Kevin Constant, do Milan, pega uma banana atirada por torcedor da Atalanta

Racismo no futebol: cinco países, e cinco exemplos do que fazer e não fazer

Matteo Renzi é o primeir0-ministro da Itália desde 22 de fevereiro de 2014. Salvo quem acompanha atentamente à política internacional ou acompanha a tentativa dos italianos de saírem da crise econômica, seu nome ficou mais conhecido no Brasil por causa do futebol. Ou melhor, por causa de racismo no futebol. Ao lado de Cesare Prandelli, técnico da Azzurra, Renzi foi uma das tantas pessoas famosas a tirar foto comendo banana como forma de mostrar apoio a Daniel Alves após a fruta ser atirada contra ele em um Villarreal x Barcelona no final de abril.

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Bem, neste domingo vimos que o gesto do primeiro-ministro não teve efeito e todos os seus conterrâneos. Durante o Atalanta x Milan, pela penúltima rodada do Campeonato Italiano, ultras bergamascos atiraram bananas em direção ao guineano Kevin Constant. Ficou nítido que nem uma campanha de repercussão internacional serviu para constranger os racistas, no mínimo a ponto de congelar esse problema por alguns meses. Não, nada disso. O novo caso veio em duas semanas.

Um dos problemas é que não há uma receita pronta para acabar para sempre com o racismo no futebol. Comer uma banana ou entrar em campo com faixas da Fifa com a frase “say no to racism” (“diga não ao racismo”) tem algum nível de efeito, mas são apenas a abordagem inicial ao tema. É preciso atacar a raiz desse preconceito, e aí a coisa fica complexa. Cada país tem sua história social e sua relação entre clubes e torcedores. Consequentemente, os preconceitos têm origens diferentes e a forma de combatê-los também terão de ser específicas.

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Para ajudar um pouco nesse debate, o racismo será nosso tema da semana. Cada dia, vamos mostrar a natureza do racismo no futebol de um país diferente, o que foi feito até agora e as perspectivas para o futuro.

Segunda: Inglaterra, e como o nazismo sumiu dos estádios

Os hooligans das décadas de 1960, 70 e 80 eram mais conhecidos internacionalmente pela violência, mas as firms acabaram se envolvendo com ideologias nazistas. Como os ingleses combateram esse fenômeno?

Terça: Espanha, e como a falta de punição incentiva os racistas

Um dos casos mais preocupantes entre as grandes ligas da Europa, sobretudo pela relação entre aumento de casos com falta de punições convincentes por parte das autoridades.

Quarta: Itália, o país em que preconceito racial se mistura com o regional

Entre os grandes centros do futebol europeu, nenhum sofre uma influência tão forte das torcidas organizadas quanto a Itália. E, na Serie A, a atuação de quase todos os ultras está ligada a uma ideologia política, muitas vezes levando a atritos regionais e raciais.

Quinta: Rússia, a bomba que pode explodir em 2018

A Uefa já teve de rebolar para lidar com o racismo de torcidas ucranianas e polonesas durante a Eurocopa de 2012. Mas imagina o tamanho do abacaxi que a Fifa terá de descascar em 2018, quando uma Copa do Mundo levará um contingente ainda maior de negros, latinos e asiáticos para os estádios da Rússia.

Sexta: Estados Unidos, e como o racismo da sociedade nao vai aos campos

Há racismo nos Estados Unidos, e não faltam relatos e exemplos. Mas, curiosamente, o esporte norte-americano tem poucos casos registrados de manifestações de torcedores nas últimas décadas. Por que isso acontece?

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-  A zoeira, meus caros, ela tem limite. Ainda bem