Pela lógica, o último colocado da fase de grupos da Libertadores deveria ser o adversário mais tranquilo dos mata-matas. O problema é que a lógica nem sempre acontece na Libertadores. Ainda mais neste ano, ainda mais com o Nacional do Paraguai. Porque o Tricolor consegue fazer, daquilo que seria o seu ônus, o seu bônus. Decidir fora de casa não é problema para a Academia, que vai conseguindo resolver seus jogos logo na ida. A nova vítima em Assunção foi o Defensor, que terá que lutar muito em Montevidéu para reverter a derrota por 2 a 0. A decisão inédita da Libertadores, agora, está nas mãos do Nacional.

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O Estádio Defensores del Chaco contou com bom público para o primeiro duelo das semifinais da Libertadores. Por mais que o Nacional não possua uma torcida numerosa, certamente ela compareceu em peso para lotar as arquibancadas. E, mais do que isso, os tricolores não possuem rivais no país. Facilita ainda que o Nacional seja o Paraguai na Libertadores, por mais que a torcida do Cerro Porteño tenha uma pitada de ciúmes por perceber que o segundo time local a chegar a uma decisão continental não será o dela. “Força, Nacional, o Paraguai está contigo”, dizia uma enorme faixa no estádio. A mais pura verdade.

Olhando para o papel, o Nacional pode não ser um time que chame tanta atenção, formado basicamente por jogadores locais, com Bareiro sendo o principal talento individual. Também traz nada de tão especial taticamente. E mesmo que não se sobressaia tanto, o Tricolor funciona. E muito. As trocas de passes contra o Defensor foram impressionantes, contra um adversário que avançou no torneio depois de segurar os fortes ataques de Cruzeiro e Atlético Nacional. Mas que não resistiu ao jogo coletivo dos paraguaios, em uma noite inspirada.

O começo do jogo não foi tão bom, com poucas chances de gol. Até que o Nacional acertasse a primeira troca de passes e vencesse o goleiro Martín Campaña. Brian Montenegro tabelou bonito com Julian Benítez e fuzilou em um chute cruzado, abrindo o placar aos 35 minutos do primeiro tempo. Justo Montenegro, garoto com rodagem pelas seleções de base, com passagem pelo West Ham, e que foi contratado junto ao Libertad para a reta final da Libertadores. Uma aposta certeira da Academia, que foi premiada com uma grande atuação do atacante de 21 anos.

Brian Montenegro foi o melhor em campo pelo Nacional

Brian Montenegro foi o melhor em campo pelo Nacional

O Defensor tentou ameaçar o experiente arqueiro Ignacio Don no final da primeira etapa. A falta perigosa cobrada por Felipe Gedoz resvalou na ponta dos dedos do goleiro, antes de explodir no travessão. Seria a grande oportunidade dos violetas na partida apática que fizeram. Deram muito mais brechas na defesa do que de costume e não conseguiram encaixar os contra-ataques fulminantes, tão decisivos nesta Libertadores. Gedoz e De Arrascaeta, os protagonistas da campanha, fizeram muito pouco em Assunção. Pararam na ótima proteção que Riveros e Torales faziam na cabeça de área paraguaia.

Já no segundo tempo, estava evidente que o Nacional marcaria o segundo gol. Melgarejo, Orué, Benítez e Montenegro eram os principais responsáveis pelas tabelas que iam fazendo a força do Defensor desmoronar. Campaña ia evitando o pior com grandes defesas, até não dar mais. Aos 25 da segunda etapa, Orué pegou na veia em uma sobra de bola e nem deu chances para o goleiro. Naquele momento, o Nacional confirmava a vitória tranquila. Tomou um susto no finalzinho, é verdade, mas um cruzamento milagrosamente salvo na pequena área por duas vezes garantiu a diferença. Antes do apito do árbitro, deu até para a torcida gritar “olé” no baile em Assunção.

O Defensor tenta tirar esperanças das oitavas de final, quando também perdeu por 2 a 0 em La Paz, deu o troco contra o Strongest em Montevidéu e avançou nos pênaltis. Entretanto, é difícil imaginar que o Nacional dará tantas brechas no Estádio Centenário, no reencontro marcado para a próxima terça. Afinal, o Tricolor já segurou Vélez e Arsenal de Sarandí fora de casa, dois adversários com ataques de maior presença física. E o sonho de chegar à surpreendente final impera na Academia.

O Nacional, que começou a copa como candidato a saco de pancadas, vai escrevendo uma história enorme. Mesmo sendo o semifinalista que menos chama atenção no papel, a equipe parece contar com planos traçados para chegar até a taça. Para que o www.nacionalquerido.com tenha mais um surto epilético, justo no último ano de existência do site, em um furor nacionalófilo que não se imaginaria nem com Arsenio Erico e Fleitas Solich em campo.