas Verdes chegaram ao bicampeonato. Não à toa, “El Tulipán del Bajío” e “Chapo”, peças-chave do clube desde a conquista do título da Liga de Ascenso, estarão no Brasil.

Assim como o polivalente Marco Fabián, que reencontrou na capital federal o bom futebol esquecido durante seus últimos meses em Guadalajara. Artilheiro do elenco que pôs fim à fila de 17 anos da Máquina Azul, Marquito ofuscou até mesmo medalhões como os atacantes argentinos Pavone e Formica, conterrâneos do veterano Pellerano, quarto e último componente do setor. Ainda que os Xolos estejam longe do bom futebol que o levou ao topo na última temporada, “Pelle” foi artilheiro e líder do grupo que arrancou a vaga na Liguilla à força, a despeito do desmanche do elenco campeão.

Atacantes: Carlos Darwin Quintero (Santos) e Enner Valencia (Pachuca)

Uma das vagas para o setor ofensivo não teve um vencedor indiscutível. O argentino Martín Bravo (Pumas UNAM) brilhou muito nas primeiras rodadas, mas desapareceu na parte final da Liga MX. Oribe Peralta (Santos) e Pablo Velázquez (Toluca) seguiram marcando seus gols. Até mesmo o jovem Michael Arroyo em determinado do momento da competição aumentou as esperanças de salvação do Atlante graças aos seus tentos.

Mas nenhum deles foi tão avassalador quanto Enner Valencia. Em sua primeira temporada em gramados aztecas, o equatoriano marcou 18 gols, levou o troféu de artilheiro e por muito pouco não devolveu os Tuzos ao lugar mais alto do pódio. Com apenas 24 anos, trilha a passos firmes o caminho de “Chucho” Benítez e, para variar, já se especula sua venda para o América.

Para fazer companhia ao “Súperman”, ninguém melhor que Carlos Darwin Quintero. Sem espaço na seleção cafetera de José Pekerman, “Colebrita” está cada dia mais à vontade na Liga MX. Com sete gols e nove assistências, foi o nome dos laguneros em mais uma campanha segura, ainda que o título não tenha chego.

T: Enrique Meza (Pachuca)

É verdade que ele perdeu sua quinta final (em nove disputas). Também é fato que estava com a taça bem encaminhada após arrancar a vitória na casa do adversário na primeira partida da final. Isso sem falar no talento indiscutível do jovem treinador uruguaio Gustavo Matosas, responsável por tirar do fundo do poço e dar forma a um vitorioso León sem qualquer perspectiva há cerca de três anos.

Mas não tem como não eleger o veterano Enrique Meza o melhor treinador do Clausura 2014 da Primera División. “Ojitos” assumiu um time saído de um desmanche após um audacioso projeto que terminou em fracasso, investiu forte nos bons talentos da base do Pachuca e com um time jovem e seguro quase devolveu os Tuzos ao topo da Liga MX. O título não veio, mas as perspectivas em Hidalgo são  as melhores, como há tempos não se via.

Curtas

El Salvador

– Após um empate sem gols no tempo normal e na prorrogação, o Isidro Metapán bateu o Dragón nos pênaltis por 6×5 e conquistou o Torneo Clausura da Liga Mayor. Foi o nono título da história dos Cementeros, que levantaram oito dos últimos 12 campeonatos nacionais disputados no país;

Jamaica

– Com uma goleada por 5×2 sobre o Waterhouse na decisão, o Montego Bay United levantou a taça da National Premier League, sagrou-se tricampeão nacional e encerrou um jejum que já entrava em seu 17º ano. Foi a primeira conquista do clube com a atual denominação, adotada em 2011 (antes era chamado de Seba United);

Trinidad & Tobago

– Liderando de ponta a ponta, o W Connection teve o melhor ataque, a melhor defesa e somou 50 pontos em 24 jogos para conquistar o pentacampeonato da TT Pro League, com cinco de vantagem para os vice-líderes Central e o até então detentor da taça Defence Force;

Cuba

– Mesmo superado pelo Holguín na rodada do fim de semana, o Ciego de Ávila manteve a ponta do Campeonato Nacional, com 35 pontos em 16 partidas, graças também ao empate do atual campeão Villa Clara frente ao Camagüey, que manteve “El Expreso del Centro” com 32. Cada vez mais afundado, o Pinar del Río foi derrotado pelo La Habana, segue na lanterna e, com apenas 7 pontos, selou matematicamente sua queda para a Liga de Ascenso;

Haiti

– Com apenas uma partida disputada na rodada (o duelo atrasado entre Racine e Don Bosco), a Digicel Première Division segue com o America des Cayes no topo, com 21 pontos em 10 jogos, enquanto Baltimore e Tempête estão na vice-liderança, com 16. Atual campeão, o Mirebalais é o nono, com 11 pontos.