Quem melhorou e quem piorou entre o sorteio e o começo das oitavas de final da Champions

A Champions League tem uma característica peculiar: o sorteio das oitavas de final é realizado no começo de dezembro, mas as primeiras partidas são apenas em fevereiro. Um intervalo de dois meses que, no futebol, representa muito tempo, ainda mais com uma janela de transferências no meio dele. Técnicos são demitidos, jogadores são vendidos, contratados e machucados, os desempenhos oscilam.

Na véspera dos primeiros jogos de ida das oitavas, fazemos um diagnóstico das oito equipes que entram em campo esta semana. Quem piorou, quem melhorou e quem ficou igual?

PS: Semana que vem, as outras oito equipes.

Terça-feira, 13/02

Juventus x Tottenham

Basel x Manchester City

Quarta-feira, 14/02

Porto x Liverpool

Real Madrid x Paris Saint-Germain

Juventus: melhorou

Benatia comemora gol pela Juventus contra a Roma (Photo by Gabriele Maltinti/Getty Images)

A Juventus começou a temporada com atuando em um 4-2-3-1, o mesmo esquema que a levou à decisão da Champions League, no último mês de maio. Mas o desempenho da equipe não estava satisfatório, nem os resultados. Considerando o padrão de excelência da Velha Senhora em tempos recentes, duas derrotas nas primeiras 13 rodadas do Campeonato Italiano não são comuns, ainda mais uma delas sendo para a Sampdoria. A mudança para um 4-3-3, com dois meias dando sustentação à criatividade de Pjanic no meio-campo e dois atacantes pelos lados dando assistências para Higuaín, aconteceu justamente no último jogo antes do sorteio das oitavas de final da Champions League: empate por 0 a 0 com a Internazionale.

Mas, desde então, ganhou todos os jogos que disputou. Oito vitórias pela Serie A e três pela Copa Itália. A única coisa que impediu a Juventus de subir à liderança da tabela foi a campanha idêntica do Napoli – os dois times estavam separados por um ponto antes do sorteio e continuam na mesma situação; a Internazionale, líder à época, despencou. No entanto, sem dúvida é uma Juventus mais forte e equilibrada, apesar de não ter aproveitado a janela de transferências de janeiro para trazer reforços notáveis.

Tottenham: melhorou

Lamela, do Tottenham (Foto: Getty Images)

O Tottenham disputa a Champions League pela segunda vez seguida e, agora, fez uma grande campanha na fase de grupos. Cinco vitórias e um empate, e seus adversários, com exceção do bravo Apoel do Chipre, eram teoricamente difíceis – ainda não sabíamos o quão complicadas seriam as temporadas de Borussia Dortmund e Real Madrid. Mas os Spurs fizeram o que deveriam ter feito. Ficaram em primeiro lugar, o que significa enfrentar segundos colocados nas oitavas de final, com chance de ser um confronto mais tranquilo. O sorteio, porém, tinha seus próprios planos: colocou a Juventus pela frente.

Apesar dos resultados europeus, a campanha na Premier League ainda não havia decolado. O time era sexto colocado, atrás do Arsenal, e tinha ganhado apenas do Crystal Palace, em seis rodadas do Campeonato Inglês, antes de golear o Stoke City por 5 a 1, na partida que antecedeu o sorteio. Desde então, a única derrota foi para o Manchester City. Os Spurs superaram o Arsenal, estão a um ponto da zona de classificação da Champions League e ainda avançaram na Copa da Inglaterra, jogando um futebol melhor do que o do começo de dezembro. Contratou o brasileiro Lucas Moura para reforçar suas opções – e ele pode disputar a competição europeia.

Basel: pior

Manuel Akanji, ex-jogador do Basel

Impossível avaliar se o Basel está jogando melhor ou pior desde o sorteio porque o Campeonato Suíço parou uma semana depois das bolinhas terem rolado. A equipe entrou em férias ganhando do Grasshoppers, a oitava vitória seguida na temporada contando todas as competições. Retomou a temporada no último domingo perdendo para o sétimo colocado Lugano, por 1 a 0. O Basel está em segundo na liga suíça.

Mas o mercado o enfraqueceu. O zagueiro Manuel Akanji, que havia sido titular em todos os jogos da equipe na temporada menos dois, foi vendido para o Borussia Dortmund. E o meia Renato Steffen atuou 27 vezes pelo Basel antes de se transferir para o Wolfsburg. Em troca, nenhum grande investimento. Trouxe Valentin Stocker, do Hertha Berlim, Fabian Frei, do Mainz, e Albian Ajeti, do St. Gallen. Até podem dar certo, mas, em última instância, ainda precisam se encaixar na equipe de Raphael Wicky.

Manchester City: igual

Kevin de Bruyne, do Manchester City (Photo by Gareth Copley/Getty Images)

Se você olhar os resultados crus, pode dizer que o Manchester City piorou: tropeçou duas vezes até o sorteio, uma delas irrelevante na última rodada da fase de grupos contra o Shakhtar Donetsk, e, desde então, não ganhou três vezes – Crystal Palace, Liverpool e Burnley. Mas isso é ser rígido demais. Na prática, o City continua arrasador, navegando para um título inglês dos mais tranquilos. O problema foram as lesões. Sané e Gabriel Jesus quase certamente não disputarão o jogo de ida. David Silva se machucou contra o West Brom e perdeu o jogo seguinte, contra o Burnley. Não parece sério, mas esteve outra vez fora no fim de semana, diante do Leicester. A boa notícia é que Stones está voltando. A frustração do City foi na janela de transferências: Alexis Sánchez decidiu pelo Manchester United, e o Leicester não liberou Mahrez para reforçar o elenco de Guardiola.

Porto: igual

Maxi Pereira, do Porto (Foto: Getty Images)

Quase nada mudou. O Porto faz uma boa temporada. Passou em segundo lugar no grupo mais equilibrado. Besiktas, RB Leipzig e Monaco, todos tinham condições de avançar às oitavas de final. Mas tinha empatado duas vezes seguidas em datas próximas ao sorteio e, desde então, venceu quase todas pelo Campeonato Português, com exceção do 0 a 0 com o Moreirense, e lidera com dois pontos de vantagem e um jogo a menos que o segundo colocado Benfica. Perdeu para o Sporting na menos importante Taça da Liga, mas se vingou dos Leões chegando à decisão Copa de Portugal. Não fez grandes ações no mercado. Quintero e Layún não vinham jogando e foram negociados.

Liverpool: pior

Coutinho, do Liverpool (Foto: Getty Images)

A diferença aqui tem nome e sobrenome: Philippe Coutinho. O Liverpool perdeu seu jogador mais criativo para o Barcelona em janeiro e deliberadamente não trouxe ninguém para o lugar dele. Uma aposta arriscada de Jürgen Klopp porque, apesar da grande vitória por 4 a 3 sobre o Manchester City, os Reds mostraram dificuldades de criação contra o Swansea, West Brom e  o Tottenham. A grande chegada foi a de Virgil Van Dijk, finalmente o bom zagueiro para tentar dar uma arrumada na defesa, mas ele ainda não se entrosou direito e pouco melhorou nesse setor. Desde o sorteio, o Liverpool empatou com Arsenal e Tottenham, perdeu do Swansea, que se revitalizou sob o comando de Carlos Carvalhal, e foi eliminado da Copa da Inglaterra pelo West Brom.

Real Madrid: pior

Zidane, do Real Madrid (Photo by Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images)

A questão do Real Madrid é de percepção. É natural que um time que acabou de ser bicampeão europeu começasse a temporada seguinte sem a mesma pegada. Cristiano Ronaldo estava suspenso nas primeiras rodadas, Bale se machucou, e tudo isso poderia explicar, por exemplo, uma derrota em casa para o Bétis, ou para o Girona, ou mesmo para o Tottenham, que lhe custou o segundo lugar e o colocou no caminho do Paris Saint-Germain. E ainda havia fresca na memória a lembrança do atropelamento contra o Barcelona na Supercopa da Espanha.

A expectativa é que uma hora a temporada engrenaria, mas, desde então, o Real Madrid foi campeão mundial, com certa dose de sofrimento contra o Al Jazira e com um único gol meio estranho diante do Grêmio, embora tenha controlado a partida inteira. E os tropeços foram se acumulando: levou 3 a 0 do Barcelona, perdeu do Villarreal, empatou com o Celta de Vigo e o Levante, foi eliminado da Copa do Rei pelo Leganés. Cristiano Ronaldo continua fazendo poucos gols, Bale já voltou, o tempo passou, e nada melhora. A principal diferença em relação ao começo de dezembro é que agora sabemos que a crise do Real Madrid é genuína.

Paris Saint-Germain: igual

Neymar e Cavani, do PSG (Photo by Jean Catuffe/Getty Images)

A temporada é praticamente só de vitórias para o Paris Saint-Germain, antes ou depois de dezembro. Curiosamente, o pior momento foi justamente nos dias anteriores às bolinhas rolarem, quando vieram duas derrotas seguidas, para Estrasburgo e Bayern de Munique. Desde então, 14 jogos e 13 vitórias. Até os problemas internos são os mesmos. Neymar e Cavani se estranharam antes do sorteio e depois do sorteio. No mercado, se livrou de Lucas, que mal vinha jogando, para amenizar o déficit do Fair Play Financeiro e trouxe Lassana Diarra, que estava livre, leve e solto.