A Copa do Mundo não deixa de ser uma grande vitrine. Apresenta jogadores outrora escondidos em cantos remotos do planeta, mas que podem despontar nas grandes ligas. E a quem quiser contratar um volante jovem, de boa presença física e poder de marcação, o Irã apresentou uma ótima alternativa: Saeid Ezatolahi. O camisa 6 dos persas fez uma partidaça contra a Espanha em Rostov, apesar da derrota por 1 a 0. Ajudou a liderar o sistema defensivo, deu combate para dificultar a vida dos meio-campistas espanhóis e por muito pouco não se tornou herói, em gol de empate corretamente anulado pela arbitragem. Quem sabe, pode mesmo pintar de volta ao futebol espanhol, onde já foi um dos aprendizes de Diego Simeone.

Nascido em Bandar-e Anzali, no noroeste do Irã, Ezatolahi tinha um destino claro no início da carreira. Seu pai e seu tio atuaram pelo Malavan, clube da cidade e um dos principais do interior do país, administrado pela Marinha. E foi justamente por lá que o meio-campista se profissionalizou, aos 16 anos. Tornou-se o mais precoce da história a atuar pelo Campeonato Iraniano e, mais do que isso, foi eleito o melhor jovem da competição logo na temporada de estreia. Já em outubro de 2013, disputou o Mundial Sub-17 com a seleção iraniana, e as boas apresentações atraíram as atenções dos clubes europeus.

O destino de Ezatolahi foi o Atlético de Madrid. Em agosto de 2014, assinou contrato com os colchoneros, juntando-se inicialmente às categorias de base. Compôs os juniores e ganhou algumas oportunidades para treinar com Diego Simeone entre os profissionais, a partir de 2015, mas não se firmou. Suas próximas chances viriam mesmo no time C dos rojiblancos, nas divisões regionais do Campeonato Espanhol. Além disso, Carlos Queiroz também começou a descobrir o potencial do prodígio a partir de maio de 2015, oferecendo suas primeiras convocações. Tornaria-se uma solução aos persas.

Buscando sequência, Ezatolahi preferiu deixar o Atlético de Madrid. Em 2015/16, aceitou uma proposta do Rostov. E mesmo que não fosse titular no Campeonato Russo, a projeção o ajudou na equipe nacional. A partir de novembro de 2015, acumulou suas primeiras aparições na seleção. Já no hexagonal decisivo das Eliminatórias, o jovem volante tornou-se titular absoluto. Virou um ponto de equilíbrio no sistema defensivo proposto por Carlos Queiroz, com capacidade física, disciplina, firmeza e boa qualidade técnica. O moral no Team Melli destoava com o que acontecia em seus clubes, aliás. Sem jogar no Rostov, a promessa foi emprestada ao Anzhi em 2016/17. E, de volta aos auriazuis, novamente seria cedido em agosto passado, ganhando ritmo no Amkar Perm.

Não foram os problemas nos clubes que barraram Ezatolahi no Irã. E o camisa 6 acabaria sendo uma ausência sentida na estreia da Copa do Mundo, suspenso por um cartão vermelho recebido na última rodada das Eliminatórias. Não fez tanta falta assim na vitória contra o Marrocos, mas se tornou imprescindível diante da Espanha. O domínio do jovem de 21 anos na cabeça de área valeria bastante aos persas.

Ezatolahi dificultou a vida dos espanhóis. Saindo para dar o bote, realizou cinco desarmes e interceptou três passes ao longo da partida. Além disso, se juntou ao paredão dentro da área, contribuindo com cinco bolas rifadas e quatro chutes bloqueados. E foi quando ele não conseguiu roubar a bola de Iniesta, em raro vacilo, que o tento dos adversários acabou saindo logo na sequência.

Já ofensivamente, o meio-campista não conseguiu oferecer tanto nas saídas de bola, entre as dificuldades dos iranianos para armarem os contra-ataques em boa parte da partida, até a pressão nos minutos finais. Ainda assim, ficou próximo de se redimir e anotar o gol decisivo, em lance no qual estava impedido. Uma pena que a comemoração explosiva seria frustrada corretamente pela marcação da arbitragem. Ao apito final, a euforia contrastou com a decepção. O camisa 6 sentou no gramado e não escondeu as lágrimas.

O empate frustra o Irã, mas não diminui tanto assim as chances de classificação da equipe. Mesmo se empatasse com a Espanha, a necessidade de vencer Portugal na última rodada seria grande. Agora, se torna obrigação. E uma das chaves no duelo será exatamente a maneira como a defesa persa irá se proteger novamente. Ezatolahi poderá mostrar outra vez o seu trabalho. Com apenas mais um ano de contrato com o Rostov, tem a oportunidade de mudar o seu futuro. Aos 21 anos, demonstra qualidade para desejar mais.